Imagem: Shutterstock
A Europa precisa decidir de que lado está na corrida por tecnologias de conectividade via satélite: com os Estados Unidos ou com a China. Essa foi a mensagem direta do presidente da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC), Brendan Carr, em entrevista ao Financial Times publicada nesta segunda-feira (15), conforme destacado pelo The Verge.
Carr afirmou que vê com preocupação o que considera um “viés” por parte de reguladores europeus contra empresas de tecnologia dos EUA, ao mesmo tempo em que a China avança rapidamente com seus próprios sistemas de internet via satélite. “Se você se preocupa com o Starlink, espere até ver a versão do Partido Comunista Chinês. Aí sim vai ficar preocupado”, disse ele ao jornal britânico.
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A declaração acontece em meio a um clima de tensão crescente entre governos europeus e companhias americanas, especialmente desde o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA. Vários países da União Europeia vêm investigando ou aplicando regulações mais rigorosas contra empresas como Meta, Google, Apple e X (ex-Twitter), o que Carr classificou como “protecionismo” e uma postura “antiamericana”.
No centro do debate está o Starlink, serviço de internet por satélite da SpaceX, de Elon Musk, que atualmente é a maior constelação do mundo, com mais de 7.100 satélites em órbita. Recentemente, a plataforma enfrentou resistência em negociações com governos europeus após Musk sugerir que poderia cortar o acesso da Ucrânia ao serviço, o que levou alguns países a buscarem alternativas locais ou até chinesas.
No entanto, as opções europeias ainda estão muito atrás. A francesa Eutelsat, por exemplo, opera com cerca de um décimo da frota da Starlink e cobra até dez vezes mais por seus terminais. Já a chinesa Spacesail, embora tenha hoje apenas cerca de 90 satélites, planeja lançar 15 mil até 2030, o que a colocaria como potencial rival direta da SpaceX em menos de uma década.
Carr alertou que a disputa por tecnologia de satélites e inteligência artificial está delineando um novo “grande divisor” entre países alinhados ao Ocidente e à China, e que a Europa está “presa no meio” entre Washington e Pequim. “É hora de escolher”, afirmou o presidente da FCC.
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