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Mulheres oferecem menos risco na gestão das empresas, diz pesquisa

Levantamento revela que 27% das pessoas ouvidas apresentaram desvio de caráter. Destes, 80% eram do sexo masculino

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Minoria em posições estratégicas das empresas, as mulheres exibem perfis de personalidade menos propensos a desvios de conduta que resultam em potenciais riscos para as organizações. É o que mostra a Pesquisa Perfil Comportamental de Executivos: homens versus mulheres, elaborada pela HSD Consultoria. Participaram do processo de avaliação comportamental 3,5 mil profissionais que ocupavam cargos de comando em médias e grandes corporações entre 2014 e 2017. Deste total, somente 26% eram mulheres.

Segundo a pesquisa, 27% das pessoas ouvidas apresentaram desvio de caráter. Destes, 80% eram do sexo masculino. Se forem comparados os percentuais de pessoas com desvio de caráter com relação ao sexo, é possível também concluir que 20,77% das mulheres em cargos executivos demonstram o problema. Já o percentual dos homens é bem maior: 29,2%.

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Esta é a primeira vez que a consultoria segmenta os resultados por perfis de gênero. “A decisão de comparar os perfis comportamentais entre homens e mulheres veio da minha experiência como consultora. Apesar de vermos que as características femininas mudam o perfil de gestão de uma empresa, as organizações ainda relutam em contratar mulheres para cargos importantes. Não é necessário que haja um programa de cotas, mas sim uma mudança de visão dos empresários”, afirma a CEO da HSD, Susana Falchi.

Segundo Susana, esse baixo percentual mostra que ainda há a preferência pelo sexo masculino para cargos estratégicos. “Embora os homens tragam um risco maior para a empresa. As corporações dão pouco valor à avaliação do fator humano em suas matrizes de risco”, alerta. As mulheres que exibem desvio correspondem a 5,4% do total de analisados. Já entre os homens, 21,6% exibiam essa característica. “Em termos percentuais sobre a amostragem total, é possível observar que ao contratar mulheres, o risco de conduta inapropriada cai de forma considerável”, observa Susana.

A HSD avalia perfis comportamentais de executivos desde 2000. O estudo é feito por meio de entrevistas individuais e da aplicação de um conjunto de testes psicológicos, como os projetivos (em que se avalia as funções psíquicas do indivíduo), o Disc (que aponta a forma como age em variadas situações), de inteligência (avaliação sobre entendimento de diferentes níveis de complexidade e envolvimento de muitas variáveis em um determinado contexto) e até o grafológico que, embora não reconhecido no país pelo Conselho Regional de Psicologia, é largamente utilizado em todo o mundo.

“A partir daí, pode-se identificar motivações e valores, padrões de julgamento e estrutura da personalidade, os quais definem os processos decisórios”, diz, acrescentando que ao menos 70% do tempo dos executivos são dedicados à tomada de decisões. No estudo, são considerados desvios de caráter características como: interesses pessoais desmedidos, conflitos de interesses com atividades que levam a ganhos individuais e condutas moral e ética inadequadas. Dentre as práticas, executivos com esse perfil de personalidade estão maquiagem de resultados, desvios de valores financeiros, manipulação de dados e pessoas para atendimento a interesses próprios e outros comportamentos que resultam em risco para as corporações.

A avaliação é técnica, independentemente da percepção do interlocutor que o está entrevistando. “Em nossa metodologia, quem tem contato com os indivíduos não realiza o processo de avaliação, que fica a cargo dos especialistas em comportamento, baseando-se somente nos resultados das ferramentas”, explica.

“Independentemente da questão de gênero, há um elevado número de pessoas com perfis comportamentais propensos à prática de atos condenáveis na sociedade e temerários nas empresas. Isso ocorre porque as corporações não se preocupam com a personalidade daqueles que contratam e, ao valorizarem apenas capacitação, preparo técnico, experiência e formação acadêmica, acabam se expondo a sérios riscos”, diz Susana. “As empresas precisam entender que o fator humano é elemento essencial em suas matrizes de riscos”, conclui.

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