All Rights ReservedView Non-AMP Version
IT Forum
  • Homepage
  • Computerworld Brasil
Notícias

Por que vivemos o começo do fim do cartão de crédito

Desde que foram cunhadas as primeiras moedas, atravessamos mais de 20 séculos desenvolvendo meios de pagamento: papel moeda, bancos, cheque, transações eletrônicas, até chegarmos ao modelo favorito dos brasileiros hoje, os cartões de crédito.

Ter um plástico numerado engordando a carteira é privilégio de apenas ¼ da população brasileira. Não é barato para o cliente (a anuidade média é próxima a R$ 120, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), nem para o lojista, que paga em média 2,5% de seu faturamento para as operadoras de cartão de crédito. A demora no recebimento e a fraude nas transações on-line também ficam por conta dele, tornando a operação ainda mais desfavorável. Segundo o Instituto de Pesquisa Nielsen, o lucro líquido médio do comércio é de 2,1%, ou seja, após todos os custos do negócio o que sobra para os donos é menos do que o que fica com as empresas de cartão.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Com apenas duas adquirentes (as donas das maquininhas), Cielo e Redecard, o mercado não apresentou muitas novidades até 2009, ano em que caiu a exclusividade de operação delas com Visa e Mastercard, respectivamente. Surgiram então dezenas de concorrentes, obrigando-as a ofertarem um serviço melhor para os lojistas, com custos reduzidos. São os casos do Pagseguro que esse ano abriu capital e está avaliado próximo a 30 bilhões de reais, e da Stone, que especula-se seguirá o mesmo caminho.

Os comerciantes não são os únicos beneficiados com as mudanças recentes. Novos bancos digitais estão surgindo para brigar pelo consumidor, contexto em que se destaca o Nubank. Em menos de 5 anos, a startup assumiu a quinta posição no valor de transações de seus cartões no Peixe Urbano, e pode assumir a vice-liderança do setor nos próximos 12 meses. O Nubank não cobra anuidade e utiliza aplicativos de celular e e-mail como principais formas de interação com o cliente, dando um passo no sentido da democratização dos pagamentos.

Olhando para China, Índia, Holanda e Estados Unidos, vemos emergir tecnologias ainda mais disruptivas que os novos emissores nacionais, que conseguem fazer o custo da transação se aproximar de zero. São as chamadas eWallets (carteiras digitais), que levam as transações para o celular, dispensam a maquininha e viabilizam negócios que antes teriam margem pequena demais para existir. É nessa tecnologia que apostam metade das 20 maiores empresas de internet do mundo, gigantes como Alibaba, WeChat, Google, Apple, Samsung e Amazon.

A eWallet é uma solução muito bem recebida pelas novas gerações de consumidores, que preferem fazer tudo no ambiente digital. Segundo o iResearch, na China, esse meio de pagamento teria movimentado em 2017 8 trilhões de dólares (mais de 4 vezes o PIB do Brasil) mostrando um crescimento de 45% em relação a 2016. No Brasil, também vimos essa preferência com a rápida adesão ao botão “Pagar com Google”, lançado recentemente no Peixe Urbano. Apenas no primeiro dia de operação, a opção já respondia por mais de 4% das vendas no aplicativo da plataforma.

Naturalmente, novas tecnologias trazem novos contratempos, como a dependência de internet e bateria no celular para fazer uma transação com a eWallet – situação que já ocorre com aplicativos de táxi, que nem por isso deixam de ser utilizados. No caso da carteira digital, os estabelecimentos podem oferecer internet ou o dispositivo para pagamento, caso o cliente não possa usar o celular.

Outra questão é a desconfiança em relação ao dinheiro transitando em uma “nuvem” e a possibilidade de golpes nesse ambiente. O que poucas pessoas sabem é que mais de 20% das transações online com cartão de crédito são negadas, sendo a maioria por tentativas de fraude. Com a carteira digital, o usuário tem a mesma garantia do meio tradicional, com senha, além de uma série de camadas de proteção adicionais: localização do usuário, reconhecimento facial, sensor de impressão digital e monitoramento das compras.

Se já usamos o celular para nos locomover, nos informar e nos divertir, por que não pagar com ele nosso almoço ou cinema? Precisamos mesmo aguardar a conexão da maquininha quando temos 3G/4G e Wi-Fi na palma das mãos para fazer a mesma transação a custos menores, de forma tão simples quanto enviar uma mensagem pelo WhatsApp?

Aliás, quem ainda usa SMS? Comprar CD, revelar fotos e alugar filmes em locadora são atividades que caíram no esquecimento. Talvez seja esse o destino dos plásticos numerados que engordam nossas carteiras.

*Vinicius Vieira é gerente de Prevenção à Fraude, BI e Estratégia do Peixe Urbano

Next Empresa russa de sistemas de segurança da informação desembarca no Brasil »
Previous « Seal Telecom anuncia parceria com Condeco para atender América Latina
Leave a Comment
Share
Published by
Redação
Tags: inovaçãoopinião
8 anos ago

    Related Post

  • UE ordena que Meta reabra WhatsApp a chatbots rivais
  • IPO da SpaceX chega ao mercado como aposta de US$ 1,75 trilhão em IA, não em foguetes
  • IA muda jornada de compra e devolve relevância aos sites de avaliação B2B, diz Forrester

Recent Posts

  • Artigos

Com a IA, setor de saúde vive revolução que o marketing digital proporcionou há dez anos

por Eduardo Barros A transformação da inteligência artificial (IA) nos negócios lembra o que aconteceu…

2 dias ago
  • Inovação

Snowflake registra crescimento de 33% na receita e eleva projeções para o ano fiscal de 2027

A Snowflake anunciou os resultados financeiros do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado…

2 dias ago
  • Notícias

UE ordena que Meta reabra WhatsApp a chatbots rivais

A Comissão Europeia determinou que a Meta reestabeleça o acesso de assistentes de inteligência artificial…

2 dias ago
  • Notícias

IPO da SpaceX chega ao mercado como aposta de US$ 1,75 trilhão em IA, não em foguetes

As negociações com as ações da SpaceX têm início nesta quinta-feira, 12, em uma oferta…

2 dias ago
  • Notícias

IA muda jornada de compra e devolve relevância aos sites de avaliação B2B, diz Forrester

A ascensão dos agentes de inteligência artificial (IA) está criando uma oportunidade para plataformas de…

2 dias ago
  • Notícias

Prêmio Executivo de TI do Ano 2026: conheça os critérios de avaliação

Continuam abertas as inscrições para o prêmio Executivo de TI do Ano 2026. A iniciativa,…

2 dias ago
All Rights ReservedView Non-AMP Version
  • L