O que está prendendo você, CIO?

Não deixe que aquilo que você não pode fazer atrapalhe aquilo que você pode fazer

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O que está prendendo você, CIO?

Anos atrás, meu filho Paul e eu estávamos
assistindo a uma apresentação de um grupo de músicos locais. Eles foram todos
muito bons, tanto individual como coletivamente, mas o destaque foi o
baterista. Ele era um cara de meia idade com a cabeça raspada e uma técnica muito
parecida com a de Keith Moon (para aqueles jovens demais para lembrar, Keith
Moon foi o baterista do The Who e, pelo menos em minha opinião, provavelmente o
melhor baterista de todos os tempos). Nunca tinha visto alguém segurar as
baquetas como ele. Parecia usar todo o seu corpo em vez de apenas os braços.

Logo nos chamou atenção o fato de ambos os
braços serem finos, tão finos a ponto de serem pouco mais do que pele e osso.
Suas mãos também pareciam fixas no lugar. Chegamos a pensar que os dois braços
eram protéticos. Mais tarde soubemos que ele nascera com uma deformidade
congênita grave em ambos os braços e mãos. Ele tinha pouco movimento de seus
cotovelos e as mãos e punhos tinham pouca mobilidade. Mas, desde sua juventude,
ele tinha paixão por tocar bateria e, apesar do grande revés de ter as mãos e
braços minimamente funcionais, dominou a bateria. Há uma importante lição de
vida aqui!

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Nós todos temos atitudes, preconceitos e
crenças que, se deixarmos nos dominar, irão limitar a nossa eficácia como
líderes e como seres humanos.

Focando no que não podemos fazer, em vez do
que podemos fazer, nos limitamos de maneira que não podemos sequer começar a imaginar.

Permitam-me compartilhar duas histórias
pessoais.

A primeira envolve um amigo que vou chamar
como Jim. Jim foi diagnosticado com uma forma especialmente letal de câncer.
Foi-lhe dito para colocar as coisas em ordem, porque ele provavelmente morreria
dentro de seis meses. Quando ele morreu, treze anos e meio depois, deixou para
trás um legado de bondade, encorajamento e perseverança diante das adversidades
que afetou centenas de pessoas. Jim foi um mentor para mim por anos e eu sou
uma pessoa extremamente melhor por tê-lo conhecido.

O segundo amigo chamarei de Bob. Bob também
foi diagnosticado com uma doença grave, mas que, com o tratamento adequado,
poderia ser controlada. Bob, no entanto, optou por permitir que sua doença o
dominasse. Mesmo que sua doença fosse praticamente controlável, escolheu ver a
si mesmo como vítima. E se concentrou em todas as coisas que ele acreditava que
não podia fazer, em vez das muitas coisas que podia.

Em cada um desses casos, a atitude determinou
o que seria ou não o limite e o potencial destes homens. Nós enfrentamos o
mesmo desafio em nossas carreiras. Aquilo que acreditamos que não podemos fazer
será impossível para nós.

Então, como isso se dá na vida de um CIO?
Aqui estão alguns exemplos de minha própria experiência.

“Sou apenas o cara de TI.” Conheço realmente
muitos executivos que nunca se esquecem dessa condição. “Apenas o cara de
TI? Como assim? Com essa atitude você estará fadado ao fracasso.

Em vários casos, incluindo um compromisso de
consultoria onde a minha primeira recomendação era para substituir o chefe de
TI, este estigma foi usado como uma desculpa conveniente para manter distância
de qualquer coisa estratégica, mesmo com uma pitada de risco ou trabalho duro.
Se você vê seu papel como uma função de apoio, apenas, então você está
condenado a ser tratado como tal e a ser excluído de qualquer coisa
significativa.

Outros pensamentos muito comuns são: “Nós
sempre levamos a culpa”. Ou “ninguém nos parabeniza quando as coisas
dão certo, só nos procuram quando algo dá errado.” Qual de nós já não
resmungou mais ou menos assim. Podemos não ter dito em voz alta, mas certamente
o dissemos em pensamento.

No ano passado escrevi um post intitulado
“Não seja vítima”. E ofereci várias soluções para quebrar o hábito de
se ver como vítima. Por exemplo.

Se você tem um monte de boas ideias, mas
ninguém o ouve, talvez…

– Suas ideias não sejam realmente tão boas
Falei recentemente com um CIO que estava frustrado porque era incapaz de
convencer seu empregador sobre o brilho de uma ideia que havia tido para uma
aplicação de software que poderia revolucionar a empresa. Quando ele explicou a
ideia, me pareceu óbvio que, embora criativa, ela estava em desacordo completo
com o modelo básico de negócios da sua indústria. Se sua empresa implementasse
sua ideia, não seria capaz de participar no mercado em que compete. O próprio
fato de ele não ter enxergado isso, sem dúvida, prejudicou a sua credibilidade.
Sua ideia, ao mesmo tempo que criativa, não era boa. 

– Você esteja falando com as pessoas
errada

Com quem você está falando? Você está falando com as pessoas que têm a
autoridade para realmente aprovar o financiamento ou implementação de sua
proposta ou você está falando para quem topou te ouvir? Há uma diferença.

– Você esteja expressando mal as suas
ideias
Se você está falando com as pessoas
certas, deve se perguntar se você está se expressando com clareza. Você está
usando jargão técnico, ou pior de tudo, desgastados clichês de negócio? Você
deve ser capaz de expressar claramente a sua ideia em um formato “elevator
pitch
“. Trata-se de descrever claramente o que sua ideia é, como e por
que será benéfica para a organização e o que você  deseja para
implementá-la, tudo em cerca de dois minutos ou menos. Os prazos podem focar a
mente!

Agora, deixe-me esclarecer uma coisa, para
encerrar. Não acredito na velha máxima de que você pode fazer qualquer coisa se
definir sua mente para isso. Tenho 60 anos e não vou ganhar a Maratona de
Boston ou uma medalha de ouro olímpica no atletismo, não importa o quão
positivo meus pensamentos sejam ou  o
quanto me esforce para isso. A realidade é que algumas coisas são, de fato, simplesmente
impossíveis.

Meu ponto aqui é que o foco sobre a
possibilidade é infinitamente melhor e mais produtiva do que a concentração em
tudo o que você acredita que não pode ser feito. É tudo uma questão de atitude.

O baterista tinha bastante uso de suas mãos e
braços e descobriu como tocar bateria partindo desse uso. Não foi fácil, mas a
sua paixão venceu suas limitações. Meu amigo e mentor com câncer morreu, mas
escolheu viver o tempo restante como uma bênção para os outros em vez de um
fardo.

Como disse Winston Churchill: “Atitude é
uma coisa pequena que faz uma grande diferença.”

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