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Segurança e custos são desafios na estratégia de BYOD

Há alguns meses, um homem húngaro teve acesso a um dispositivo móvel de negócios que continha diversas informações de clientes de um executivo. Ele ligou para a empresa do profissional que havia perdido o aparelho pedindo 50 mil dólares para não tornar os dados públicos. O que a companhia fez? Chamou a Websense, organização de segurança, para ajuda-la a resolver a questão.

“Ficamos tão impressionados que oferecemos a ele um emprego bem-remunerado”, lembra o CSO da Websense, Jason Clark. Mas a oferta, no entanto, era armadilha. “Nós ajudamos a rastrear o indivíduo e ele foi preso.”

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Clark usou o exemplo para falar sobre os riscos de segurança e os custos associados com a última onda que está invadindo os negócios: o BYOD (do inglês bring your own device), na qual os funcionários levam seus aparelhos pessoais para o ambiente corporativo.

Empresas com políticas de BYOD têm algumas vantagens. Para começar, dizem especialistas, BYOD faz com que os funcionários se sintam felizes porque eles podem usar a tecnologia escolhida na empresa, misturando vida pessoal e trabalho em um único dispositivo, e funcionários felizes tornam-se mais produtivos.

BYOD também tira dos ombros da empresa a responsabilidade de comprar o hardware, ou pelo menos diminui a taxa de aquisição, uma vez que funcionários já compraram dispositivos móveis.

A desvantagem, no entanto, envolve o risco de receber a ligação de um homem húngaro pedindo resgate para não tornar públicas informações sigilosas. Há também outros pontos, como os custos ocultos e o suporte aos dispositivos dos funcionários.

Segurança da consumerização
Sem dúvida, o BYOD está se espalhando rapidamente pela empresa. A Mozy, provedora de serviço de backup online, e a Compass Partners realizaram recentemente um estudo que descobriu um número crescente de profissionais que trabalham remotamente e que contam com dispositivos pessoais para fins corporativos. 

A expansão do modelo é evidente. A Cisco Systems, por exemplo, identificou que seu programa interno de consumerização cresceu 52% em 12 meses. São 8,144 funcionários que usam iPads e 20,581 utilizam iPhone.

Diferentemente da Cisco, muitas empresas estão passos atrás na estratégia de consumerização. A companhia farmacêutica AmerisourceBergen está tentando mudar esse quadro e lançou recentemente seu programa de BYOD para mais de mil empregados nas unidades corporativa e de medicamentos.

“Consumerização é uma combinação de tecnologia e o estabelecimento de políticas”, assinala John DeMartino, vice-presidente de infraestrutura de TI e tecnologia da AmerisourceBergen.

Para os CIOs, BYOD pode ser um pesadelo. A Avanade, empresa de serviços de tecnologia, entrevistou mais de 600 profissionais responsáveis pela TI de diferentes companhias e descobriu algo alarmante: mais da metade das empresas indicou que registrou incidentes de segurança como resultado da consumerização.

A verdade é que BYOD passa o controle da segurança para os empregados e garantir a proteção adequada torna-se um desafio. A pesquisa realizada pela Mozy identificou ainda que 78% dos entrevistados não estavam preocupados com a segurança dos dados que seus funcionários carregam nos dispositivos.

A boa notícia é que fabricantes e fornecedores de TI estão trabalhando para tornar os dispositivos mais seguros. A IronKey, provedora de software de gestão empresarial, por exemplo, lançou o IronKey Trusted Access, um serviço baseado em nuvem que permite que usuários acessem aplicações e dados corporativos por meio da internet em dispositivos móveis.

De acordo com a fabricante, há um banco na Virgínia, o Virginia Commerce Bank, que está usando a tecnologia para fazer o acesso remoto de usuários de BYOD de forma segura. Cerca de 60 empregados do banco acessam a rede corporativa de forma remota.

Ao permitir a consumerização, o banco está parcialmente livre da aquisição de hardware. “No lugar de darmos aos profissionais laptops para que eles trabalhem remotamente, eles utilizam o Trusted Acess em seus dispositivos para utilizar aplicações da instituição financeira que rodam em nuvem pública ou privada”, diz Sharon Moynihan, vice-presidente sênior de TI e gestão de projetos do Virginia Commerce Bank. 

Moynihan aponta que escolheu a tecnologia baseada em nuvem em função da redução de custos e ainda e, razão da facilidade de gestão do ambiente.

Entretanto, ainda que o modelo possibilite redução de custos, alguns cuidados devem ser tomados ao implementar a consumerização. Um dos maiores custos do BYOD está relacionado aos serviços de assistência. Se os funcionários resolverem realizar reparos no dispositivo sem solicitar ajuda à empresa, o CIO terá, de alguma forma, possibilitar apoio. 

O AmerisourceBergen não permite que todos os profissionais da empresa entrem no programa de BYOD, porque há um custo associado a cada dispositivo. “Mesmo que não seja tão alto, é um gasto”, afirma DeMartinho. “Se a companhia está buscando um retorno do investimento em relação ao hardware, não conseguirá ver esse benefício. Consumerização tem um benefício mais intangível, que é fazer com que os usuários conduzam seu próprio destino e escolham a tecnologia adequada para seu dia a dia”, finaliza.

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Redação
14 anos ago

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