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Quanto tempo o varejista leva para perceber que sofreu fraude online?

Um cliente recebe um SMS no celular com uma compra aprovada em seu cartão de crédito. Ele não reconhece essa transação, entra em contato com o banco e em alguns minutos aquele cartão clonado é bloqueado, sem prejuízo para o consumidor. Fim de história? Infelizmente não. 

Na verdade, o banco emissor efetuou o bloqueio daquele cartão, que não poderá mais ser utilizado para nenhuma outra compra a partir daquele momento. Mas o que acontece com as transações feitas antes disso? Aquelas que o consumidor marcou como fraudulentas não serão canceladas junto ao estabelecimento comercial.

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O lojista que realizou a venda, na verdade, só saberá que foi vítima de fraude muito tempo depois de o cliente realizar a contestação. Na maioria dos casos, essa informação só chega com a notificação de chargeback (estorno que aquele valor será estornado), após semanas ou até meses. Ou seja: o lojista não consegue barrar o pedido a tempo de evitar a entrega do produto ao criminoso que fez a compra  com um cartão de crédito clonado.

Um estudo mais aprofundado nos permitiu encontrar uma resposta que é perseguida por diversos lojistas que vendem online: atualmente, quanto tempo leva para chegar um chargeback a um e-commerce? Ou, melhor ainda: em quanto tempo o lojista percebe que sofreu uma fraude on-line? Os números surpreendem:

Em até 5 dias após a venda: 0,05% dos chargebacks são recebidos

Em até 10 dias: 6,26% dos chargebacks são recebidos

Em até 30 dias: 46,36% dos chargebacks são recebidos

Em até 90 dias: 91,82% dos chargebacks são recebidos

Em até 180 dias: 99,57% dos chargebacks são recebidos

Ou seja, podemos concluir que em menos de 0,1% dos casos de fraudes são noticiados a um lojista em até 5 dias corridos da compra. Na atual realidade do comércio eletrônico, esse período é muito extenso, quase uma eternidade!

De acordo com nosso estudo, 50% dos chargebacks costumam chegar a um lojista em pouco mais de um mês após a compra – 33 dias, mais precisamente. É um tempo razoável, considerando que nem todos os portadores de cartão recebem notificações por push ou SMS no momento em que as compras são feitas no crédito e só se dão conta de fraudes quando olham a fatura mensal. Entretanto, há casos de chargebacks que levaram até 8 meses para chegar.

O mercado considera que o tempo ideal para o recebimento dos chargebacks seja de 90 dias. No entanto, para que um estabelecimento de e-commerce tenha uma noção de quantas contestações serão recebidas em um determinado período, é essencial usar uma métrica bastante simples que chamamos de “regra dos 30 dias”:  basta multiplicar por 2 o total de chargebacks recebidos até 30 dias após a venda.

Para um e-commerce que está implantando uma solução antifraude ou testando um novo fornecedor, esta dica é crucial para saber se as análises de risco estão sendo efetivas e se as compras ilegais, de fato, estão sendo barradas.

Desafio entre os meios de pagamento

O sistema de meios de pagamento on-line possui uma dinâmica incrível, que permite a autorização de uma transação em menos de 5 segundos ─ poucas pessoas sabem a extensa jornada da informação enquanto a tela de checkout está carregando. Mas este “universo” surgiu antes do aparecimento da fraude de cartões clonados e ainda não se adaptou a esta realidade. Ou seja: esta comunicação não é tão veloz no que diz respeito a chargebacks.

Isso confere uma grande abertura para os criminosos: um estelionatário, quando detecta uma oportunidade para efetuar compras fraudulentas em determinado site de e-commerce ou aplicativo mobile, tem bastante tempo para realizar um ataque até que o lojista receba as notificações de estorno e se dê conta dos golpes.

Ao descobrirmos quanto tempo leva para chegar um chargeback, encontramos a resposta para uma das principais perguntas de quem lida com o risco de fraude em vendas online. Mas ainda é preciso encontrar uma solução para este problema.  E este é um desafio de todos os envolvidos neste universo de meios de pagamento.

* Tom Canabarro é cofundador da Konduto.

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Published by
Erivelto Tadeu
Tags: fraudessegurançasegurança de dados
10 years ago

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