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“Nós ficamos para trás em inovação”, diz novo CEO da Intel

Imagem: Divulgação/Intel

Em sua primeira fala pública desde que assumiu a liderança da Intel Corporation, Lip-Bu Tan, CEO, reconheceu, nesta segunda-feira (31), que a companhia enfrenta desafios em seus negócios e foi lenta para se adaptar às exigências dos clientes e consumidores. “Nós ficamos para trás em inovação”, disse o executivo durante a abertura do Intel Vision, conferência voltada para clientes e parceiros da empresa que acontece nesta semana.

Tan assumiu o cargo de CEO no dia 12 de março com a missão de conduzir a recuperação das operações da gigante norte-americana de chips. Antes de ingressar na organização, liderou a Cadence Design Systems, multinacional especializada em soluções de design de software e hardware.

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Sua gestão na Cadence foi pautada na transformação cultural da empresa. Ao longo de 15 anos, o executivo priorizou a inovação e contribuiu para resultados expressivos – a Cadence mais que dobrou sua receita nesse período. Além de outras experiências, Tan também integrou o conselho da Intel por dois anos.

À frente da nova corporação, o plano é justamente apostar na retomada da capacidade de inovação da companhia. Isso começa pelo capital humano. “Uma das minhas prioridades é reter e recuperar talentos em engenharia, que impulsionam a inovação e o crescimento”, afirmou. “Acredito que a Intel perdeu parte desse talento ao longo dos anos. Quero criar uma cultura de inovação e empoderamento.”

Tan, que se define como um “engenheiro de coração”, reforçou que a Intel se tornará uma organização com foco em engenharia. Isso será possível por meio de uma transformação cultural que pretende implementar na companhia, priorizando eficiência, simplificação da estrutura – com uma “cultura de startup” – e liberdade para engenheiros e arquitetos explorarem suas ideias. “Quero investir em pessoas e projetos nos quais enxergamos potencial inovador.”

Ele classificou ainda a Intel como uma empresa “icônica e essencial” para a indústria de tecnologia e para os Estados Unidos. “Foi muito difícil para mim assistir às dificuldades da companhia. Simplesmente não posso ficar de fora, sabendo que poderia ajudá-la a se reerguer”, concluiu.

Áreas estratégicas

A visão do novo CEO da Intel para a retomada dos negócios aposta em algumas áreas estratégicas de investimento. A primeira delas, sem surpresa, é a IA. “A IA está gerando uma mudança completa de arquitetura no setor de computação – especialmente na computação em nuvem.”

Ele enxerga a oportunidade de a Intel ser a tecnologia por trás dos “centros de controle” de IA, ou seja, a infraestrutura na qual sistemas de agentes de IA irão operar. A companhia também buscará atuar na expansão da IA para o mundo físico, na nova fronteira dos “robôs humanóides”. “Isso redefinirá setores, do automotivo à manufatura”, destacou. “Tenho experiência nessa área. Fiquem atentos – da perspectiva da Intel, isso criará grandes oportunidades no futuro.”

Tan afirmou ainda que a empresa irá reformular parte de sua estratégia, realizando o “spin-off” de algumas de suas operações para poder concentrar esforços no core business. Isso inclui uma nova filosofia de design de produto, com uma abordagem centrada em software e apoiada por capacidades de desenvolvimento com IA.

Leia também: Intel anuncia recursos para acelerar desenvolvimento de ‘IA de borda’

“Acredito que podemos desempenhar um papel relevante no avanço do silício customizado para aplicações específicas”, avaliou.

O executivo também ressaltou que sua chegada não impactará a estratégia de produtos do segmento de client computing da empresa. Segundo ele, a geração Panther Lake de processadores segue prevista para o segundo semestre deste ano. Já os chips Nova Lake ficarão para o ano que vem.

Na frente de data centers, Tan também reconheceu que a organização perdeu sua posição de liderança. Parte do plano da companhia para reconquistar esse mercado envolve o investimento em talentos. Entre os objetivos estão melhorias de desempenho e eficiência, além da redução do custo total de propriedade (TCO), permitindo que empresas possam escalar capacidades de IA em estruturas baseadas nas tecnologias da companhia.

“Nosso portfólio mais recente de processadores Xeon é um passo na direção certa para fortalecer nossa competitividade”, comentou Tan, que vê um potencial promissor no segmento de CPUs voltadas à inferência de IA com maior eficiência.

Intel Foundry de classe mundial

Por fim, o CEO comentou sobre o objetivo de consolidar a iniciativa Intel Foundry como uma referência de classe mundial para atender à crescente demanda global por chips avançados. O plano é estabelecer uma cadeia de suprimentos flexível, resiliente e segura, além de buscar identificar oportunidades de crescimento e diferenciação.

Como sinal de avanço, Tan destacou que a tecnologia Intel 18A segue dentro do cronograma, com produção em larga escala prevista para o segundo semestre deste ano.

“Foundry é um negócio baseado em serviços – e precisa ser construído sobre uma base de confiança. Isso é fundamental. Cada cliente tem sua própria metodologia e estilo de design, e precisamos aprender com cada novo parceiro”, concluiu.

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Rafael Romer
Tags: IntelLip-Bu Tan
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