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Sempre relacionamos qualquer produto de baixa qualidade ou falsificado com o grande país asiático. De tão criativo, o brasileiro até criou um termo para estes produtos, os famosos xing ling. Relacionamentos à parte, a China mudou e hoje produtos de quase todas as grandes empresas mundiais são produzidos neste país com um efeito colateral benéfico à eles: aprenderam a fazer. De pequenas zonas econômicas especiais onde eram montados os eletrônicos a se tornar o maior fornecedor do mundo foi uma tarefa tão árdua como levantar a Grande Muralha.
E eles querem mais. Não contentes somente com a montagem e aproveitando-se do aprendizado obtido, agora desejam levar o real produto chinês para todo o planeta. Midea, Lenovo e Jac Motors são alguns exemplos daquelas que já desembarcaram em terras tupiniquins e no rastro dessas, muitas outras estão chegando pois o Brasil reúne condições interessantes para eles como uma economia em expansão e um gigante mercado represado e que agora está ávido para sair as compras.
Este cenário abre oportunidades para brasileiros do outro lado do mundo onde cada vez mais empresas chinesas estão em busca de profissionais que falem o português do Brasil e entendam o mercado nacional para ajudá-los neste novo modelo de colonização. Só num website de oportunidades de empregos para Hong-Kong, aparecem em média uma vaga por dia para profissionais de diversas áreas e diversos níveis que tenham o português como idioma nativo ou segundo idioma.
De outro lado, não se engane. Saber mandarim ou cantonês será em pouco tempo um diferencial enorme no curriculum pois o caminho inverso, além de possível, é interessante. Com uma população de 1.3 bilhão de pessoas e um crescimento econômico com enorme potencial, a China pode ser para diversos empreendimentos brasileiros uma ótima oportunidade. Mas para isso não basta simplesmente falar o idioma. É preciso também perder aquele jeitinho brasileiro tão famoso e característico que está impregnado no DNA. Ao contrário do Brasil, corrupção, propina e erros comerciais na China podem levar o sujeito à penas de prisão perpétua ou até mesmo de morte (quem não se lembra do caso do leite com melamina?).
*Paulino Michelazzo atua na Internet desde 1995 com arquitetura, desenvolvimento e criação de portais, websites egestão de conteúdo. É consultor independente nas ferramentas Drupal, Joomla! e WordPress com as quais desenvolveprojetos e treinamentos no Brasil e exterior. Co-autor de 3 livros sobre Internet e Software Livre, é palestrantecostumeiro em eventos de tecnologia e colunista das revistas Wide, Espírito Livre e Drupal Watchdog.
**As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação
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