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IT ForOn Series: executivos debatem novas competências para liderança

liderança em crise

Toda crise traz consigo uma série de novos desafios para as lideranças. O cenário atual, causado pela pandemia de COVID-19, não é diferente. Além de impactos econômicos, o coronavírus causou uma verdadeira revolução nas relações sociais.

Para discutir como esse novo mundo está atingindo os líderes das empresas, participaram do IT ForOn Series desta quinta-feira (28) Miguel Setas, CEO da EDP no Brasil; e Adrian Ferraz, Culture & Digital Transformation Architect, da Microsoft. O debate foi mediado por Vitor Cavalcanti, sócio-diretor da IT Mídia.

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Novos horizontes

Antes de qualquer discussão sobre liderança, Miguel Setas acredita que é preciso reavaliar os reflexos da pandemia como um todo, inclusive nas corporações. “No nosso caso (da EDP), nossa prioridade é a saúde das pessoas. Depois, a empresa e, em terceiro lugar, o que podemos fazer pela sociedade. Todas as crises têm um reflexo financeiro, mas essa, especialmente, afeta a todos como sociedade”, diz.

O CEO acredita que essa particularidade desta crise faz com que líderes empresariais repensem também seus papeis nas organizações. “Na nossa empresa, estamos reavivando uma discussão para uma nova ética. Quando isso acabar, não será um ‘novo normal’, mas um recomeço, uma nova forma das organizações interagirem com a sociedade e o meio ambiente. Será uma mudança profunda de hábitos”, acredita.

Para Adrian Ferraz, o momento é para repensar também as relações entre líderes e liderados, pares e superiores dentro de uma organização. “Essa mudança está ligada ao estilo de gestão ao qual já estamos acostumados há muito tempo, com comando e controle forte, muito visual. O novo modelo de trabalho é mais responsivo, os gestores sentem a perda de controle muito forte. É algo que a gente tem que se acostumar, e saber lidar com essas competências é chave para o líder do futuro.”

Formas de trabalho

Desde o início do ano, empresas do mundo inteiro se viram na necessidade de alocar toda sua força de trabalho para o modelo de home office, mesmo aquelas que não tinham uma cultura voltada ao trabalho remoto. Ao fim da pandemia, os executivos acreditam que as companhias terão que se adaptar ao modelo híbrido, entre home office e presencial, e ressignificar escritórios.

Na sede portuguesa da EDP, os funcionários já podem regressar ao escritório de forma voluntária. Entretanto, por medidas de segurança, o distanciamento mínimo das estações de trabalho é de dois metros. Miguel diz que, por ser inviável manter um escritório com 80% do espaço vazio, a companhia está pensando em novos modelos de trabalho.

“Não há equivalência para as relações humanas, nada substitui a presença física no escritório. Agora, o escritório vai ser um espaço de relacionamento, não um espaço de trabalho, para podermos manter um contato físico. Pode não ser um modelo de escritório centralizado, que sobrecarrega regiões das cidades onde estão os escritórios”, diz. Para o Brasil, a companhia estuda criar espaços alternativos para contato entre os colaboradores.

Além do espaço físico, outra grande preocupação que da liderança é sobre monitorar de forma eficiente o trabalho remoto e saber como anda a produtividade dos colaboradores em casa. “A tecnologia ajudou muito nesse sentido, a própria Microsoft tem ferramentas que ajudam esse controle. Acredito que o contato pessoal não é substituível através da tecnologia, é uma mudança de hábito muito grande. Mas tem um lado positivo nisso, que é poder monitorar a organização, saber quem tem mais dificuldade com uso de ferramenta, como as áreas estão se relacionando. Essa visão dá um conforto para os gestores e propicia ao funcionário a possibilidade de estruturar seu trabalho e gastar melhor seu tempo”, pontua Adrian.

Papel do CIO

Com a crise, o papel do CIO vem ganhando cada vez mais relevância. Para Miguel, o coronavírus tornou obrigatória a adoção massiva de ferramentas digitais em todas as áreas de negócios. “Víamos a tecnologia como habilitadora para criação de processos, contato com o cliente final, experiência do consumidor e dos colaboradores. Agora, a crise veio explorar a adoção universal e irrestrita de ferramentas digitais.”

Para Adrian, “os CIOs têm ima participação cada vez mais importante, são mais parceiros de negócios. O que antes era visto como área de apoio, agora é visto como área estratégica, que auxilia muito na tomada de decisão. O CIO, trazendo conhecimento e habilitando tecnologia pras áreas de negócio, se torna estratégico.”

Qualificação

Com um novo mundo, torna-se necessária também a capacitação de líderes e liderados para os desafios que virão com a nova realidade. “Nós acreditamos muito na iniciativa privada para empurrar esse processo de requalificação de forma responsável. Isso nos levou a montar o Movimento Brasil Digital, por exemplo. Essa digitalização está caminhando e não há como voltar atrás. A digitalização não pode vir para tirar o emprego das pessoas, mas para aumentar as capacidades humanas. Preciso trabalhar para movimentar pessoas para outras funções, tirar de movimentos mecanizados que podem ser feitos pela máquina”, garante Miguel.

Sobre a Microsoft, Adrian afirma que a companhia está em constante movimento para aprimorar profissionais, com programas de formação públicos e gratuitos.”A principal habilidade que todo mundo precisa ter a partir de agora é o growth mindset. É a capacidade de aprender, desaprender e reaprender rapidamente. Isso é uma competência não só do líder, mas pra todos os profissionais daqui pra frente”, completa.

Confira o episódio na íntegra:


Para assistir a todos os episódios do IT ForOn Series, acesse o canal no YouTube do IT Forum 365.

O próximo episódio tem como o tema “Ética em Inteligência Artificial”, e receberá Tania Cosentino, presidente da Microsoft Brasil, e Gil Giardelli, professor, inovador e fundador da 5Era. Inscreva-se aqui para assistir ao vivo, dia 2 de junho, às 17h.

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Redação
Tags: it foronIT ForOn Seriesliderança
6 years ago

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