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Nicolas Simone, do Grupo Boticário: lições de um CIO com perfil de negócios

Nicolas Simone, CIO do Grupo Boticário, iniciou sua trajetória profissional na TI como engenheiro de sistemas em uma empresa norueguesa quando ainda morava no Uruguai, seu país natal. Morou em cinco países diferentes até que recebeu o convite para ocupar a diretoria de TI na brasileira Lojas Renner. Depois de mais de três anos no posto, foi para o Itaú, onde ficou por mais três anos e há dois anos e meio assumiu toda a TI do Grupo Boticário.

“Passei por vários segmentos de mercado, de indústria, a bens de consumo, bancos e varejo. Isso me abriu a cabeça e o fato de eu ter vivido em vários países me permitiu agregar a capacidade de liderar equipes multiculturais”, conta o executivo. 

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Mas não foi só essa experiência que os anos possibilitaram para Simone. No início da carreira, ele tinha um chefe que dizia que ele era muito técnico e precisava aprimorar sua capacidade de ler os negócios. O feedback surtiu efeito. “Entendi que não adiantava tecnologia por tecnologia. Essa visão casou com minha migração para a área Comercial, onde fiquei por cinco anos. Foi uma ótima experiência. Eu era um profissional antes e outro depois. Foi uma mudança radical na minha vida”, lembra.

Papel transformador
Simone enxerga hoje seu papel como o de transformador, o de fazer da tecnologia agregadora de valor. “Geralmente, empresas olha a TI como centro de custo e hoje a área tem de ser provocadora. Em vez de aguardar e receber projetos, é preciso ir para os negócios, entender como a TI pode agregar valor”, aconselha.

Para ele, definitivamente, o líder da TI não pode apenas mirar a parte técnica da área. Ele tem de se conectar com outras áreas para poder evoluir profissionalmente e ainda garantir uma evolução dos negócios. “Temos de cuidar do básico, daquilo que sustenta os negócios, mas não podemos esquecer da inovação. Temos de provocar o novo o tempo todo”, indica.

Nesse sentido, o executivo acredita que ter um canal para inovar constantemente é o caminho. Para tanto, ele criou uma TI Bimodal no Grupo Boticário. Com o modelo, uma parte da TI cuida do dia a dia e do outro lado há uma aceleradora de inovação, que se conecta com startups e grandes laboratórios que incentivem o novo o tempo todo. “Não existe mais projeto de tecnologia e, sim, de negócios com tecnologia”, sentencia o executivo, comentando que todos os trabalhos são planejados e executados a quatro mãos. 

Ele entende que a inovação é um processo contínuo. Portanto, a empresa passou a trabalhar nos moldes de uma startup: errando e corrigindo rapidamente. “O conceito de incubação e o uso de metodologias de Agile possibilitam alinhamento e engajamento fortes com os negócios.”

Business partner
Com a transformação digital mudando as regras do jogo nas empresas, Simone criou uma área de business partner com perfil multidisciplinar. “Há profissionais de tecnologia, mas com habilidade de conhecer os processos de negócios e falar a linguagem de negócios”, aponta. “Essa nova forma de trabalhar nos permite aproximar e mudar a forma de trabalhar no Grupo. Além de abrir oportunidade de carreira em tecnologia.”

O executivo comenta que não há um único parceiro de negócios que alavanca o desenvolvimento da TI. Todos estão comprometidos, garante. “Eu costumo dizer que para fazer a transformação, o CEO tem de ser grande sponsor. E nosso CEO é. Ele faz o papel de conectar os pontos, de puxar a organização, pensando sempre no longo prazo, sem sacrificar o curto prazo.”

“Vejo muitas áreas de tecnologia reportando para o CFO e isso me preocupa, porque são papéis opostos. Não estou falando que está errado, mas quando a TI passa a ser vista como centro de custo e a equação não funciona. Onde está a TI na organização é fundamental, porque tudo se faz com tecnologia”, observa.

O executivo aponta que dar sequência ao projeto de transformação digital é, hoje, um de seus principais desafios. Nos próximos meses, adianta ele, diversos trabalhos serão colocados em prática nesse sentido. Entre eles o foco na experiência do consumidor, indústria 4.0, omnichannel e fomentar cultura digital dentro e fora da empresa.

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Déborah Oliveira
8 anos ago

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