Se agregarmos ao triple play a transmissão de TV através de protocolo IP, conhecida como IP TV, chegamos a um tipo de oferta ainda mais abrangente chamada quadruple play, e que pode trazer mais valor para o cliente final. A grande questão fica para operadoras de telecomunicações, empresas de TV a cabo e Services Providers, já que todos podem oferecer esse tipo de solução e tornam-se, potencialmente, concorrentes entre si.
Segundo dados do IBM Institute of Business Value obtidos em fevereiro desse ano, no mercado asiático os provedores de serviços combinados têm conseguido um aumento de cerca de 7% no ARPU e uma redução média de 24% no churn. O interesse nesse mercado tem feito os Services Providers norte-americanos, cujo negócio há pouco tempo era baseado apenas em internet e conteúdo, anunciarem investimentos expressivos em redes 100% IP para oferecer a combinação de voz, dados, TV, vídeo e serviços wireless.
Algumas operadoras de telecomunicações já fizeram tentativas oferecendo IP TV e VoIP (voz sobre protocolo IP) como produtos isolados, sem integração com conteúdo ou serviços de valor agregado, o que não trouxe o retorno esperado. Hoje em dia, para minimizar investimentos e oferecer um pouco mais de valor, as operadoras já usam a mesma rede de banda larga para ofertar áudio e vídeo-conferência, além de internet em alta velocidade e todo o conjunto de soluções de entretenimento, que tem como carro-chefe os ?games. Para que os clientes percebam a diferença entre comprar TV ou vídeo de uma empresa de telecomunicações, em vez de adquirir esses produtos de uma empresa de TV a cabo (o que seria mais intuitivo!), é preciso adicionar à oferta serviços como Video on Demand, Pay per View e até mesmo o armazenamento de vídeos pessoais usando a infra-estrutura da empresa.
Com certeza, essa combinação de produtos pode trazer um expressivo diferencial para o setor de telecomunicações. O fator crítico de sucesso está em manter o foco na criação de ofertas, aproveitando a capacidade de integração que as operadoras possuem. A exemplo do que aconteceu com a internet e todos os modelos de negócio que hoje são viáveis em conseqüência da crescente disponibilização de banda larga pelas operadoras, a TV está muito próxima de conviver com o telefone, trazendo para os clientes inúmeras possibilidades de combinações no seu uso diferenciado.
É claro que o mercado brasileiro é muito mais sensível do que outros em relação aos valores dos investimentos necessários para adaptar as redes de telecomunicações às demandas mais sofisticadas de telefonia combinada com TV. É importante considerar que os clientes estão preparados para absorver as novidades. As questões importantes para as operadoras são escolher a tecnologia que trará a melhor relação custo-benefício e definir uma estratégia diferenciada para integração de suas ofertas aproveitando a grande base de clientes que possuem.
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