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O futuro aponta para convergência

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O futuro aponta para convergência

As grandes operadoras continuarão a ver a receita proveniente do serviço de voz diminuir, na medida em que os usuários migram para plataformas de serviços IP. Esta é a previsão de Ricardo Distler, sócio da Accenture, responsável por serviços de consultoria em estratégia para o segmento de comunicações. Distler escreverá mensalmente para o IT Web sobre o que está acontecendo no âmbito das telecomunicações no mundo e no Brasil. De acordo com ele, a adoção crescente de tecnologias de ruptura oferece novas e ampliadas possibilidades de aplicações e serviços aos usuários. É, na visão dele, um estratégico segmento econômico, que exige o reposicionamento do Estado enquanto regulador e articulador de políticas públicas para o desenvolvimento social e econômico. Confira entrevista. IT Web: Quais as tendências de telecomunicações para este ano?Ricardo Distler: Nos mercados mais maduros e desenvolvidos, a expectativa é no sentido da aceleração do movimento de transição dos modelos de negócio em direção a modelos mais convergentes. Na prática, significa dizer que as grandes operadoras continuarão a ver a representatividade de suas receitas com o serviço tradicional de voz diminuir em relação ao total, na medida em que os usuários – pessoas e empresas – migram para plataformas de serviços IP.IT Web: Esta tendência se confirma para o Brasil?Distler: No Brasil, esta tendência ainda não deve deslanchar no mesmo ritmo, considerando fatores limitantes relacionados ao mercado e à regulamentação. Em relação a este último item são esperadas novidades, pois a Anatel promete regulamentar algumas questões que ainda não estão completamente resolvidas, como portabilidade numérica, operações móveis virtuais (MVNO, na sigla em inglês) e TV sobre redes de banda larga (IPTV). A definição do modelo para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) é outro aspecto importante que pode ter impactos profundos em toda a cadeia de comunicações. O esperado leilão de freqüências para a exploração de serviços utilizando tecnologia WiMax, que tem sido sucessivamente adiado pela Anatel desde o fim do ano passado, também pode produzir mudanças importantes no panorama competitivo do setor, principalmente no que se refere a ampliar as possibilidades de acesso local para a prestação de serviços empresariais.IT Web: Quais as principais apostas das teles?Distler: Podemos identificar claramente dois tipos de apostas: aquelas que visam a proteger e prolongar tanto quanto possível os fluxos de caixa associados ao ameaçado modelo tradicional de negócios das teles, amplamente baseado no serviço de voz tarifado; e aquelas que visam a buscar fluxos de caixa alternativos associados a novas ofertas e modelos de negócio para garantir a reposição das decadentes receitas com voz e viabilizar um crescimento sustentável a longo prazo. A proteção do negócio atual passa por ações de mercado, como melhoria dos produtos e serviços e do atendimento aos clientes, mas também apresenta um importante componente de “lobby político”, que pode determinar maior ou menor grau de “proteção regulatória” aos atuais fluxos de receitas.IT Web: E as operadoras fixas?Distler: No mundo das operadoras fixas, parece haver movimentação clara no sentido explorar novos mercado e/ou ampliar mercados sub-explorados, como banda larga, IPTV, triple-play, quadruple-play, mercado de pequenas e médias empresas. Parece haver também uma tendência das teles locais a ampliar seu alcance de redes e mercados, partindo para uma atuação nacional na busca por aumentar sua participação no mercado das grandes empresas. {mospagebreak} IT Web: Como ficam as operadoras móveis?Distler: No mundo das operadoras móveis, a era de crescimento explosivo a qualquer custo parece ter chegado ao fim, dado o elevado grau de comprometimento da rentabilidade destas operações. Assim, as operadoras devem reduzir os subsídios para aquisição de novos assinantes e concentrar esforços na retenção e fidelização de usuários de alto valor, com destaque para os corporativos.IT Web: Qual o impacto para o mercado corporativo devido a estas mudanças?Distler: É importante entender que o maior impacto das mudanças que estão ocorrendo é no mercado de massa. De maneira geral, pode-se dizer que as novas tecnologias estão possibilitando a massificação de produtos e serviços que anteriormente só estavam disponíveis às grandes corporações, via acesso dedicado e redes privativas. Dito isto, deve-se entender também que os impactos para as corporações são significativos e são de natureza direta e indireta. Indiretamente, muitas das capacidades desenvolvidas pelas operadoras para servir ao mercado de massa acabam também beneficiando outros segmentos. Por exemplo, o up-grade das redes para possibilitar a expansão dos serviços de banda larga e aplicações como vídeo, acaba elevando o desempenho da rede como um todo e possibilitando níveis maiores de qualidade e confiabilidade aos serviços oferecidos aos clientes corporativos.IT Web: Falando em convergência, quais benefícios ela traz para as companhias?Distler: De maneira mais direta, a tendência de convergência das diversas tecnologias de rede em direção ao protocolo IP é um importante fator de redução de custos, maiores possibilidades de uso, produtividade e mobilidade. O poder de transformação associado à adoção de uma infra-estrutura de comunicações convergente é imenso e tem alcance em áreas estratégicas das empresas. A tecnologia atual permite, por exemplo, que se automatize a cadeia de valor como um todo, fazendo com que um cliente da empresa possa entrar no sistema, consultar o estoque e dar entrada no pedido em tempo real. A partir desta ação, o sistema possa verificar automaticamente a necessidade de reposição do estoque, disparar cotações e fechar pedidos com fornecedores. Isto exige um elevado grau de integração entre os diversos agentes envolvidos e pode ser viabilizado de maneira completamente automatizada e segura. Outra possibilidade bastante atraente é a de possibilitar a convergência de mídias e dispositivos do ponto de vista do usuário, simplificando a sua atividade de comunicação, por exemplo, através da unificação de número / endereço IP e caixa postal (centro de mensagens) do telefone fixo, celular, do desktop e do notebook – assim, todos os contatos e mensagem são “roteados” para um mesmo ponto, de acordo com a conveniência do receptor. IT Web: O que mais muda com a convergência?Distler: O ambiente convergente favorece ainda o aumento da competição no mercado corporativo, na medida em que possibilita que fornecedores de tecnologia ofereçam seus produtos e serviços diretamente ao cliente final, desempenhando um papel que anteriormente era exclusivamente das teles. Assim, empresas como Siemens, Alcatel, Avaya e outras passam projetar, executar e operar as redes de comunicação das empresas, tomando, é claro, todos os devidos cuidados para não entrar em choque direto com as operadoras, que são seus grandes clientes – a tendência pode ser de uma reacomodação de mercado em torno dessas tendências. IT Web: Mas este cenário parece distante…Distler: É preciso considerar que a materialização destas possibilidades exige grande esforço e investimento, e a transição deve ser cuidadosamente planejada e executada de acordo com as características específicas de cada organização. Hoje, mesmo nos mercados mais avançados, é difícil encontrar empresas que já tenham adequado sua infra-estrutura de comunicações de acordo com as novas tendências e possibilidades. Diria que estamos em uma etapa de transição e de convivência “pacífica” entre a tecnologia de última geração e os sistemas legados. Mas muita coisa já mudou, e a tendência é que mude cada vez mais, em velocidade crescente.

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