Diogo Cortiz (Imagem: PlayP Brasil)
Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem uma tese sobre o que diferencia a inteligência artificial de todas as revoluções tecnológicas anteriores: ao contrário das anteriores, ela opera sobre a linguagem, e não sobre máquinas ou fluxos físicos.
Foi com esse argumento que Cortiz conduziu sua aula no segundo dia do curso Filosofia da Tecnologia, realizado nesta segunda-feira (01/06), no Distrito Itaqui, em parceria com a V8.Tech. A consequência direta, segundo ele, é que educação, trabalho, negócios e produção de conhecimento passam a ser afetados de uma forma que nenhuma tecnologia anterior havia alcançado.
“A IA pode aumentar produtividade e qualidade de execução sem necessariamente ampliar compreensão. O desafio deixa de ser apenas produzir respostas e passa a ser desenvolver capacidade crítica para interpretar, validar e questionar aquilo que é produzido pelos sistemas”, disse Cortiz.
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Um dos eixos centrais da aula foi o que Cortiz chama de paradoxo da performance: o risco de confundir o desempenho gerado pela IA com aprendizagem real. À medida que sistemas conversacionais se tornam mais sofisticados, cresce o risco da dependência cognitiva, a tendência de delegar às máquinas não apenas tarefas operacionais, mas o próprio processo de raciocínio.
Para o pesquisador, a resposta está na metacognição, a capacidade de pensar sobre o próprio pensamento, questionar fontes e validar respostas. Em um cenário de hiperpersonalização e interfaces conversacionais, essa competência se torna uma necessidade estratégica para líderes e organizações.
Cortiz também alertou para a dificuldade histórica de prever os impactos de tecnologias transformadoras. “A gente tem que assumir que é péssimo em prever tecnologia. Não adianta tentar prever o que vai acontecer, já falaram que a internet não seria grande coisa e olha o que aconteceu”, disse.
A aula se encerrou com uma análise dos desdobramentos geopolíticos da inteligência artificial. Infraestrutura computacional, semicondutores, modelos fundacionais e soberania digital ocupam posição central nas disputas econômicas e políticas das próximas décadas. Para Cortiz, compreender esses efeitos sistêmicos deixou de ser exercício acadêmico e se tornou competência estratégica para qualquer organização.
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