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Mais do que ser uma empresa aberta à diversidade, é preciso lutar por ela

Muitos estudos já foram produzidos sobre o tema da diversidade, como forma de ajudar a provar para as empresas que a preocupação com a existência de pessoas diversas nos times, além de essencial do ponto de vista humano, gera resultados positivos para as organizações. De acordo com pesquisa realizada pela McKinsey & Company, companhias com maior equilíbrio de gênero são 21% mais propensas a ter lucratividade acima da média. Do ponto de vista étnico e cultural, os dados indicam 33% de probabilidade de desempenho superior.

Especialmente para empresas que trabalham com tecnologia e inovação, a diversidade é uma grande aliada. Segundo estudo da consultoria Josh Bersin, organizações com essa característica têm 1,7 vezes mais chances de serem líderes inovadores nos mercados em que atuam.

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No entanto, para atingir bons resultados, não basta que a empresa se declare aberta à diversidade, é fundamental que a liderança esteja diretamente envolvida no processo. Mais do que buscar pessoas diversas de forma ativa, a organização precisa estar preparada para recebê-las.

Primeiro, é preciso entender que há diferentes formas de analisar esse conceito em uma empresa, como por gênero, etnia, pessoas com deficiência e membros da comunidade LGBTI+. Para realizar processos seletivos inclusivos, deve-se pensar nisso a cada passo, principalmente onde as vagas serão divulgadas para atingir esse público. Em caso de processos maiores, a própria comunicação visual pode acabar pecando pela falta de representatividade e isso deve ser sempre avaliado.

Por vezes, os pré-requisitos à contratação já são um impeditivo. A exigência de um nível avançado de inglês, por exemplo, pode eliminar de cara muitos candidatos por razões socioeconômicas. Cabe avaliar se a habilidade é realmente necessária para o dia a dia da posição e, caso seja, entender a possibilidade de oferecer bolsas ou treinamentos para que o(a) candidato(a) adquira o conhecimento que lhe falta.

Estar preparado(a) para receber um time diverso também é essencial. Ao ter a diversidade como parte da cultura de uma organização, é preciso que isso reverbere em todo o seu ecossistema, desde a comunicação e acessibilidade nos espaços físicos até as ações cotidianas, por meio de uma comunicação mais inclusiva.

A equipe de recrutamento e seleção, é claro, deve ser um dos principais pontos focais dessa mudança. Treinamentos relevantes para o tema, como falar sobre o viés inconsciente – associações quase automáticas que fazemos, criando uma impressão sobre algo ou alguém com base em experiências passadas ou convenções sociais – podem ser úteis para o processo da organização.

Um exemplo muito simples disso é ver uma pessoa de tatuagens e roupas pretas e assumir que ela gosta de rock, por exemplo. É uma espécie de estereótipo que pode nortear decisões sem que a gente se dê conta disso. No caso de recrutadores, a percepção desse tipo de coisa é essencial para aumentar a diversidade nas contratações.

A tecnologia, se bem aplicada, pode ser uma grande aliada nessa busca. Recentemente, realizamos no Grupo Movile um processo seletivo com etapas iniciais às cegas e com ajuda de um chatbot, para um programa de estágio e de jovens talentos. O resultado foi a contratação de 46% de mulheres, 40% de pessoas negras e 26% de membros da comunidade LGBTI+.

É importante também que o time de C-level da empresa esteja comprometido com a mudança. Esses(as) executivos(as) são espelhos para os demais, portanto, agentes de transformação com alto impacto.

Por fim, para que a diversidade seja alcançada e saia do papel ou do discurso, é fundamental que ela seja uma meta, com ações táticas programadas e acompanhamento periódico, como todos os demais objetivos de uma empresa. Assim como outros objetivos organizacionais, a busca pela diversidade e inclusão, funciona melhor quando todos(as) agem com esse propósito, não apenas a diretoria ou o RH. Abraçar essa causa é um constante aprendizado, que faz bem não só aos negócios, mas a todos(as) enquanto seres humanos.

*Por Natália Zeferino, gerente de Gente do Grupo Movile. Formada em Midialogia e pós graduada em Marketing Organizacional, ambos pela Universidade Estadual de Campinas, Natália Zeferino está no sexto ano de Grupo Movile. Responsável por Comunicação Interna, Cultura Eventos, Design e Projetos de Diversidade, tem experiência profissional no Brasil, México, Colômbia e Argentina. Como gerente na Holding, apoia esses temas para todas as empresas do Grupo Movile, elaborando projetos para aumentar o engajamento interno, fortalecer o ecossistema e impactar a vida das pessoas que trabalham nelas.

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Ana Gabriela De Callis
Tags: culturadiversidaderecursos humanos
7 anos ago

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