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Inovar é fundamental ou o significado para CIO será Career Is Over…

Ao
longo da história, as inovações tecnológicas sempre influenciaram e muitas
vezes causaram rupturas em negócios estabelecidos. Nas últimas décadas, e mais
precisamente na última década, o ciclo de inovações se acelerou muito.

Nesta nova sociedade digital, os ciclos
acelerados fazem com que empresas líderes de um ciclo não tenham a sua
sobrevivência garantida no próximo. Com a crescente digitalização da sociedade,
todos os setores de negócio passam a ser afetados em maior ou menor grau pela
tecnologia digital.

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Em setores altamente competitivos, como a
da própria tecnologia digital, os líderes de hoje não o eram há dez anos atrás
e provavelmente serão substituídos na líderança por outras empresas daqui a dez
anos.

Olhando o passado recente vemos, por exemplo,
que empresas líderes da era dos minicomputadores como a Digital perderam seu
espaço e desapareceram. Uma das líderes substitutas da Digital na era seguinte,
a Sun Microsystem,  também desapareceu. E
estamos falando de períodos de pouco mais de duas ou três décadas.

Mesmo em setores mais conservadores, de
ciclos de inovação mais lentos,  como
commodities (mineração é um exemplo), o surgimento de ruptores como a Internet
das Coisas pode afetar e mesmo mudar modelos de negócios tradicionais.

Alguns exemplos de ruptura tecnológica em
outros setores são bem marcantes como o avanço da tecnologia VOIP sobre os
serviços de voz das empresas de telecomunicações, o iPhone derrubando a então
líder do setor de celulares, a Nokia, as empresas japonesas, símbolos da eletrônica
de consumo da década passada como Sony e Toshiba sendo substituídas por outras
marcas, como Apple, Samsung e LG, e a centenária Kodak líder dos filmes
químicos,  perdendo o trem das
fotografias digitais.

O segredo para se manter no mercado é inovar
continuamente e um exemplo bem conhecido de uma empresa que se renova
sistematicamente é a IBM. Foi líder na época dos mainframes, entrou no setor de
minis com o AS/400 e os sistemas Power, praticamente criou a indústria de PCs e
seus clones, se transformou em uma empresa de serviços e agora está se
reinventando para uma empresa fortemente voltada para analytics e computação
cognitiva.

Outro exemplo notável é a Apple, que de
quase extinta passou a líder de vendas de musicas digitais e criou novos segmentos
como smartphones e tablets.

Portanto, está fora de questão questionar
que inovação é fundamental e que tecnologia é um dos principais fatores de
ruptura de qualquer setor de indústria. Mas inovar não é uma tarefa simples.
Cria desconforto e receio de 
autocanibalização. E uma reinvenção radical, estilo “destruição
criativa”,  como proposta por Joseph
Schumpeter, é criar uma situação de alto risco, que nem todas empresas e executivos
querem vivenciar.

Infelizmente, mesmo para as empresas
conservadoras, uma ruptura tecnológica pode colocar em risco a sobrevivência do
próprio setor. Vide as gravadoras da indústria da musica e as enciclopédias…
No modelo da sociedade industrial, os setores de negócio eram bem estabelecidos
e os líderes olhavam para trás, como em uma pista de corrida, para ver a que
distância estavam seus competidores. Na sociedade digital, o concorrente pode
vir de fora da pista,  bater em seu carro
e simplesmente jogar você para fora da corrida.

Mas, apesar da importância da tecnologia,
os setores de TI não estão tendo boa cotação como inovadores. Uma pesquisa do
Gartner de 2012, chamado de “CEO Concerns and the IT implications”, mostrou
dados preocupantes. Para as perguntas “Who has primary responsibility for
leading your organization’s innovation management program?” e “Which two roles
most closely support the CEO in strategic changes to your business?” o setor de
TI apareceu em oitavo lugar. Claramente existe um gap entre a percepção da
importância da inovação pela tecnologia digital pelas empresas e seus
executivos, e o atendimento destas demandas pelos setores de TI.

Quais seriam as causas? Uma delas é que nas
últimas décadas o setor de TI foi basicamente considerado e cobrado por
otimização e redução de custos. Inovar não esteve na prioridade dos CIOs e da
TI. A consequência é que os líderes de TI não são vistos como orientados ao
negócio, mas sim como especialistas em tecnologia. Os setores de TI, com raras
exceções, não são vistos como incubadores de inovações tecnológicas. Uma análise
rápida do budget da maioria dos setores de TI mostra que a parcela destinada à
inovação e exploração tecnológica é zero ou próxima de zero.

