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Stefanini quer crescer 25% em 2022 – no Brasil e no mundo

Marco Stefanini e Marcelo Ciasca, CEOs global e Brasil da Stefanini (Fotos: Divulgação)

No dia em que o IT Forum conversou virtualmente com Marcelo Ciasca, CEO Brasil da Stefanini, e Marco Stefanini, fundador e CEO Global da empresa, ainda não havia uma guerra na Europa, nem uma alta do petróleo ou mesmo uma nova ameaça sobre a cadeia global de suprimentos para a indústria de tecnologia. Mas ambos já previam um ano difícil sob o ponto de vista político e econômico – mas que de forma alguma impediu os prospectos positivos para a companhia em 2022.

Para Ciasca, a expectativa era que a operação brasileira cresça pelo menos 25% em 2022, “um crescimento importante dado o contexto atual”, disse. E para Stefanini, a “expectativa forte de crescimento global” também é dos mesmos 25%, em parte baseada pelo crescimento médio de 20% nos últimos dois anos – a projeção de faturamento para o ano passado é de R$ 5 bilhões. “A gente tem uma expectativa positiva, mas sabendo que temos que trabalhar duro. Não vai ser um ano fácil, mas vai ser de oportunidades”, ressaltou o CEO global.

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Ambas as projeções consideram apenas crescimento orgânico, ou seja, não somam possíveis (e prováveis) aquisições da empresa, levadas a cabo com certa frequência nos últimos anos. Esse ano a Topaz, braço de soluções financeiras da Stefanini, já anunciou uma compra, a da americana Cobiscorp. Em 2021 a mesma Topaz ficou com 60% da CRK e 100% da peruana Sapia.

“Na prática gostamos de um modelo híbrido. Aquisições mesclado com crescimento orgânico. A gente percebe algumas empresas que acabam se focando só em aquisições, mas o crescimento orgânico agrega mais valor para acionista e, principalmente, os colaboradores”, diz Stefanini. “Aquisições estão sim no nosso plano. Tínhamos uma meta de [gastar em aquisições de empresas] R$ 500 milhões em três anos, e vamos superar isso porque quase gastamos tudo.”

Leia mais: Menos evangelização e mais capacitação marcam nova etapa da AWS no Brasil

Segundo Marco, a estratégia de investimentos é ampla, e vai desde investir em startups até empresas de tecnologia já estabelecidas e maiores – caso das últimas adquiridas. E passa também por estímulos internos ao empreendedorismo por parte dos executivos da companhia que por acaso queiram começar um negócio e aceitem a Stefanini como sócia.

Segundo Ciasca, identificar oportunidades internas de inovação e investimento foi um trabalho importante ao longo de 2021, e a empresa estimula a criação de oportunidades internas de negócio. Há, inclusive, histórico de soluções criadas por colaboradores e que hoje estão no portfólio de serviços. “Chegamos a criar modelos de negócio como plataformas de consórcio que quem quem desenvolveu foi uma equipe interna de Brasília. Incentivamos e levamos para o mercado, criando uma incubadora informal dentro da própria Stefanini”, conta o CEO da operação brasileira.

“E temos ainda joint ventures com empresas já estabelecidas, como é o caso da Rafael, de cibersegurança. É bastante ampla e variada, e isso é um sinal de inovação”, complementa Marco Stefanini.

Brasil e mundo

Atualmente a Stefanini está em 41 países no mundo em cinco continentes. As duas operações mais relevantes são Brasil e EUA, que se assemelham em termos de faturamento, mas diferem em complexidade. O mercado nacional, diz Marco, registra faturamento em reais, tem penetração de mercado maior e ambiente regulatório complexo, sendo mais difícil de operar.

Ciasca lidera toda essa complexidade desde o meio de 2019. Até então havia passado sete anos liderando a operação latino-americana a partir do México, e era considerado o CEO regional mais experiente para promover uma transformação na operação brasileira. Entre suas várias missões estava a de liderar um processo de mudança na forma de gerir pessoas, equipes e lideranças.

“Obviamente o Brasil tem um peso bastante grande, vamos sempre dedicar atenção, mas a prioridade é mais ampla, mais aberta. No Brasil já temos um market share bom”, ressalta Marco, lembrando que o mercado norte-americano é muito maior e “nível de oportunidade de crescer é maior. O nível de desafio também, estamos fora de casa e a marca não é tão conhecida”, lembra.

Segundo ele, há uma estratégia maior de ser “uma empresa global, mas sem perder as origens brasileiras, claro”. Para ele, é preciso tomar cuidado com o erro em que incorrem muitas multinacionais, o de priorizar demais a matriz e não levar a sério outros mercados. “E aqui a gente procura dar pesos iguais.”

Ciasca reconhece o tamanho do desafio de liderar a operação brasileira. Fazer crescer uma operação em mercados menores e menos competitivos como os da América Latina é diferente de atuar no Brasil, em que “todas as empresas globais querem uma fatia”. Por outro lado, diz, “facilita o fato de ser conhecida e reconhecida nacionalmente. Quando se fala para um cliente da Stefanini não precisa explicar muito, e isso ajuda a abordagem comercial.”

Para lidar com o desafio de crescer no mercado original e estabelecido, Ciasca aposta em verticais com alto potencial de crescimento, como o varejo, em que foi feito um trabalho intenso de segmentação interna de equipes comerciais. Outro é o setor de logística, em que os processos integrados do mundo físico com o digital passaram a ser mais relevantes.

A indústria financeira também está no alvo, particularmente com ofertas de desenvolvimento ágil, focado em transformação de negócios e produtos. “A parte de cibersegurança também é cada vez mais relevante depois de todos os acontecimentos [incidentes e ataques] dos últimos meses”, ressalta, lembrando das soluções oferecidas em conjunto com a israelense Rafael.

Fazer essas ofertas, diz Ciasca, também passa pelo desafio de transformação da própria Stefanini, que precisa ir além de ser reconhecida como provedora de soluções de TI.

“A empresa criou um sistema de inovação muito forte, através de ventures e empresas que fomos adquirindo. Levamos muito conhecimento de negócios para áreas específicas de vários setores, tudo que é relacionado com o mundo digital para ajudar o cliente na transformação do negócio dele. Esse é o grande desafio”, ressalta, lembrando que a empresa tem 35 anos e quase 28 mil funcionários.

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Marcelo Gimenes Vieira
Tags: Marcelo CiascaMarco StefaniniStefanini
4 anos ago

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