Pesquisa da entidade Anjos dos Brasil apresentada hoje em São Paulo mostra que o interesse por fomentar o empreendedorismo cresceu no país. Segundo Cassio Spina, fundador da organização, o número de investidores anjo brasileiros aumentou em 18%, passando de 5.300 para 6.300 pessoas físicas que aplicaram recursos e conhecimento em empresas iniciantes, as chamadas startups. Segundo a pesquisa, cerca de 80% destes investidores são apenas receptivos, isto é, aplicam somente quando são procurados por empreendedores.
O estudo mostra que o volume de capital total investido também cresceu em 10%, subindo de R$ 450 milhões para R$ 495 milhões. O crescimento do volume de capital foi inferior ao aumento do número de investidores anjo em função da valor médio investido ter sido reduzido em aproximadamente 7%, passando de R$ 85 mil para R$ 79 mil. A redução no valor, segundo a entidade, pode ser explicada pela cautela dos investidores iniciantes em aplicar menos recursos pois ainda estariam aprendendo o processo.
Em termos comparativos, o Brasil precisa aumentar seu “apetite pelo risco”, diz Spina. O crescimento brasileiro ficou próximo do norte-americano, mas abaixo deste. Nos Estados Unidos, o crescimento do número de investidores anjo foi de 20%, de acordo com dados do Center for Venture Research da Universidade de New Hampshire, mas deu-se sobre uma base bem maior, de 265.000 investidores anjo, em um mercado maduro. Caberia ao Brasil ser mas agressivo, mas segundo o estudo da Anjos do Brasil há duas barreiras a serem ultrapassadas: falta de conhecimento sobre o modelo, que ainda está sendo descoberto; e a falta de proteção e estímulo para investidores, considerada por Spina como mais grave.
O investidor anjo está disposto a tomar o risco da perda do capital investido em função de maior retorno mas sente-se desprotegido legalmente. Como o país não tem regulamentação sobre a descaracterização da personalidade jurídica das empresas, ele teme o risco potencial adicional de ter de arcar com passivos adicionais da empresa investida mesmo não tendo qualquer envolvimento na administração. A legislação prevê que a responsabilidade deveria ser limitada ao seu capital social, mas o risco potencial existe.
Nos EUA e em outros países onde a prática do investimento anjo está mais desenvolvida, existem regulamentações que protegem os investidores, garantido aos mesmos que nenhuma dívida da empresa atinja seu patrimônio pessoal. O investimento anjo não recebe também nenhum estímulo, como por exemplo equiparação de incentivos tributários com outras aplicações.
Enquanto um investidor no mercado de ações pode compensar eventuais perdas de um investimento com o lucro de outros e ser tributado somente sobre o resultado total apurado, no caso do investimento anjo privado não há previsão de compensação, portanto mesmo que o resultado total de dois ou mais investimentos fosse nulo, o investidor poderia ser tributado sobre um dos ganhos.
Segundo a Anjos do Brasil, o investidor anjo exerce um papel fundamental, pois além de contribuir com o capital financeiro ele aplica a experiência, conhecimento e sua rede de relacionamento para aumentar as chances de sucesso e acelerar seu crescimento. Estudo da OCDE (Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico) feito em mais de 30 países identificou que “os investidores anjo tem um papel crítico no sucesso das empresas iniciantes”.
por Eduardo Barros A transformação da inteligência artificial (IA) nos negócios lembra o que aconteceu…
A Snowflake anunciou os resultados financeiros do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado…
A Comissão Europeia determinou que a Meta reestabeleça o acesso de assistentes de inteligência artificial…
As negociações com as ações da SpaceX têm início nesta quinta-feira, 12, em uma oferta…
A ascensão dos agentes de inteligência artificial (IA) está criando uma oportunidade para plataformas de…
Continuam abertas as inscrições para o prêmio Executivo de TI do Ano 2026. A iniciativa,…