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Ignorar cultura é renunciar à competitividade na era da IA

Paulo Marcelo, CEO da Solutis. Foto: Divulgação

Por Paulo Marcelo*

Falar de cultura organizacional é falar de sobrevivência. Isso porque ela deixou de ser um conceito abstrato para se tornar um imperativo estratégico. Segundo levantamento da Gallup, apenas 30% dos trabalhadores se sentem engajados em seus empregos. Diante desse dado, ignorar a cultura é renunciar à competitividade.

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A consequência é clara: rotatividade elevada, custos crescentes e produtividade em declínio. O mesmo estudo da Gallup revela que empresas com culturas fortes crescem até quatro vezes mais em receita do que aquelas com culturas frágeis. Cultura, portanto, não é um tema “soft”. É um ativo que impacta diretamente os resultados do negócio.

Os desafios são muitos e urgentes. O estudo “Saúde mental corporativa em pauta”, publicado pela Gupy, indica, por exemplo, que a exaustão emocional atinge 64% dos profissionais semanalmente. Líderes estão sobrecarregados e, segundo 75% dos gestores de RH, não se sentem preparados para conduzir transformações culturais.

As microculturas internas tornam a gestão ainda mais complexa, e a inteligência artificial (IA), embora promissora, gera ansiedade: quase metade dos profissionais teme perder o emprego para a IA nos próximos cinco anos.

O relatório da Gallup 2024 mostra ainda que os maiores declínios de engajamento estão ligados justamente a aspectos humanos: apenas 46% dos profissionais afirmam saber claramente o que se espera deles no trabalho (queda de dez pontos em relação a 2020).

Além disso, somente 39% sentem que alguém realmente se importa com eles como pessoa, e apenas 30% dizem que alguém os incentiva a se desenvolver. Esses dados reforçam um ponto essencial: as pessoas buscam clareza, conexão e crescimento, e os gestores, tão pressionados quanto suas equipes, têm cada vez mais dificuldade em oferecer isso.

Cultura muito além do discurso

Esse cenário exige a construção de uma cultura muito além do discurso. É preciso intencionalidade, investimento em pessoas e clareza de propósito. Algumas organizações estão respondendo a esse desafio com uma abordagem ousada: colocar a inteligência artificial no centro da cultura, não como substituta de pessoas, mas como catalisadora de inovação, aprendizado e crescimento humano.

Essa cultura AI First se manifesta em ações concretas, como a formação de líderes capazes de conduzir equipes em ambientes de mudança constante, o desenvolvimento de influenciadores internos que traduzam estratégia em prática, a capacitação em larga escala para preparar os times em novas habilidades e a promoção da inovação coletiva por meio de projetos que conectam cultura à entrega de valor.

Portanto, a abordagem não é sobre tecnologia, mas sobre pessoas preparadas para colaborar com ela. Os impactos são tangíveis: entregas mais ágeis e inovadoras para os clientes, mais empregabilidade e propósito para os colaboradores e mais sustentabilidade e crescimento para as empresas.

Em um mundo onde a falta de engajamento custa US$ 8,8 trilhões em produtividade perdida, segundo o estudo State of the Global Workplace, também da Gallup, investir em cultura é mais do que necessário, é urgente. E a boa notícia é que já existem caminhos claros para isso.

O futuro da cultura organizacional será definido por quem tiver coragem de colocar pessoas no centro e por utilizar a tecnologia como estratégia de alcance, engajamento, entrega de valor e diferenciação. Empresas que integram pessoas, dados e propósito constroem ecossistemas vivos, capazes de aprender, inovar e se adaptar com velocidade. O futuro pertence a quem entende que pessoas e tecnologia convergem. E dessa convergência nasce o novo motor do crescimento sustentável.

*Paulo Marcelo é CEO da Solutis

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Published by
Deborah Oliveira
Tags: culturaIAinteligência artificialSolutis
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