Se a resposta para a pergunta acima foi talvez ou não, sinto informar que você tem problemas. Se a resposta foi sim, mas você não sabe exatamente por onde começar, acredite, aceitar é o primeiro passo. O discurso já foi repetido uma centena de vezes, mas é sempre bom pontuar: nadar contra tendências é o primeiro sinal de que a empresa não está pronta para evoluir. Essas foram as premissas apontadas pelo Gartner em sua mais recente conferência realizada em São Paulo, e as afirmações e direcionamentos sobre o mundo conectado, integrado e colaborativo ressoaram por todo o mercado brasileiro de tecnologia, mas, agora, de forma mais incisiva.
?O CIO tem que escolher entre ser o cara que traz a inovação ou ser aquele profissional que a empresa está ansiosamente esperando que se aposente?, afirmou Van Baker, vice-presidente de pesquisas do Gartner. ?Chegamos num momento onde só se pode olhar para frente.?
Ponderando entre os porquês, Baker disse que o gestor de TI não pode mais ser nostálgico quando se trata de tecnologia, e que perder o poder frente às demandas de usuários é o ponto de vista mais retrógado que um CIO poderia apresentar. ?Há tantas novas possibilidades para interligar as empresas, que é estranho pensar que inovar faça apenas parte do discurso e não das ações dos executivos de TI.?
A conferência reapresentou os mais recentes dados divulgados pelo Gartner: a receita das redes sociais deve alcançar US$ 16,9 bilhões este ano, sendo que, desse total, US$ 8,8 bilhões virá de publicidade online. ?Mesmo com esse cenário, a maioria das empresas não está preparada para o mercado de mídias sociais. Mais contraditório, é não estar pronto e, em vez de gerir e entender, bloquear o acesso?, avaliou o analista sênior de pesquisas David Mario Smith.
Ampliando o leque de sua afirmação, Smith apresentou dados da Harvard Business Review, que apontam que 58% das companhias em todo o mundo usam mídias sociais, e, dos outros 42% fora dessa margem, metade prepara esforços para desenvolver e alavancar a área.
Ainda neste escopo, é válido mostrar que 23% das empresas usam ferramentas analíticas, 20% contam com budget dedicado e apenas 7% integram as redes sociais às suas ferramentas de marketing. Outro dado tateado pelos executivos do Gartner é que os gastos mundiais com aplicações empresariais devem crescer 4,5% este ano, chegando a algo como US$ 120,4 bilhões.
Este cenário foi chamado por Baker de Appficação das empresas e, de acordo com o VP, é o movimento mais claro e simples para a constante evolução do ambiente corporativo. ?A criação e adaptação de aplicações permite uma evolução maior e mais rápida do portfólio dos fabricantes, que conseguem entregar as soluções empacotadas, em ciclos mais curtos, ajudando as empresas a amadurecem suas infraestruturas?, avalia. ?Não dá para ficar estático com as possibilidades.?
O discurso tecnológico de hoje é um complexo integrado de ideias. Mídias sociais e aplicações geram a grande demanda de dados, carinhosamente chamada de big data, e abrangem outras figuras, como cloud computing e o Bring Your Own Device (BYOD).
?Tudo o que está acontecendo no mundo da tecnologia não dá mais abertura para o CIO das antigas. No Brasil, aliás, o gestor de tecnologia tem problema com a nuvem?, afirma Cassio Dreyfuss, research country manager do Gartner Brasil. ?Durante quatro décadas eles tiraram do casamento de vários hardwares o serviço almejado pela empresa. Agora, eles vêm a nuvem fazer todo o serviço e, em vez de reinventarem seu posicionamento, querem barrar ou ignorar a existência.?
Contextualizando a história, nuvem, mobilidade, colaboração e mídias sociais devem ser parte da estratégia de negócios, assim como também devem estar amplamente amparadas pela área de tecnologia, que lida com requisições diferenciadas de áreas como finanças e marketing.
?O CIO deve perder o receio de não saber colocar o público externo dentro do ambiente de negócios. O primeiro ponto é ter um propósito, e isso é o que está faltando, só assim caminhamos para um ambiente integrado, gerenciado e pronto para caminhar?, explica Dreyfuss. ?Temos um longo caminho a percorrer.?
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