Série Inovadores pelo Mundo: a chegada da telemedicina brasileira em solo italiano

Facilitando a entrada de novas ideias no governo italiano, Guilherme Arthur Cerioni coordena implantação de cabines de telemedicina no País

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Pessoa vestindo uma camisa social branca e uma gravata azul com padrão discreto, sentada diante de um fundo claro e uniforme. A pose é formal, sugerindo um retrato profissional ou corporativo. (telemedicina)
Guilherme Arthur Cerioni, Chief Growth Officer (CGO) da Iron Italia SRL (Imagem: reprodução/WhatApp)

Quando decidiu se mudar para a Itália em meados de 2021, Guilherme Arthur Cerioni não esperava se deparar com um cenário de saúde pública precário e desatualizado. A expectativa, ao deixar o Brasil com a esposa e seus três filhos, era de encontrar uma qualidade de vida melhor, o que, neste campo, não se tornou verdadeiro. “Quando você pensa em primeiro mundo, você pensa que as coisas funcionam, mas a saúde pública do Brasil, de fato, funciona muito melhor do que a saúde pública daqui.”

Acostumado a trabalhar com o setor após cerca de dez anos dentro do Governo brasileiro, o executivo passou então a fazer contatos para compreender melhor como funcionava a política do País e viu ali uma oportunidade de contribuir, auxiliando na modernização da medicina na região dos Alpes italianos. A ideia era tornar possível a chegada de cabines de telemedicina nas localidades e, assim, o atendimento da população.

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“Eu achava um absurdo que essa zona de montanha, não tem atendimento médico. Ninguém quer morar ali, assim como eu vi acontecer no norte do Brasil. E aqui além de não existir um incentivo pra isso, a população é muito envelhecida, inclusive os médicos. Nesse sentido, a tecnologia era a principal aliada”, argumenta.

Para tornar seu projeto possível, Cerioni começou pelo que sabia fazer de melhor: peregrinando por ministérios. Formado em Direito e em Psicologia, no Brasil, sua atuação junto ao governo se dava por um cargo técnico, no qual ele ajudava na conversa entre prefeituras e ministérios para viabilizar projetos de inovação. O caminho, na Itália, parecia ser similar ao brasileiro.

“A política italiana é bem parecida com a política brasileira. E quando eu fui passando pelos ministérios, todo mundo ficou doido, como se a telemedicina fosse uma coisa de outro mundo. E daí comecei a subir do Secretário de Saúde até chegar aos Governadores das quatro regiões aqui de cima”, conta.

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O próximo passo era então, buscar uma empresa que pudesse estar na outra ponta desta conversa. A escolhida foi a Iron Italia SRL, companhia de telemedicina na qual atua hoje como chief growth officer (CGO) em Bergamo. Em conjunto com a organização, Cerioni ampliou a ideia de telemedicina, desenvolvendo uma cabine que tornava possível não apenas o contato com o médico, mas também as medições e exames necessários em alguma emergência.

“É como se fosse uma cabine tipo telefônica, mas é um quarto, porque cabe uma cama e toda a aparelhagem de medição. Então tem aparelhos que examinam garganta, ouvido, temperatura, pressão e tudo mais, para o médico já avaliar à distância, enquanto faz a consulta”, explica.

Com o projeto pronto, e as conversas iniciadas, o executivo foi então convidado pela Iron para representar a empresa no país. Atualmente, ele coordena o time que desenvolve a proposta e a ampliação da unidade na região. Até o momento, as cabines se encontram apenas em Piemonte, na Lombardia.

No entanto, segundo Cerioni, o plano é que todas as cidades na região dos Alpes italiano seja beneficiada. “Vamos iniciar agora em Friul-Veneza Júlia e ainda esse ano queremos colocar em Veneto”

Para além do novo emprego e dos aprimoramentos na região, quando fala do projeto, o que mais traz orgulho à Cerioni foi a união de um ecossistema e a possibilidade de trazer mudança por meio da eficiência, algo que ele acredita ser o cor da tecnologia e de seu trabalho.

“Acredito que o verdadeiro sucesso veio dessa união que o projeto trouxe, nesse esforço multissetorial. E agora, por meio da tecnologia, as coisas podem ficar mais claras, mais transparentes, e principalmente, mais céleres”, conclui.

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Sobre o Autor

Bella Winckler Matrone é repórter do IT Forum. Formada em jornalismo pela PUC-Campinas, desde 2018 se dedica a pautas ligadas à temas ESG, com forte ênfase ambiental. Possui passagens pela TV Record e assessorias de imprensa de instituições como a CUFA (Central Única das Favelas) e a Garena, com o jogo Free Fire. Atua no IT Forum, cobrindo tecnologia e inovação, desde 2024.

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