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O futuro das identidades digitais: Netbr e Customer Futures apostam no ‘empoderamento do consumidor’

Imagens: divulgação

Durante décadas, as empresas guardaram os dados dos clientes como quem tranca um cofre. A promessa sempre foi de segurança e conveniência. Mas a conta veio alta: vazamentos, fraudes, uso indevido das informações. Agora, um movimento tenta virar essa lógica de cabeça para baixo. A proposta é simples, pelo menos no papel: devolver ao usuário o controle sobre sua própria identidade digital. É nessa frente que atuam a brasileira Netbr e a britânica Customer Futures.

A parceria entre as duas empresas quer expandir o uso de wallets descentralizadas, um modelo em que os dados do usuário não ficam armazenados em servidores corporativos, mas sob sua posse. “A identidade do consumidor sempre foi um ativo das empresas. Agora, queremos que ela seja um direito administrado pelo próprio usuário”, afirma André Facciolli, CEO da Netbr.

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A ideia ganha força no momento em que grandes plataformas digitais enfrentam resistência crescente por acumularem informações pessoais. Segundo o Gartner, meio bilhão de pessoas terão uma wallet digital até 2026. Projeções do Google Intelligence indicam que, até o fim da década, 4,5 bilhões de indivíduos terão uma identidade digital emitida por governos ou empresas, sendo que 1,5 bilhão usará alguma wallet. O modelo pode alterar a dinâmica do setor financeiro, do comércio eletrônico e até das relações entre cidadãos e governos.

Leia também: Negócios de impacto: como transformar propósito em resultados?

Identidade digital e a disputa por soberania

O avanço das identidades digitais não é apenas uma questão de tecnologia, mas também de controle sobre os dados. Facciolli vê a digitalização como parte de um processo maior que inclui o Open Finance e o Drex, a moeda digital do Banco Central. “O movimento não se resume à modernização. Ele reduz custos e amplia o acesso dos cidadãos a serviços antes restritos”, explica.

Na Europa, a identidade digital ganhou força por um caminho curioso: a pressão da própria sociedade civil, e não apenas por imposição do Estado. “O movimento partiu de organizações que defendiam a soberania do usuário sobre seus dados. Não foi um projeto exclusivo dos governos”, afirma Jamie Smith, CEO da Customer Futures.

Estudos associam essa mudança a benefícios econômicos diretos. Uma pesquisa da McKinsey estima que países com infraestrutura de identidade digital bem estruturada podem aumentar seu PIB entre 3% e 13%. “Saber exatamente quem é o cliente reduz fraudes, melhora o comércio e impulsiona a inovação”, diz Smith.

O risco dos monopólios digitais

A descentralização das identidades digitais resolve um problema, mas pode criar outro: a formação de novos monopólios. Para evitar essa armadilha, Smith defende que o modelo siga a lógica de protocolos abertos. “O e-mail funcionou porque qualquer empresa pode operar um servidor. A web cresceu porque qualquer um pode criar um site. Precisamos do mesmo princípio para as wallets digitais”, afirma.

A preocupação não é infundada. Em países como a Índia, o governo centralizou a identidade digital de um bilhão de pessoas em um único sistema. Na Europa e nas Américas, a estratégia é outra: dividir a infraestrutura para reduzir riscos de fraudes e vazamentos. Mesmo assim, a estrutura de mercado pode levar à concentração de poder. “No fim das contas, qualquer empresa pode criar um provedor de e-mail, mas a maioria das contas está concentrada em cinco grandes empresas”, alerta Smith.

O que acontece com as wallets digitais depende das regras que serão estabelecidas agora. Sem protocolos abertos, há o risco de que poucas empresas dominem o setor e passem a ditar as condições de acesso.

O Brasil e os próximos passos

A Netbr e a Customer Futures planejam lançar projetos no Brasil. Facciolli aposta que setores menos regulados, como varejo e e-commerce, adotarão a identidade digital descentralizada mais rapidamente. Já áreas como o setor financeiro podem demorar mais, devido a exigências regulatórias. “Na Europa, grandes plataformas como Amazon e Meta foram obrigadas a aceitar credenciais digitais. No Brasil, veremos primeiro aplicações em fidelização e personalização de serviços antes da adoção em larga escala no setor bancário”, prevê.

Para Smith, a identidade digital descentralizada resolve um dilema antigo: como garantir segurança sem prejudicar a experiência do usuário. “Hoje, se um sistema é seguro, ele é burocrático. Se é ágil, não é seguro. Com wallets descentralizadas, podemos ter as duas coisas: segurança reforçada e um processo rápido, como abrir uma conta bancária em dois cliques”, conclui.

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Published by
Pamela Sousa
Tags: Customer FuturesNetbr
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