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Renan Martins, head de tecnologia da Thoughtworks Brasil
Aproximadamente 90% dos dados nunca são acessados três meses após serem armazenados pela primeira vez e as companhias analisam, normalmente, apenas 10% de seus dados, de acordo com Renan Martins, head de tecnologia da Thoughtworks Brasil.
Em sua palestra “Green Cloud optimization: lucrativo para sua empresa e para o planeta”, no IT Forum Trancoso, o especialista alertou sobre o hábito do excesso no meio digital. O primeiro pensamento das empresas, segundo o especialista, é que ao ir para a nuvem, há sustentabilidade. E, apesar de isso fazer sentido, visto que os grandes provedores de nuvem possuem eficiência energética, há outras responsabilidades.
Enquanto o provedor tem em seu “guarda-chuva” a fonte de energia e eficiência energética, o contratante deve pensar em seu número de servidores; requests, payloads e caching; linguagens, frameworks, algoritmos, entre outros.
No entanto, ainda que a sustentabilidade da infraestrutura seja possível de medir, isso não acontece no desenvolvimento de software. “Pensando em todo o ciclo de desenvolvimento de software, desde a escolha de linguagem de programação, escolha de frameworks, qual algoritmos usar, nós temos que pensar: quão sustentável é o software? Quão sustentável é o ciclo de vida desse desenvolvimento? Essas perguntas são difíceis de serem responsáveis hoje, diferente do mundo de infraestrutura. Ainda está no mundo da academia”, comenta Renan.
Segundo ele, para responder essas perguntas, é preciso responder perguntas mais fundamentais: o que faz um software ser sustentável? Qual ferramental existe? Que tipo de competência eu preciso ter internamente na minha organização? Qual tipo de treinamento eu preciso oferecer para elevar a conscientização sobre sustentabilidade?
Ter essa preocupação faz a diferença. A maior parte das empresas está olhando para o seu impacto direto no meio ambiente – mas não o indireto. “Hoje, não há muito requisito formal e regulatório para reportes de emissões de carbono de escopo 3 – que são emissões indiretas do nosso negócio. Quando contratamos um provedor de nuvem, aquelas emissões que serão feitas no data center, não há necessidade de reportarmos as emissões de carbono. Quando viajamos a negócios, esse consumo indireto também não é contabilizado na nossa empresa”, explica Renan.
Para se ter noção do quanto o digital pode consumir, a internet será em breve responsável por 1 bilhão de toneladas de CO² ou 10% do uso de eletricidade global. Se a internet fosse um país, seria o sétimo maior emissor de carbono.
“O aumento da urgência e conscientização da população aumenta a pressão sobre os negócios. Essa pressão vai crescer para empresas de tecnologia. Logo, vamos ter conversas mais urgentes porque as ações digitais possuem um impacto e os hábitos de desperdício estão sendo replicados no digital”, alerta o especialista.
Ter um olhar sustentável não é bom apenas para o meio ambiente. De acordo com Renan, os principais benefícios para a organização são: melhorias no processo de desenvolvimento; redução de emissões; atender às expectativas de consumidores; atração e retenção de talentos; redução de custos; atender às expectativas de investidores.
“Nós [profissionais de tecnologia] precisamos não só ter uma resposta sobre como a tecnologia vai apoiar esse movimento, mas como a organização tem que ser mudada para considerar a sustentabilidade. Precisamos criar metodologia e processos para criar o impacto nas organizações e balancear o que está acontecendo com essas decisões”, resume Renan.
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