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Qual impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho? História mostra caminhos possíveis

A inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) tem tido progressos extraordinários nos últimos anos. É irônico, contudo, que, depois de anos de frustração com promessas perdidas da AI, muitos temem que seu grande poder ainda está por vir.

Alguns temem que, em algum momento no futuro, uma AI superinteligente pode representar uma ameaça existencial para a humanidade. Muitos especialistas, no entanto, acreditam que a verdadeira ameaça da inteligência artificial pode levar a uma mudança generalizada da economia.

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Qual será o impacto da inteligência artificial nos empregos no longo prazo? Máquinas inteligentes podem gerar desemprego em massa? Como será a vida depois da massificação da AI? “Depois de 200 anos, a questão máquinas está de volta e ela precisa ser respondida”, observa o jornal The Economist, em relatório especial sobre AI em edição recente. O que podemos aprender com a história que ajudará a responder melhor sobre os avanços tecnológicos da AI?

As pessoas têm se preocupado com o impacto da tecnologia na sociedade, em ferrovias, eletricidade e carros na Era Industrial. O The Economist lembra que essas preocupações têm permeado a humanidade desde o advento da industrialização dois séculos atrás. O economista inglês David Ricardo levantou a questão de máquinas em 1821, dizendo que “o emprego de máquinas é frequentemente prejudicial para seus interesses”.

A ansiedade por automação segue no século 20, com a aceleração da tecnologia. Em um ensaio de 1930, o economista inglês John Maynard Keynes escreveu sobre o aparecimento de “uma nova doença”, que ele chamou de desemprego tecnológico, isso é, “o desemprego devido a nossa descoberta de meios de economizar na utilização de mão de obra ultrapassando o ritmo que podemos encontrar novos usos para o trabalho”.

Os anos seguintes mostraram que avanços tecnológicos acabaram criando mais empregos do que os destruía, fazendo com que a maioria dos economistas apontasse confiança em relação às máquinas.

Os medos de automação foram compreensivelmente acelerados nos últimos anos, como as máquinas cada vez mais inteligentes e sendo aplicadas a atividades que exigem inteligência e capacidades cognitivas.

Dada a automação contínua do trabalho humano ao longo dos últimos dois séculos, por que ainda há tantos postos de trabalho? A resposta é simples: tarefas que não podem ser substituídas pela automação são geralmente complementadas por ela. Automação, de fato, substitui o trabalho. No entanto, ela também o complementa.

A maioria dos trabalhos envolve uma série de tarefas ou processos. Algumas delas são mais rotineiras, enquanto outras exigem julgamento, habilidades sociais e outras capacidades humanas. Quanto mais rotineira e baseada em regras as atividades, mais favorável é a automação. Mas só porque algumas das tarefas foram automatizadas, isso não implica que todo o trabalho desapareceu. Ao contrário, automatizar partes mais rotineiras de um trabalho, gera aumento da produtividade e da qualidade dos trabalhadores, complementando as habilidades com máquinas e computadores.

Na América durante o século 19, a quantidade de pano grosso que um único tecelão poderia produzir em uma hora aumentou 50%, e a quantidade de trabalho caiu 98%. Isso fez do pano mais barato, gerando mais procura por ele. Por sua vez,  mais postos de trabalho foram criados, quadriplicando o número entre 1830 e 1900.

Claramente, ninguém pode realmente dizer se a tecnologia vai criar mais empregos do que destruir, ou se desta vez vai ser diferente e AI vai acabar substituindo muitos postos de trabalho, incluindo os de alta habilidade, criando alguns novos. Mas, independentemente disso, não se pode ignorar a questão das máquinas. Mesmo que AI não conduza a um cenário de desemprego em massa, os avanços tecnológicos estão prejudicando alguns mercados de trabalho.

Como lidar? Empresas e governos precisam ajudar trabalhadores na aquisição de novas competências, ajudando-os a mudar de emprego, conforme necessário. Isso inclui tornar a educação e formação flexíveis o suficiente para ensinar novas habilidades rapidamente de forma eficiente, aplicar mais ênfase na aprendizagem ao longo da vida, usar mais a aprendizagem on-line e simulação de jogos.

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Redação
Tags: automaçãointeligência artificial
10 years ago

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