ITIL e o gerenciamento de mudanças

Na era da agilidade, o quanto a metodologia pode e deve ser aplicada à área de TI?

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As áreas
de negócio vêm passando por mudanças cada vez mais frequentes a fim de manter a
competitividade da organização à qual pertencem. Com isso, a Tecnologia da
Informação (TI) precisa acompanhar o progresso dessas outras áreas, bem como amadurecer
os seus processos, visando prover o suporte necessário.

Comumente,
os processos de gerenciamento de incidentes e cumprimento de requisições de
serviço são processos críticos de TI que precisam ser prontamente avaliados
para que se possa elevar o nível de maturidade da área como um todo. Estes processos
caracterizam a interface da área com o negócio, através dos quais ocorrem o registro
das necessidades da organização e o atendimento a elas. Em muitos dos casos,
estas necessidades dão origem às requisições de mudança que serão então
tratadas no processo de gerenciamento de mudanças.

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Neste
contexto, o ITIL (Information Technology
Infrastructure Library
) conceitua uma mudança como acréscimo, modificação
ou remoção de qualquer processo, arquitetura, ferramenta, métrica, documentação
e outros itens de configuração que possam afetar os serviços de TI. Dada a
complexidade que as mudanças podem alcançar, um processo para gerenciá-las se faz
necessário, pois define o fluxo a ser seguido para que todos os pedidos de
mudança sejam analisados, ordenados, priorizados, planejados e implantados de
forma segura, sem impacto os processos de negócio.

Mas por que implementar um processo de
gerenciamento de mudanças em sua empresa?

Em geral,
é comum escutarmos dos clientes diversas justificativas que aparentemente
tornam incompatível a implementação do gerenciamento de mudança com a realidade
da TI. Uma das justificativas mais comuns é que esse processo burocratizaria o
trabalho da TI, gerando entraves e atrasos para a realização das mudanças.

No entanto,
tais justificativas não expressam nada além de uma resistência à mudança que se
faz presente na maioria de nós seres humanos. Especialmente aqui no Brasil,
podemos também observar nestas justificativas uma certa resistência para abandonar
a informalidade do “jeitinho rápido para tudo”, como já falamos no artigo Verdades pouco faladas
sobre TI no Brasil
.

Características de uma TI ainda pouco amadurecida no tratamento das mudanças, tais
justificativas traduzem uma informalidade no atendimento ao negócio e um modo
de operação que carece de ordem e registros formais. As mudanças são realizadas sempre sob pressão, sendo atendidas sem a devida priorização e sem
um planejamento mínimo, na maioria dos casos.

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Naturalmente,
quando se está imerso na correria do dia a dia e na busca imediata por soluções
para os problemas que surgem, fica difícil imaginar como uma mudança estrutural
e a adição de rotinas ao trabalho podem alavancar o rendimento da equipe, o que
nos leva muitas vezes a situações análogas à ilustrada na imagem abaixo. Porém,
já tivemos a experiência de ver semelhante transformação em diversos dos nossos
clientes para confirmar esses resultados.

O trabalho
feito sem uma disciplina de priorização e ordenamento de etapas tende a uma
constante reorganização da equipe a fim de atender às demandas novas e urgentes,
resultando em uma TI operando apenas para “apagar incêndios”. Esse contexto resulta
em grande desperdício de tempo, pois é preciso verificar constantemente o
andamento das execuções e validá-las, sem contar com o tempo gasto no
retrabalho por conta de erros não mapeados. Logicamente, esse desperdício
implica em recursos que, se forem melhor dispostos, podem ser utilizados para aumentar
a geração de valor para o negócio.

Falando
propriamente do processo de gerenciamento de mudanças, podemos descrevê-lo através
das seguintes macro etapas, como apresentado pelas boas práticas do ITIL:

imagem1 

Fonte: Elaborado pelo autor

Pelo que é
proposto em cada uma, podemos observar que as principais etapas que concorrem
para uma maior eficiência do processo em questão são a de priorização, planejamento
e de testes.

Seguido de
uma análise de todas as requisições de mudança que chegam à TI, na priorização deve-se
definir como será dividido seu esforço para atender às demandas urgentes sem
deixar de atender às demais solicitações do negócio. Assim, deve-se criar uma
fila de requisições a serem atendidas segundo critérios pré-estabelecidos que
traduzam as necessidades do negócio.

Em seguida,
as etapas de aprovação, de comunicação e agendamento colaboram para uma
maior governança do processo, garantindo que os responsáveis pelas áreas
envolvidas estejam sempre cientes e de acordo com as mudanças.

Posteriormente,
é realizado um planejamento para cada mudança que será implantada, o qual
compreende não só a criação do próprio plano de implantação, mas também o plano
de testes e de remediação. Com isso, aumenta-se a garantia de que, durante os
testes e a implantação, nenhuma mudança seja colocada no ambiente de produção com
elevada possibilidade de falha e de que o nível de serviço anterior possa ser
reestabelecido, caso necessário.

A etapa de
documentação também concorre para uma maior governança do processo, garantindo
o registro da execução de cada nova requisição de mudança a fim de economizar
tempo de planejamento e implantação em futuras solicitações semelhantes.

Encerrando
as reflexões apresentadas nesse artigo, destacamos os benefícios comumente observados
com a implementação do processo de gerenciamento de mudanças em nossos
clientes:

–  Devida priorização das
requisições de mudança, adequando a capacidade da TI às necessidades do negócio
para aumentar seu valor percebido;

–  Redução de falhas nas
mudanças realizadas e, consequentemente, na probabilidade de ocorrência de ruptura
do nível de serviço causada por riscos não mapeados;

–  Garantia de retorno ao
nível de serviço anterior no caso de falha em uma mudança, através da aplicação
do plano de remediação realizado antes da execução de uma mudança;

–  Otimização dos custos e
diminuição do retrabalho devido ao planejamento e mapeamento dos riscos
envolvidos nas mudanças a serem realizadas;

–  Rastreamento e
acompanhamento das requisições de mudanças em execução, e possibilidade de
manter o solicitante informado de seu andamento.

Por todo o
exposto, reforçamos finalmente a importância do amadurecimento do processo aqui
discutido. Alcançando-se maior formalidade no tratamento das mudanças, a TI se
habilita em responder com maior diligência às necessidades do negócio, entregando
real valor ao auxiliá-lo na sua adaptação para se diferenciar e manter-se
sempre competitivo.

 

(*) Marcelo Soares é consultor em projetos
de otimização de processos e governança de TI pela Bridge Consulting

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