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Pessoas versáteis transformarão infraestrutura e operações, diz Gartner

O instituto de pesquisa e consultoria global Gartner deu início hoje (03/04), em São Paulo, à Conferência Gartner Infraestrutura de TI, Gestão de Operações e Data Center 2018, que termina amanhã. Em encontro com jornalistas, o diretor de Pesquisas, Henrique Cecci, e o vice-presidente de Pesquisas, Milind Govekar, ambos da consultoria, falaram sobre a carência de infraestrutura no Brasil e o quanto o País tem de acelerar para não perder o bonde da transformação digital em curso no mundo.

Na avaliação de Cecci, nos últimos três anos, o mercado brasileiro, esteve muito distante das evoluções em cloud computing que estavam acontecendo em variados pontos do planeta, mas que nos últimos 18 meses, houve significativo crescimento em adoção de nuvem. Esse quadro se mantém contínuo e certamente irá reduzir esse gap que o País amarga.

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A partir de 2015, segundo Cecci, os líderes de TI passaram a olhar para o futuro. E na busca pela retomada do crescimento, identificaram a necessidade de atualizar suas infraestruturas.
“Afinal, ela é a base para a implementação de novas tecnologias. E essa atualização tem um ciclo mais lento, demandando muito mais investimento”, alertou o analista, para quem esse processo deve ser acelerado com o objetivo de recuperar o tempo perdido.

Hoje, o País está em fase de transição, rumo à revisão de modelos de negócios, em um movimento mais forte de olho na jornada digital. Esses modelos de negócios estão cada vez mais híbridos, na análise de Cecci, para equilibrar estratégia e cenário econômico.

“O Brasil precisa de mais datacenters, em especial, fora do eixo Rio-São Paulo. Porque precisamos de mais capacidade computacional instalada. Não existe nenhuma área de negócio sem capacidade computacional. Imagine com a chegada do 5G? Teremos muito mais coisas conectadas e um volume imensurável de dados trafegando, em alta velocidade. Será preciso extrair informações estratégicas desses dados, porque elas irão gerar oportunidades para as empresas e cloud faz parte desse contexto”, alerta e defende Cecci.

Aliás, o termo “datacenter” para o Gartner é coisa do passado. “Agora, o chamamos de Infraestrutura Digital, porque vai muito além, por reunir, datacenters, coisas, consumidores, ecossistemas, cloud, inteligência e indústria. E essa plataforma, ele garante, será cada vez mais robusta, em constante evolução. “Afinal, o que é ideal hoje, amanhã não é mais.”

Mudança de mentalidade

Mas a transformação parte de um princípio que parece simples, mas nem tanto: mudança de mentalidade. Nesse novo desenho de mundo, onde tudo é conectado, digital e veloz, algo vai muito além da tecnologia: pessoas. Elas é quem irão reger essa mudança de mentalidade, transformando a infraestrutura e as operações na visão do Gartner.

Govekar, VP de Pesquisas do Gartner, reitera e reforça que para que a transformação digital aconteça a TI tem de mudar a mentalidade. E, definitivamente, esse processo envolve pessoas que não mais devem ter perfil generalista, nem tampouco especialista, mas sim versátil.

Até 2020, o Gartner prevê que 75% das empresas enfrentarão rupturas visíveis de negócios devido ao déficit de competências de Infraestrutura e Operações (I&O). E para eliminá-lo será preciso mudar consideravelmente a mentalidade dos líderes e consequentemente de seus times.

As novas competências técnicas exigem a inclusão de soft skills, que são habilidades transversais como pensamento crítico, solução de problemas, conhecimento de negócios e habilidades de comunicação e sensibilidade, que serão tão importantes quanto as qualificações técnicas.

Sendo assim, a consultoria prevê que até 2021, 40% da equipe de TI será mais versátil que a própria tecnologia. Esses profissionais conseguirão desempenhar variados papéis, a maioria direcionada a negócios. “Essa mudança começa em I&O e depois será seguida por gestores de TI e líderes de I&O com perfil versátil.”

Saindo da zona de conforto

Segundo Govekar, para mudar a mentalidade, TI deveria ao menos um dia em cada mês procurar entender como o processo de negócio acontece em todas as áreas. E contribuir para o aumento da performance na empresa, porque é ela que ajuda a ampliar as margens dos negócios da corporação.

“É preciso construir a agilidade digital, fomentar esse aprendizado. Na TI não se mata nada. Há um grande legado encostado, pesando, gerando custos. O ambiente deve ser modernizado para gerar eficiência. É necessário melhorar a sua escalabilidade e para isso a TI, repito, tem de mudar a mentalidade”, avisa.

A TI está cada vez mais presente no oferecimento de serviços. É nesse ponto que surge a necessidade de mudança de mentalidade, diz Govekar. “Não se pode pensar na tecnologia por tecnologia. E sim: como ela pode melhorar os serviços? Como é possível entregar os serviços de maneira ágil e diferenciada? Onde a TI pode auxiliar na inovação? É preciso construir uma plataforma de inovação.”

Um grande desafio é que nessa jornada, é necessário gerenciar os riscos. E, mais uma vez, para isso, reforça Govekar, é preciso mudar a mentalidade e de forma contínua. “Hoje, não temos de criar coisas que durem a vida toda e sim criar coisas para serem mudadas. Porque as evoluções estão acontecendo em alta velocidade. O que vale hoje, amanhã é passado. Essa é a mentalidade que as corporações devem adotar”, diz o analista e avisa: “Mude as pessoas ou mude as pessoas”.

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Redação
Tags: Conferência do GartnerdatacenterGartnerLíderes de TItransformação digital
8 anos ago

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