Esta mesma pesquisa do Gartner mostra esta
situação quando analisamos a importância estratégica da TI quando olhamos seu
posicionamento na estrutura organizacional das empresas. Analisando para quem
os CIOs se reportam e o porque, vemos que apenas pouco mais de 1/3 das empresas
pesquisadas colocavam TI diretamente conectada ao CEO. As razões para isso são
a clara compreensão que TI é estratégica, de missão critica e tem impacto
direto no negócio. Os restantes 2/3 subordinavam TI ao CFO, COO ou outra área
operacional. E as razões são as que ouvimos mais comumente: TI é suporte e não
estratégica e seu papel é otimizar e reduzir custos operacionais. Em muitas
destas empresas a maioria dos grandes projetos de TI concentra-se em
implementar sistemas de controle como ERP e correlatos.

A consequência foi a consolidação de um
modelo de mindset onde TI concentrou-se em cumprir com louvor a automação dos
processos de back-office, buscar redução de custos e aumentar a eficiência
operacional das empresas.

Com o gap entre as  expectativas de inovação dos executivos com a
atuação de TI começamos  ver experiências
alternativas como a criação de funções como CDO (Chief Digital Officer) para
ser o líder das transformações digitais das empresas, relegando-se ao CIO e ao
setor de TI a responsabilidade de manter o legado e os sistemas de controle.

Não creio que a ampliação do número de C-level
nas empresas seja a solução, mas que os CIOs e os CEOs atuem de forma
colaborativa. Isto demanda, por parte do CIO, um repensar de seu papel e da sua
área de TI. Por parte das organizações, compreender que a área de TI é muito
mais que um setor operacional e tático mas que deve estar inovando e
colaborando pró-ativamente para as estratégias do negócio. Sem dúvida qualquer
estratégia de negócios hoje passa por uma ampla e inovadora utilização da
tecnologia digital, e parece natural que comecemos a ver o setor de TI sendo
conectado diretamente ao CEO e sendo rebatizado de “IT & Strategy”, por
exemplo.

Este novo posicionamento implica a TI
começar a desenvolver soluções inovadoras, fazer experiências com tecnologias
ainda emergentes e contribuir com ideias e sugestões para alavancar novos
processos, produtos e mesmo novos modelos de negócio. Deixar o papel secundário
de apenas implementar a tecnologia que as áreas de negócio desejam para suas
propostas de inovação. Em seu budget aparece agora verba para experimentações e
deixa de ser unicamente avaliada pelo tradicional modelo de medição do seu
percentual de custo relativo  à receita
da empresa, substituída pela métrica de quanto de receita TI pode gerar por
real ou dólar investido. TI deixa de ser custo e passa a ser potencial gerador
de receita.

Mas, passar da teoria à prática não é
simples. Demanda novo pensar tanto da empresa quanto dos CIOs. Demanda novas
capacitações na área de TI (e um novo perfil de CIO) e uma ruptura com os
paradigmas atuais.   Exige budget para
experimentações e mesmo criação de estruturas organizacionais diferentes. Não
seria demais pensar em um setor de inovação que atuasse como uma startup para
se livrar das amarras e burocracias que uma grande empresa mantém em seus
complexos processos de negócio, muitas vezes inibidores de inovações.

A mentalidade de inovar tem que ser
permeada pela empresa e pela TI. E mentalidade de inovar não são posts na
parede e um eventual “Innovation Day”. Estes devem ser apenas sinalizadores de
um novo pensar, de inovação contínua e colaborativa. O incentivo ao uso de
ferramentas de colaboração e mídias sociais rompe com ideias preconceituosas
que uso destas tecnologias como o Facebook ou Twitter são contraproducentes.

O uso de brain-storms virtuais como jams é
uma boa maneira de incentivar a inovação colaborativa.  Recomendo acessar o artigo “Make your next
innovation jam work”, publicado pela Harvard Business Review.
E também as experiências da IBM em jams.

TI e a própria empresa têm profissionais
que usam tecnologia intimamente. A geração digital tem muita intimidade com
tecnologia e não precisa estar trabalhando no setor de TI para criar soluções
tecnológicas inovadoras. Competições estilo hackathons podem e devem ser
incentivadas. Também é essencial criar mecanismos que possibilitem que as
inovações, passem das ideias para protótipos e cheguem ao mercado. Porque não
pensar em um Innovation Lab ? Grandes empresas líderes de seus setores fazem
isso. Alguns exemplos são o Walmart Labs e  o Fidelity Center for Applied Technologies. Atuar mais intensamente com startups também ajuda
a arejar as ideias.

O resumo da história é simples: inovação é
fundamental e a sociedade digital está e vai continuar afetando as empresa de
forma dramática nos próximos anos. Os CIOs e os setores de TI têm que ser
redesenhados. Caso contrário o setor de TI, como vemos hoje, estará moribundo e
o CIO, em vez de ser um Chief Innovation Officer, será sigla de Career Is
Over…

 

(*) Cezar
Taurion
é diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil

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Published by
cristina.deluca
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