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Dos inúmeros desafios enfrentados pelo setor de TI, a escassez de talentos é, sem dúvida, um dos mais latentes. Só no Brasil, segundo estimativas da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brascomm), o déficit de profissionais de TI deve chegar a 797 mil até 2025.
Ao desafio da necessidade de mais profissionais do que estão disponíveis no mercado, se somam outras dificuldades. Ao longo dos últimos anos, uma série de transformações e novos fenômenos do mercado de trabalho – como o quiet quitting – também passaram a desafiar empresas, exigindo novas estratégias de modelo de jornada, de benefícios e de relacionamento com seus colaboradores.
Esses fenômenos são observados em um recente levantamento realizado pela área de estudos da IT Mídia, focado no diagnóstico comportamental de profissionais de TI. No total, 445 profissionais de TI de diferentes faixas etárias e níveis de atuação – de estagiários a diretores de TI – foram entrevistados, revelando suas expectativas e ambições atuais em suas relações de trabalho. Principalmente entre os jovens, a volatilidade destes profissionais foi um dos pontos de destaque do estudo.
“Mais da metade dos profissionais que têm entre 25 e 30 anos têm a intenção da troca de emprego”, pontuou Pedro Hagge, gerente de estudos da IT Mídia, durante uma mesa virtual de debate sobre o tema da escassez de talentos. A mesa foi transformada em episódio especial do podcast IT Forum Líderes que pode ser ouvido de forma integral abaixo.
“A retenção é o principal”, avaliou Luis Pinho, vice-presidente e líder de Américas da Bosch. “Nós estamos conseguindo achar pessoas. Mas não reter esses profissionais é um problema muito sério, porque é caríssimo ir buscar esses profissionais novamente no mercado”.
Na avaliação do executivo, o desenvolvimento de uma cultura e de estratégias de integração de colaboradores ao ecossistema da empresa são essenciais para mitigar esse problema. “Se você não tiver uma cultura de retenção, eles vão emboral”, anotou.
Rodrigo Gonçalves, diretor de tecnologia e inovação da UISA, ecoa o ponto. “A escassez está muito ligada à essa geração que não tem vínculo com o branding da corporação, não tem vínculo com a cidade, não tem vínculo com o país. Ela tem vínculo com o bem-estar”, disse. “A gente tem trabalhado muito a conversa e entendendo essa geração, onde ela quer chegar para traçar uma trilha de carreira.”
Também participante do debate, Luana Castro, gerente de captação de talentos da Page Group, ressaltou outro pilar essencial para a manutenção de talentos além da cultura: a questão da diversidade de gerações. “A verdade é que a gente tem diferentes gerações trabalhando juntos e o grande desafio das empresas é como motivar e reter essas gerações diferentes – que têm processos, projetos e até um estilo de vida diferente”, opinou. “O primeiro ponto é identificar as gerações e identificar as motivações dessas pessoas”. Ouça o episódio completo.