Durante coletiva de imprensa, Jeff Clarke comentou sobre os atrasos de entrega diante da escassez de suprimentos global
“Se planejem, antecipem suas necessidades e façam os seus pedidos o quanto antes”, este foi o conselho dado por Jeff Clarke ao clientes da Dell Technologies diante da atual crise global de memória. Durante coletiva de imprensa realizada no evento da companhia, em Las Vegas*, o COO e chairman afirmou nunca ter enfrentado um cenário como este antes e que não acredita que a situação se estabilizará tão cedo.
“Penso que o ciclo mais longo de desabastecimento que me lembro durou três quarters. Este está se encaminhando para 12 meses, talvez até mais. E nós não começamos a discutir a proporção entre GPUs e CPUs ainda. É uma necessidade que se aproxima de um para um quando pensamos em tokens e agentes, e que elevará a procura por mais memória. Então não vejo o cenário mudar tão cedo”, disse.
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A opinião é baseada em dados. Em uma pesquisa, Forecast: semiconductors and electronics worldwide 2024-2030, publicada abril deste ano, o Gartner projetou uma alta de 125% nos preços anuais de DRAM em 2026, enquanto os preços de NAND flash devem subir 234%. Nenhum alívio significativo é esperado antes do final de 2027. Para Rajeev Rajput, analista sênior principal do Gartner, “os CIOs e líderes de TI devem ser cautelosos ao assinar contratos de fornecimento com termos relacionados a preços desfavoráveis que se estendam além de 2027.”
No caso da Dell, Clarke afirmou que a empresa tem buscado trabalhar com os clientes para suavizar o impacto do custo e que, neste sentido, a companhia tem incentivado planejamentos de longo prazo para que a Dell possa acionar sua cadeia produtiva de forma mais estruturada. A estratégia viria a partir da premissa geral de se concentrar apenas naquilo que é possível controlar.
“Estamos dizendo proativamente aos nossos clientes que eles precisam colaborar, conta sobre sua demanda futura. Estamos firmando acordos, construindo parcerias de vários anos. Temos uma premissa geral de nos concentrarmos no que podemos controlar. O silício, a inflação, a questão do combustível, estão fora do nosso controle direto, obviamente. Esse encorajamento, no entanto, é o que podemos fazer diante da situação”, comenta.
No caso do Brasil, Diego Puerta, presidente da Dell no País, acredita que o modelo de negócios da companhia tem feito a diferença em meio à crise. Para ele, a montagem sob demanda traz contratos de longo prazo e um relacionamento mais próximo com parceiros, o que, por sua vez, permitiria uma previsibilidade e segurança maior aos clientes. “Temos uma complexidade operacional enorme por causa dessa escolha de modelo, mas temos contratos muito bem estruturados de longo prazo e uma vantagem em momentos de crise, como foi na pandemia, por exemplo”, afirma.
O COO da Dell encerrou sua fala defendendo a busca por um novo material que dê vazão a cadeia de suprimentos. “Mesmo quando olhamos para a procura futura, precisamos encontrar um novo material. A resposta é simples. Mas muitas vezes, os pontos mais simples são os mais negligenciados”, finaliza.
*A jornalista viajou a Las Vegas a convite da Dell Technologies.
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