Smartphones protagonizam gestão das obras da Andrade Gutierrez

Construtora modernizou processos e ainda eliminou a papelada.

Publicado:

Leitura 6 minutos

Smartphones protagonizam gestão das obras da Andrade Gutierrez

Não faz muito tempo, Andrade Gutierrez tinha de administrar diariamente uma montanha de papéis com informações sobre mão de obra e máquinas e equipamentos para construção, alocados nas obras. Com os mais de 3 mil smartphones e a plataforma ConstruMobil, desenvolvida pela Simova, a construtora entrou na era da mobilidade e implodiu os antigos processos.

A inovação beneficia 18 obras espalhadas por todo o Brasil, entre elas a modernização do Maracanã, no Rio de Janeiro, e o Arena Amazônia, em Manaus, estádio em construção para a Copa de 2014. O pico de uso dos dispositivos móveis nas obras registrado até hoje é de 6 mil e, diariamente, com exceção dos domingos, o sistema contabiliza cerca de 15 acessos por segundo.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Rodrigo Fernandes de Barros, engenheiro da área de Planejamento e Controle da Construtora Andrade Gutierrez, diz que hoje a agilidade e a integridade de dados garantem que as construções sejam atendidas rapidamente em suas necessidades, visto que os dados entram no sistema em tempo real. “Os funcionários passam as informações sobre o estado das máquinas e equipamentos pelo smartphone e nos possibilita agilizar as tomadas de decisão e ações”, ressalta Barros.

Segundo ele, antes, o funcionário (chamado de apontador) e seus encarregados preenchiam fichas durante todo o dia com dados sobre o status das máquinas.Entre eles, abastecimento, tempo de operação, tempo de ociosidade e manutenção, além de informações sobre a atividade de cada colaborador e procedimentos de segurança.

Ao final do turno, a papelada era recolhida. “Feito isso, os dados das fichas eram passados manualmente para um sistema, na madrugada, e cerca de um dia e meio depois é que os gestores avaliavam o andamento das obras e traçavam soluções”, diz. “Muitas vezes, o estado de conservação das fichas era ruim e até mesmo a grafia difícil de compreender. Por isso, o registro das informações corria risco de incorreção”, lembra Barros.

Esse cenário gerava receio na equipe de engenharia, pois a área usava os dados de produtividade levantados nas obras para orçar novos projetos. “Com o passar do tempo, o setor deixou de usá-las por falta de confiabilidade.²  “O novo sistema trará a confiança de volta”, afirma Cristóvão Jacques de Faria, gerente de Planejamento e Controle da Construtora Andrade Gutierrez.

Era móvel
Em pouco tempo, a mudança, segundo Barros, trouxe agilidade aos processos. Agora, os funcionários inserem as informações em um software com filtros pré-configurados no smartphone. Os dados são enviados, em tempo real, a partir da rede de telefonia móvel da Oi aos servidores da construtora. Eles são visualizados na web pelos gestores, que usam login e senha para acessar o sistema.

“O rápido acesso à informação evitou perdas na produção e qualquer problema identificado, como máquinas quebradas e falta de produtos, é rapidamente contornado”, relata Barros. “Prova do nosso ganho em produtividade e agilidade na tomada de decisão é o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Lá, registramos aumento de 94% na eficiência.”

Primeiros passos
O projeto foi iniciado em 2009 no Comperj, que está sendo construído em uma área de 45 milhões de metros quadrados, o equivalente a mais de 6 mil campos de futebol. Nesse empreendimento, a empresa conta com cerca de 800 máquinas em atividade. “Quando começamos a obra, não usávamos o apontamento eletrônico (como chamamos o processo) e registrávamos uma série de desafios”, lembra. Ele cita que se uma máquina falhasse e estivesse ociosa, o problema somente seria identificado no dia seguinte, gerando perda de produtividade.

Para levar a mobilidade às obras, a empresa recorreu à Simova, especializada em mobilidade convergente, que adaptou uma plataforma, já usada no setor sucroalcooleiro. A solução, baseada em Java e batizada de ConstruMobil, é acessada por meio de dispositivos móveis pelos colaboradores nas obras.

A escolha por smartphones, afirma Barros, não foi ao acaso. ³Seu uso é amplamente conhecido e o custo é mais acessível em comparação aos palms ou tablets”, avalia. Para o executivo, a inovação tem garantido uma gestão eficiente dos equipamentos e da mão de obra nos canteiros do País.

A gerente de TI da construtora Andrade Gutierrez, Cibele Fonseca, conta que para receber o sistema foi preciso preparar a infreaestrutura tecnológica da empresa, sediada em São Paulo, em razão do grande volume de informações. Há quase um ano, os dados armazenados passavam de 5 milhões. Isso porque todos os apontamentos ficam registrados no banco da empresa. “Para ampliar a nossa capacidade, adquirimos mais cinco servidores”, diz a executiva.

Rotinas aprimoradas
Além da agilidade, mais benefícios foram identificados na era da mobilidade. O investimento em funcionários que atuavam do setor de controle (que buscavam as fichas e as registravam no sistema) foi reduzido drasticamente, já que agora eles podem se dedicar a funções mais estratégicas. Levantamento realizado pela Andrade Gutierrez identificou que só em abril de 2010 foram economizados R$ 47 mil.

O monitoramento manual exigia grande quantidade de papel que, posteriormente, demandava a utilização de muitas salas de arquivamento, segundo Barros. Somente no início da obra do Comperj, eram usadas 2,4 mil folhas por dia. Com os smatphones, eliminou-se por completo o uso de papel.

“Se o panorama anterior se tivesse mantido, teríamos contribuído para a derrubada de milhares de árvores e os custos seriam altíssimos. Sustentabilidade ambiental é muito importante para nós”, avalia Cibele.

Uma das vantagens do ConstruMobil é que não há, de acordo com Tiago Pinheiro, diretor operacional da Simova, a possibilidade de registros incorretos. “Isso porque inserimos na solução filtros que bloqueiam erros e aumentam sobremaneira a confiabilidade dos dados.” Fábio Calegari, diretor comercial da Simova, completa dizendo que a plataforma ainda valida os dados e o cruzamento de informações.

“Se, por exemplo, um funcionário registra que uma máquina ao final do dia rodou uma quantidade menor do que a apontada no início, o ConstruMobil não permite a inserção”, explica.

A construtora pretende expandir a utilização dos aparelhos em novas obras e usar o smartphone para realizar treinamento móvel e ainda para registrar o avanço físico das obras. “Cada passo será inserido no sistema e o progresso visualizado em 3D pelos gestores”, finaliza Pinheiro, da Simova.

Notícias relacionadas

Ver mais Seta para direita