Participação de mulheres na ciência brasileira cresce 29% em 20 anos, aponta relatório

Brasil é o terceiro país do mundo com maior participação feminina na ciência, ficando atrás apenas da Argentina e de Portugal

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Uma pessoa usando jaleco branco e luvas azuis de laboratório segura um frasco volumétrico de vidro contendo uma substância líquida amarela. Ela está em um ambiente de laboratório, com bancadas, equipamentos analíticos e uma janela com persianas ao fundo. A ação sugere manipulação ou análise de amostras químicas. (mulheres)
Glaciele Roberta Amaro Cafisso, analista química de laboratório da Zhongshan Chemical (Imagem: divulgação)

A participação de mulheres na ciência brasileira como autoras de publicações científicas cresceu 29% em 20 anos. Os dados constam no relatório “Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil”, lançado pela Elsevier-Bori.

Com 20 anos de trabalho, Glaciele Roberta Amaro Cafisso, analista química de laboratório da Zhongshan Chemical, observa a ascensão das mulheres na área. Ela fez o curso técnico em química motivada por um primo e conta que, no início da carreira, havia poucas pesquisadoras nos laboratórios por onde passou. Mas, hoje, percebe um número crescente de representantes femininas, inclusive em cargos de liderança.

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Segundo Glaciele, a participação de mulheres na ciência é fundamental para o êxito do processo e do resultado das pesquisas. “Nosso pensamento é dinâmico, nós conseguimos pensar em dez coisas ao mesmo tempo, temos muitas ideias, e isso é importante. A forma como a mulher trata a pesquisa é minuciosa, detalhista”, aponta ela, atuante com análise de defensivos agrícolas.

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Segundo a pesquisa, em 2022, 49% da produção científica nacional contou com, pelo menos, uma autora, percentual maior em relação aos 38% registrados em 2002. Ainda de acordo com o levantamento, o Brasil é o terceiro país do mundo com maior participação feminina na ciência, ficando atrás apenas da Argentina e de Portugal, ambos com índice de 52%.

Para Andresa Paula da Silva, analista de Pesquisa e Desenvolvimento na B.Nano, trabalhar com ciência é desafiador principalmente devido à incompreensão, por parte da sociedade e do setor econômico, de sua importância estratégica. “Existe uma dificuldade em entender que o tempo da ‘descoberta’ nem sempre é imediato, mas que ela é o motor fundamental para a evolução social e crescimento econômico a longo prazo”, afirma.

Apesar dos desafios, a possibilidade de gerar efeitos globais por meio das pesquisas é o que a motiva a continuar “buscando descobertas”. “É gratificante saber que o meu trabalho pode gerar um impacto positivo no mundo, seja por meio da cura de doenças ou de melhorias na produção de alimentos, entre diversas outras áreas.”

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