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Mobilidade como outsourcing: qual o modelo de negócio mais adequado?

(Esta é a primeira parte de um especial com três reportagens sobre Mobilidade. O conteúdo foi obtido no IT Mídia Debate realizado em fevereiro e publicado na edição de março da revista CRN Brasil)

Tudo começou com os laptops e a capacidade de movimento que esses computadores mais compactos traziam aos funcionários. De repente, os departamentos de TI estavam com smartphones e tablets de colaboradores pendurados a sua rede corporativa. Fabricantes e seus parceiros correram então para atender a essa nova demanda de seu cliente, o CIO, que passou a gerir não somente o parque de hardware adquirido pela empresa, com modelo e capacidade definidos, mas uma sorte totalmente heterogênea de produtos que abriam diversas brechas em seu sistema de segurança. Hoje, fornecedores de TI começam a compreender esse desafio. E é então que nasce o outsourcing de mobilidade. Muito mais do que prover aplicações ou sistemas de gerenciamento, essa evolução tecnológica cria um nicho totalmente sem precedentes de negócio.

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Cinco agentes de mercado se encontraram no dia 21 de fevereiro para participar do IT Mídia Debate sobre o assunto. Em uma conversa de duas horas ? mas que poderia facilmente extrapolar o tempo previsto, tamanha a participação das mais de 30 pessoas que compunham a plateia ativa com perguntas ? participantes, da mesa e, também, os que assistiam à discussão, comentaram desde problemas corriqueiros em torno do suporte que é dado a clientes até a mudança total do paradigma de negócios. Participaram contando sua experiência Guto Ramos, CEO da BR Mobile; Eduardo Díaz, CTO da BinarioMobile; Marco Carvalho, da Comptia; Marco Boemeke, sócio da MDM Solutions; e Denis Furtado, CEO da That One Consulting.

Mobilidade é uma das três palavras que compõem a sopa de letrinhas das fortes tendências para o mercado de tecnologia neste e nos próximos anos, ao lado de big data e cloud computing. De fato, os três conceitos se retroalimentam em um ambiente onde a nuvem é essencial para amparar todos os dados enviados através dos diferentes dispositivos.

?O tema deixou de ser a venda de um aplicativo ou dispositivo. O conceito é de outsourcing de mobilidade?, introduziu Boemeke, ao contar sua própria experiência em uma empresa que atua com softwares de gerenciamento de dispositivos, auxilia os clientes não somente com a administração dos devices conectados à rede, mas do projeto como um todo. ?Os processos que estamos acompanhando vão desde a escolha do dispositivo, aplicativo correto à ferramenta de gestão, fazer a operação do sistema todo e à implantação. Envolve toda uma cadeia de valor?, compartilhou. O executivo adicionou que obviamente não são todos os clientes que buscam o combo completo,  alguns se contentam com contratações pontuais, como ferramentas de Mobile Device Management (MDM). ?Mas a maior parte é outsourcing?, adicionou.

Da plateia, Edison Morais, da Entelcorp, levantou a questão sobre treinamento dos funcionários para o suporte neste momento onde o CIO precisa tanto de um fornecedor capacitado. ?O que vejo muitas vezes é que o fornecedor não foca treinamento, suporte e não segue todas as disciplinas do Itil para o service desk?, introduziu, ?e há um gap: temos os provedores de soluções, provedores de conectividade, mas não temos provedores de suporte, que não é o suporte da aplicação, mas aquele que integra as soluções de mobilidade em um conjunto de diferentes soluções. Isso é oportunidade aos canais, desenvolver em parceria com as próprias operadoras e com os provedores de soluções?, acrescentou.

Munido de dados de mercado coletados com 500 empresas norte-americanas em 2012 pela Comptia, Carvalho citou os motivos avaliados pelas companhias quando estruturam políticas de Bring Your Own Device (Byod, sigla em inglês para traga seu próprio dispositivo). De acordo com o levantamento, 78% indicam a habilidade de se manter conectados, 70% a capacidade de serem encontrados a qualquer momento; 65% pontuaram aumento da produtividade, 59% disseram que o principal motivador é a habilidade de colaborar de forma mais fácil e, por fim, 44% pontuaram mais satisfação com o trabalho.

O dado que o executivo exatamente mencionou como destaque foi o último colocado: satisfação com o trabalho. Por quê? Segundo Carvalho, isso muda drasticamente as necessidades do gestor de TI e, consequentemente, a forma como o fornecedor desenha sua oferta para melhor atendê-lo. Antigamente, explicou, usuário não opinava: usava o que a TI havia contratado e a discussão sobre o produto cabia somente ao CIO e à empresa que ele havia escolhido para lhe assessorar no processo. Agora, quem dita as regras é o usuário, que sabe o que precisa para entregar seu trabalho de forma mais eficiente e, quem diria, fica feliz com o resultado positivo.  ?É realmente um desafio para a TI suportar uma solução nova. Quando falamos de mobilidade não estamos falando de iPhone, iPad ou Android. Engloba o dispositivo, a rede da corporação sendo expandida, e as aplicações ? junto de uma nova visão da aplicação. Isso traz para essa possibilidade de solução uma gama de ofertas maiores, mas com uma série de complexidades?, alertou.

Guto Ramos era o mais jovem entre os debatedores a contar à plateia como conseguiu levantar um milhão de reais com uma empresa de apenas dois anos de vida em um mercado com concorrentes de todos os tamanhos. O sucesso de seu negócio partiu exatamente dessa necessidade que as companhias enxergam de terceirizar o imbróglio tecnológico que veio com a demanda de aparelhos móveis dentro da organização. Com outros sócios, ele fundou a BR Mobile, que faz a locação de dispositivos móveis, sejam smartphones ou tablets. A ideia é permitir a troca do Opex pelo Capex,  o que garante às empresas que declaram à Receita Federal com base no lucro real classificarem esses produtos como despesa, e não como ativo. ?Notamos posteriormente que, além da locação, era importante desenvolver aplicativos específicos para nossos clientes?, contou.

Condução do debate: Patrícia Joaquim

Saiba mais:

Galeria de Imagens: IT Mídia Debate: mobilidade como conceito

PARTE 2 – Mobilidade como outsourcing: aplicativos devem ser bons, bonitos e funcionais

PARTE 3 – Mobilidade como outsourcing: o gap entre o canal e o fornecedor


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Published by
Redação
12 anos ago

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