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Pix se aproxima de R$ 1 trilhão transacionado

Roberto Campos Neto, durante evento da DrumWave. Foto: Marcelo Gimenes Vieira, IT Mídia

E o Pix segue crescendo no Brasil, seja em termos de adoção – o número de chaves registradas alcançou 478,4 milhões em agosto último – ou de volume. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, revelou que só em agosto desse ano o valor transacionado usando o método de pagamento instantâneo foi de R$ 986 bilhões, se aproximando da impressionante marcar de R$ 1 trilhão.

Enquanto isso o valor médio de cada transação caiu para R$ 449, o que segundo o economista revela uma democratização do sistema. Ou seja, transações de valores menores tem puxado a média para baixo na série histórica, iniciada em novembro de 2020, quando o Pix foi lançado pelo BC.

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“O Pix gerou uma redução de papel moeda relevante, de R$ 8 bilhões retirados [de circulação] recentemente”, disse Campos Neto, que ressaltou o baixo valor investido pelo BC em seu desenvolvimento, “cerca de US$ 5 milhões”. “Precisava ser barato, eu tinha um orçamento dez vezes menor que no último banco em que eu trabalhei”, lembrou, referindo-se ao Santander.

Leia também: Pix e Open Finance são ‘alavancas’ da transformação financeira do país

Segundo o presidente do BC, que fez palestra nessa sexta (30) durante evento realizado pela startup DrumWave em São Paulo, o Pix faz parte de um plano evolutivo de digitalização da moeda e do sistema econômico brasileiro, do qual fazem parte o Open Finance, a regulação dos criptoativos no País e, não menos importante, uma futura moeda digital brasileira (Central Bank Digital Currency, ou CBDC).

A agenda evolutiva do Pix prevê, ainda esse ano, modalidades de débito automático, um Pix Cobrança (que deve substituir de vez os boletos) e formas de pagamento internacional e offline, ou seja, por meio de carteiras momentaneamente desconectadas da internet. “A essa altura eu esperava que os bancos já tivessem desenvolvido essa solução, mas não o fizeram. De todo modo está em andamento”, disse à plateia, formada principalmente por representantes do mercado financeiro.

O executivo também ressaltou produtos ligados ao Pix e já lançados, como iniciadores de pagamento – APIs que devem facilitar o uso do sistema na “boca do caixa”. O calendário para 2023 ainda está em definição, disse.

Real Digital

No caso do Brasil, um Real Digital, já em desenvolvimento pelo BC e que deve começar a ser testado por meio de pilotos no segundo semestre de 2023. Já são parceiros selecionados, entre outras empresas, a Febraban, bancos como Itaú Unibanco e Santander, desenvolvedores de tecnologia como Microsoft, Tecban e CPqD, além de consultorias, entre outras empresas.

Segundo ele, a criação do Real Digital é o projeto que “mais me demanda atenção hoje, com reuniões semanais”. E ainda há uma série de problemas a resolver, como a forma de conversão de valores de real tradicional para digital, além da própria segurança do processo.

Leia também: Real Digital deve ser lançado em 2024, estima BC

A ideia atual é criar stable coins com valor pareado ao real por parte dos próprios bancos, “todos fungíveis e de mesmo valor e que podem ser convertidos pela moeda digital do BC”, disse. Esses valores seriam convertidos a partir de um processo de depósito comum, o que impediria por exemplo que uma conversão instantânea corroesse os fundos de reserva dos bancos.

“No fim das contas, o CBDC é uma parceria público-privada, com participação dos bancos”, disse. “Temos a completa noção de que vamos pra um mundo tokenizado, e em alguns momentos os bancos vão olhar seus balanços de forma tokenizada.”

Pelo cronograma apresentado por Campos Neto, o Real Digital deve estar totalmente operacional no Brasil em algum momento do ano de 2024.

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Published by
Marcelo Gimenes Vieira
Tags: banco centralBCCBDCmoeda digitalPIXreal digitalRoberto Campos Neto
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