Alguns CIOs aspiram se reportar ao CEO como uma forma de ganhar mais
visibilidade para a TI e atenção para as principais decisões a tomar. Em vez de
gastar os seus dias nos detalhes das operações de TI e de gestão de custos, ou
na implementação de sistemas de suporte a processos de negócio, um número
crescente de CIOs quer cada vez mais trabalhar na estratégia de negócios e
identificar maneiras de incorporá-la em produtos, serviços e nos novos modelos
de negócio.
Então temos boas notícias. Na 13ª edição da pesquisa anual State of the CIO,
25% dos 722 CIOs entrevistados relatam que o grupo de TI é percebido pelos
colegas como um verdadeiro par da área de negócios, capaz de criar e lançar novos
produtos e abrir novos mercados. Controlam a maioria – 65% – dos gastos com TI.
Têm uma excelente relação com o CEO, reportando-se a eles com assento no comitê
executivo. E como o CEO e os outros executivos C-level, esses CIOs desfrutam de
remuneração extra quando a empresa atinge metas de vendas e de lucro.
Tem mais: 44% dos CIOs se reportam ao CEO, índice acima dos 39% registrados
no ano passado. E a maioria deles vem conquistando um tempo significativo para
se concentrar na construção de relacionamentos com líderes empresariais, Alguns
dedicam até 25% uma semana típica a essa tarefa. Agora, muitos já se questionam
o que eles querem para si.
Os números revelam que a profissão de CIO está mudando rapidamente em um
ambiente onde colegas olham cada vez menos para um grupo de TI tradicional como
um obstáculo para o sucesso corporativo. Segundo os resultados da pesquisa, 48%
dos CIOs reconhecem que os seus grupos de TI ainda são vistos pelos colegas de
trabalho como um centro de custo ou provedor de serviços. As principais
atividades desses CIOs são melhorar as operações de TI, a implantação de novos
sistemas e o controle dos custos de TI. O gerenciando crises de TI também
aparece no topo da lista. Isso soa como uma descrição do trabalho CIO de 1995.
Para esses CIOs, deixar de tomar decisões do dia a dia de TI obriga a cultivar
equipes de gerentes capazes de manter as luzes acesas e a execução de projetos
dentro do escopo, prazo e orçamento.
Descompasso
O novo papel do CIO, no entanto, requer muita atenção. Há diferenças gritantes
em que os CEOs querem este ano, de cada tipo de CIO. CIOs vistos como gestores
de um centro de custo devem terminar um grande projeto da empresa, simplificar
a TI e cortar gastos com tecnologia. Já os CIOs estratégicos estão sendo convidados
a liderarem os esforços de inovação de produtos e de expansão global.
Essa polarização ameaça a vitalidade do papel do CIO. A divisão não é devido
apenas aos CIOs aparentemente menos capazes, mas também ao fato de, diante de
transformações radicais dos modelos de negócio, os líderes muitas vezes também
não saberem bem o que querem. O risco? Um CIO estratégico em uma organização
que vê a TI simplesmente como um centro de custo a ser gerenciado são tão
incompatíveis quanto um CIO tático tentando manter-se em um lugar que exige
novas ideias de TI.
A angústia dos CIOs é grande. Enquanto 86% dos CIOs ouvidos dizem que o seu
papel está se tornando mais importante para a empresa e 90% dizem ser um CIO é
cada vez mais desafiador, apenas 65% dizem que o papel do CIO está se tornando
mais gratificante. Mas o mais preocupante é que 28% dos entrevistados dizem que
se sentem sendo postos de lado.
Chaves para o sucesso
Quando você conversa com CIOs sobre como eles pensam e o que eles fazem, dois
temas principais emergem: remuneração variável e clientes.
Entre os CIOs pesquisados, 61% têm parte de sua remuneração vinculada a um
objetivo específico traduzido em receita ou lucro corporativo. Estes CIOs
também têm diferentes prioridades e expectativas em comparação com os 38% dos
CIOs cujos pagamentos não estão vinculados a um desempenho financeiro. Essas
prioridades e expectativas se enquadram na categoria de itens estratégicos,
voltados para o exterior, como a melhoria de produtos e serviços, e o
crescimento nos mercados emergentes. Em outras palavras, o tipo de
empreendimentos discutido em reuniões privadas do conselho de administração.
E embora o foco do cliente seja uma prioridade alta, quase a metade dos CIOs
pesquisados (47%) tem dificuldade em obter da sua equipe de TI foco nos
negócios e nos clientes. Este número sobe para 50% entre os participantes de
fora da América do Norte (42%). Os CIOs que não conseguem reorganizar o pessoal
técnico para atender a este novo mundo, acabam tendo um única saída:
substituí-los.
O lado ruim
O que você imagina para o seu futuro profissional influencia a forma como você
executa hoje. Para alguns CIOs, as coisas parecem ruins: 28% dizem que o papel
do CIO está sendo “marginalizado” e 52% dizem que o futuro do CIO
será focado em empreiteiros de gestão, nuvem e outros prestadores de serviços
de TI.
Embora sejam a minoria, esses 28% que se sentem marginalizados são dignos de
atenção. Seus comportamentos e atitudes podem indicar sérios, mas talvez
corrigíveis, problemas organizacionais. Por exemplo, esses CIOs que dizem que o
grupo de TI é percebida pelos colegas como um centro de custo são muito mais
propensos a se sentirem marginalizado. Eles provavelmente estão sob intensa
pressão para reduzir os custos de TI a partir da velha escola de CEOs e CFOs.
Isso não é divertido. Também não é bom para o futuro da empresa que estão vendo
seus negócios se tornarem mais digital. Alguns CIOs estão prontos. Outros não.
Muitos estão presos em algum lugar no meio, lutando com a política interna e
estilos de gestão antigos, bem como com forças econômicas e competitivas
externas que jamais haviam visto.
Em números mais elevados que os demais, os CIOs marginalizados dizem que
estão sendo convidados a serem mais inovadores, mas não têm certeza de como
fazer isso (52% versus 37%). A inovação pode não ser fácil, mas os CIOs têm um
papel importante a desempenhar.
CIOs que se sentem marginalizados também têm menos controle do orçamento de
TI do que a média dos 722 líderes de TI, e estão muito mais propensos a assistirem
a chamada Shadow IT aumentar. Além disso, passam mais tempo no controle de
custos, segurança e em negociação com os fornecedores, e menos tempo liderando
a mudança e promovendo a inovação empresarial.
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