IA pressiona consumo de energia, mas pode ajudar a modernizar a rede elétrica

Especialistas apontam que data centers já elevaram em 80% a demanda desde 2020; promessa é que a IA torne o sistema mais eficiente

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Imagem: Shutterstock

A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) está elevando a demanda global por energia elétrica em um ritmo sem precedentes, segundo reportagem da MIT Technology Review. De 2020 a 2025, o consumo dos data centers aumentou 80%, e a previsão é que essa curva continue crescendo, pressionando redes locais e provocando aumento nas tarifas de eletricidade, especialmente em regiões com alta concentração de centros de processamento.

Apesar desse cenário de maior gasto energético, empresas de tecnologia e pesquisadores defendem que a IA pode se tornar um aliado do setor elétrico. A promessa é de que algoritmos avancem em áreas como previsão de demanda, integração de energias renováveis, automação de estudos de interconexão e monitoramento de falhas em tempo real.

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Hoje, operadores do sistema precisam prever com horas ou até dias de antecedência a quantidade de energia a ser gerada, levando em conta fatores como clima, sazonalidade e comportamento de consumo. Modelos de IA estão sendo usados para refinar essas previsões, reduzindo perdas e permitindo um equilíbrio mais próximo entre oferta e demanda.

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Segundo especialistas como Kyri Baker, professora da Universidade do Colorado, a tecnologia pode resolver cálculos complexos em tempo hábil, permitindo reduzir emissões ao operar o sistema com maior precisão. Ainda assim, o setor é cauteloso: a operação totalmente autônoma da rede segue em fase de pesquisa e, se adotada, deve manter supervisão humana.

Agilidade para conectar novas usinas

Outro gargalo em países como Estados Unidos e membros da União Europeia está na fila de interconexão, que reúne milhares de projetos de energia renovável aguardando análise para se conectar à rede. Esses estudos são complexos e podem levar meses, atrasando a entrada de novas fontes limpas.

Operadores como o Midcontinent Independent System Operator (MISO), que cobre 15 estados nos EUA, já testam soluções de IA em parceria com startups para acelerar relatórios e reduzir a burocracia. Quanto mais rápido esses processos avançarem, mais energia renovável poderá ser incorporada ao sistema.

Entre a promessa e a realidade

Além de previsões e planejamento, há aplicações emergentes, como uso de visão computacional para detectar falhas em linhas de transmissão ou risco de incêndios, e algoritmos para gerir usinas virtuais formadas por carregadores de veículos elétricos e aquecedores inteligentes.

Ainda assim, há quem mantenha cautela. O professor Panayiotis Moutis, do City College of New York, ressalta que os custos crescentes da infraestrutura para sustentar cargas de IA ainda superam os benefícios já demonstrados no setor elétrico. A demanda de energia dos data centers deve dobrar até o fim da década, alcançando 945 terawatts-hora, o equivalente ao consumo anual do Japão.

Enquanto a promessa é que a inteligência artificial ajude a reduzir desperdícios e a acelerar a transição energética, os impactos imediatos mostram que a revolução digital também traz riscos de sobrecarga e preços mais altos para consumidores.

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A redação contempla textos de caráter informativo produzidos pela equipe de jornalistas do IT Forum.

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