Microsoft e Gerando Falcões criam projeto para formar jovens em IA nas periferias

Iniciativa anunciada durante o Microsoft AI Tour está em piloto com 20 adolescentes e início de expansão a partir de julho de 2026

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Microsoft, Gerando Falcões
Imagem: Divulgação/Microsoft

Durante o Microsoft AI Tour, realizado em São Paulo, a Microsoft anunciou uma parceria com a Gerando Falcões para lançar o COLAI, programa educacional voltado à formação de jovens de 15 a 18 anos em tecnologia e inteligência artificial. A iniciativa combina ensino técnico introdutório, aprendizagem baseada em projetos e desenvolvimento de habilidades socioemocionais, com foco na inserção desses adolescentes no mercado como jovens aprendizes.

O programa integra o Microsoft Elevate e será conduzido com apoio da rede ConectAI, iniciativa criada pela companhia para capacitar 5 milhões de brasileiros em IA até 2027. O primeiro piloto, iniciado em fevereiro, prevê a formação de 20 jovens até junho deste ano. A partir de julho de 2026, a proposta entra em fase de escala para novas comunidades.

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Segundo Lucia Rodrigues, diretora de Capacitação em IA da Microsoft Elevate, o objetivo vai além do letramento digital básico. “O COLAI reflete nosso compromisso em capacitar pessoas com as habilidades necessárias para prosperar na era da inteligência artificial. A iniciativa amplia a democratização do acesso à IA, à educação tecnológica e à formação de talentos no País, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade social”, afirma.

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Formação prática e foco em empregabilidade

Com duração de 12 semanas e carga horária total de 56 horas, o COLAI utiliza plataformas como Minecraft Education, Copilot, GitHub e Microsoft Fabric para aproximar conceitos técnicos do cotidiano dos estudantes. A metodologia é baseada em aprendizagem por projetos, na qual os participantes desenvolvem soluções tecnológicas e apresentam propostas aplicadas a desafios reais.

Durante o curso, os jovens terão contato com fundamentos de programação com MakeCode, organização de projetos, comunicação e apresentação de ideias. No projeto final, os participantes deverão criar soluções tecnológicas voltadas a negócios dentro do ambiente do jogo, integrando competências técnicas e socioemocionais.

A executiva explicou que o programa foi concebido com foco direto na empregabilidade. “É uma escola de tecnologia voltada para o ensino técnico de tecnologia, então não é só sobre o treinamento digital, não é só sobre ferramentas de produtividade. A gente tá falando realmente de jovens que vão sair desse curso aprendendo a fazer soluções de tecnologia voltadas para negócio e tudo isso sempre com um olhar para empregabilidade, com um olhar para a inserção desses jovens no mercado de trabalho como jovens aprendizes”, diz Lucia Rodrigues durante o anúncio.

Ao final da formação, os participantes apresentarão seus projetos em um evento no escritório da Microsoft em São Paulo para parceiros e clientes da empresa. A expectativa é que esse contato facilite oportunidades de contratação e continuidade da formação profissional.

Inclusão tecnológica nas periferias

A Gerando Falcões será responsável pela mobilização dos participantes e pela articulação com comunidades atendidas pela organização. De acordo com Lemaestro, cofundador e diretor de Operações da entidade, a proposta busca reduzir desigualdades no acesso à tecnologia e ampliar oportunidades em territórios periféricos.

“Na Gerando Falcões, acreditamos que o talento está distribuído de forma igual, mas as oportunidades não. O COLAI nasce para reduzir essa distância, conectando jovens de territórios periféricos às competências mais demandadas do futuro, como a inteligência artificial”, afirma.

Durante o evento, o executivo também destacou o potencial de impacto social da iniciativa. “A favela é naturalmente criativa, a favela é naturalmente empreendedora, a favela sabe fazer muito com pouco e aí se a gente coloca nas mãos desses jovens periféricos e favelados toda a potência que a IA pode trazer, a gente vai desenvolver muito mais negócio na favela, muito mais gente ocupando cargos de trabalho relevante e mudando definitivamente as suas vidas”, diz.

O piloto inicial ocorre em comunidades da região metropolitana de São Paulo, com jovens selecionados a partir de diagnósticos sociais realizados pela organização. A estratégia, segundo a entidade, é validar o modelo educacional antes da expansão nacional.

Conexão com a estratégia nacional de capacitação em IA

O COLAI passa a integrar o ConectAI, programa anunciado pela Microsoft em 2024 com a meta de formar 5 milhões de brasileiros em habilidades relacionadas à inteligência artificial até 2027. Até o momento, segundo dados da empresa, mais de 2,8 milhões de pessoas já participaram de iniciativas de capacitação e cerca de 979 mil obtiveram certificações.

A iniciativa é implementada por meio de uma rede que reúne organizações públicas, privadas e da sociedade civil, incluindo instituições como ENAP, SENAI-SP, Ministério do Trabalho e Emprego, Fundação Bradesco, Nova Escola e UNICEF. A inclusão do COLAI no ecossistema amplia o foco em formação de base e acesso à tecnologia entre adolescentes, em linha com a estratégia da companhia de desenvolver talentos para a economia digital.

Com o piloto em andamento e a expansão prevista para o segundo semestre de 2026, a Microsoft e a Gerando Falcões pretendem avaliar os resultados iniciais do programa, incluindo a inserção dos participantes no mercado de trabalho, antes de ampliar a iniciativa para novas comunidades em todo o País.

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Sobre o Autor

Pamela Sousa é editora-assistente no IT Forum, graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Especializa-se na cobertura de tecnologia, inteligência artificial e inovação, desenvolvendo reportagens aprofundadas e artigos analíticos sobre o impacto dessas tecnologias nos negócios e na sociedade.

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