Economia de tokens e energia são vistos como essenciais para a nova fase da IA
Em meio a uma crise de memória, ao aumento do preço do token e a questionamentos sobre o futuro energético, a Dell Technologies quer se posicionar como solução para que as empresas avancem em suas estratégias de inteligência artificial (IA). A nova economia criada pela tecnologia foi um dos temas mais abordados na abertura do Dell Technologies World 2026, evento anual da companhia realizado entre os dias 18 e 21 de maio, em Las Vegas.
De acordo com Michael Dell, chairman e CEO da companhia, à medida que as organizações escalam suas cargas de trabalho de IA, as curvas de custo, as demandas computacionais e os padrões de movimentação de dados estão sendo reescritos. O desafio torna-se também financeiro: ao custo com pessoal soma-se agora o custo por token. O problema se agrava com a IA agêntica. Segundo relatório do Gartner publicado em março de 2026, modelos agênticos podem exigir de cinco a 30 vezes mais tokens por tarefa do que um chatbot convencional.
E se em 2025 Dell subia ao palco para defender a organização e o armazenamento correto de dados, em 2026 a conversa deu mais um passo, e o planejamento virou a palavra da vez.
Segundo o relatório FutureScape 2026, da IDC, até 2030 o mundo terá um crescimento de 3.400% no consumo mundial de tokens. A partir destes dados, o executivo afirma que as empresas que desejam estar à frente no mercado precisam planejar de forma transversal a partir de agora. “Agora é o momento de decidir como você pode gerar, da maneira mais eficiente em termos de custos, os tokens de que precisará a longo prazo”, diz.
Nesse cenário, a Dell defende que a eficiência de custos virá da construção local de multiagentes, sendo a nuvem privada uma forma de prever e controlar melhor os tokens utilizados. Pesquisa da companhia com 3.800 tomadores de decisão de TI em cinco países, divulgada em 2025, mostra que 79% das cargas de trabalho de IA em produção já não rodam exclusivamente na nuvem pública, operando em ambientes on-premise, em dispositivos, na borda ou em instalações de colocation.
“Por anos, a tendência foi o uso de soluções genéricas de mercado e da nuvem pública. Mas, agora, a IA está reduzindo drasticamente o tempo e o custo necessários para expressar sua vantagem competitiva por meio de software. E haverá muito mais software em toda parte”, afirma o CEO.
Ao longo de sua apresentação, Dell abordou também os riscos relacionados ao uso da nuvem pública. Para ele, optar por modelos privados de gestão significa garantir a soberania sobre os próprios dados e, portanto, sobre a inovação da empresa. Com a inteligência se tornando a infraestrutura dos negócios, o executivo alertou para uma possível limitação das empresas que utilizam soluções genéricas em vez de desenvolver as suas próprias — e previu que, no futuro, esse tipo de produto tende a desaparecer. “Em breve, todas as empresas implementarão frotas de agentes, compondo fluxos de trabalho sobre uma infraestrutura que elas mesmas controlam”, afirma.
Diante desse cenário, a Dell anunciou no primeiro dia do evento suas mais novas soluções. O destaque é o Dell Deskside Agentic AI, adição à Dell AI Factory com Nvidia que permite às empresas construir e executar agentes autônomos localmente, com dados que nunca deixam o dispositivo. O produto é voltado para equipes de engenharia de software, pesquisa acadêmica e setores regulados, e converte custos variáveis de tokens em nuvem em investimento fixo em infraestrutura. “Estamos tornando a inteligência real, local, segura e útil na plataforma de petróleo, na ambulância e no chão de fábrica”, diz Dell.
A jornalista viajou a Las Vegas a convite da Dell Technologies.
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