Scrum é útil para qualquer tipo de organização

Um dos principais mitos que rodeia o Scrum é o facto de se pensar que o mesmo só se aplica a grandes organizações que desenvolvem software. Errado!

Publicado:

Leitura 4 minutos

agile625gestao.jpg
agile625gestao.jpg

Scrum é uma framework para desenvolver e manter produtos complexos, usualmente associado a processos de desenvolvimento de software. Mas o Scrum também é muito mais do que isso. É uma ferramenta de organização do trabalho aplicável a qualquer tipo de organização, em qualquer ramo de atividade e gerindo produtos ou serviços mais ou menos complexos.

No entanto, seja qual for o tipo de organizações que pretenda implementar Scrum na sua gestão diária, existe um conjunto de regras que não devem ser alteradas. De forma muito simples as explicamos aqui. 

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

O sistema é constituído por Papéis, Fluxos, Artefatos e Eventos.

Papéis? Existem somente três no Scrum: o de Product Owner, pessoa responsável por garantir os requisitos base do produto, alterações/melhorias, e a entrega final ao cliente; o Scrum Master, que é o principal responsável pela implementação e gestão do Scrum, um facilitador, responsável pelo funcionamento correto do framework; e por último uma Dev Time ou equipe de produção ou desenvolvimento.

Por outro lado, temos os Fluxos, e estes não são mais do que Sprints. No Scrum o grande objetivo é em cada Sprint entregar uma parte funcional do produto para o cliente final, que tenha grande valor adicionado para o cliente.

Normalmente um sprint varia entre uma semana a um mês. Em um sprint de um mês o cliente pode ter quatro incrementos no produto que está adquirindo. Na realidade, o cliente está a assistir à construção do produto/serviço.

E os Artefatos? O nome pode assustar, mas trata-se somente do trabalho ou do valor para o fornecimento de transparência e oportunidades para inspecção e adaptação, antes, no meio e final de um sprint. Os principais artefatos são o Product Backlog, Sprint Backlog e Product Increment.

Por último e não menos importante temos os Eventos, que são acontecimentos que ocorrem durante e no final do sprint. Estamos a falar essencialmente de reuniões com tempos e objectivos muito bem definidos.

Daqui destacamos o Sprint Planning Meeting, ou seja, a reunião de kick-off de cada sprint, o Daily Scrum, uma fantástica reunião diária de 15 minutos, em pé, onde é discutido o que se fez no dia anterior, o que se vai fazer nesse dia, e principais obstáculos encontrados, e ainda o Sprint Review e o Sprint Retrospective.

scrum

Mas afinal em que é que o Scrum pode ser útil à sua organização? 

O Scrum é constituído por três valores: transparência, inspecção e adaptação, que de modo frio podem não dizer nada, mas que em organizações que aplicam o Scrum corretamente, significam redução dos prazos de realização de projetos/produtos/serviços e redução dos custos, pois evitam-se as derrapagens, uma vez que o cliente acompanha o processo de desenvolvimento do projecto/produto/serviço e, acima de tudo cria um sentimento de união entre toda a equipa Scrum e também desta com os principais stakeholders.

Um dos principais mitos que rodeia o Scrum é o facto de se pensar que o mesmo só se aplica a grandes organizações que desenvolvem software. Errado! Uma pequena startup com cinco a seis colaboradores pode perfeitamente utilizar Scrum.

Vou dar um pequeno exemplo de uma empresa de consultoria financeira onde implementei Scrum. O quadro de pessoal era muito reduzido, com um director, um gestor de clientes, três consultores e uma pessoa de apoio administrativo.

O primeiro passo foi atribuir papéis: o diretor acumulou também a responsabilidade de Scrum Master, o gestor de clientes mudou o nome para Product Owner, mudando também um pouco a forma como se relacionava com os clientes, e a Dev Team passou a funcionar como uma equipa produtiva, deixando cada consultor de trabalhar um projeto do início ao fim, e passando todos a desenvolver uma parte do projeto como equipa multi-
disciplinar que eram.

Os resultados foram fantásticos, a empresa aumentou seu faturamento em cerca de 25%, no primeiro período fiscal, e os timings de entrega dos projetos  passou para 99% nas datas acordadas! 

 

(*) Ilídio Faria é consultor da Winning Scientific Management. Este texto foi publicado originalmente na Computerworld de Portugal

Notícias relacionadas

Ver mais Seta para direita