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Facebook corre o risco de ?implodir?, diz especialista

Em função do aniversário de 8 anos do Facebook, comemorado no dia 4 de fevereiro, decidimos republicar esta entrevista que foi feita em outubro do ano passado.

 

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Imagine uma bolha de chiclete: você assopra, assopra, assopra até ela ficar enorme, chamando a atenção de todos para seu tamanho. Quando atinge o ápice, ela estoura, grudando pedacinhos de chiclete por todo o seu rosto. Esse é o destino da rede social Facebook ? exceto pelos pedacinhos colados no rosto – , de acordo com o criador do Google AdSense (programa de gerenciamento de anúncios relevantes), Jeffrey M. Stibel, em entrevista exclusiva ao IT Web.

 

O especialista previu a derrocada do MySpace enquanto escrevia seu livro Wired for Thought (Conectado pelas Ideias, a ser lançado em breve no Brasil pela DVS Editora). Stibel, atualmente, é presidente da Web.com, uma empresa de capital aberto que ajuda empreendedores a iniciar e desenvolver seus negócios na web. Ele também é presidente da BrainGate, companhia especializada em implantes no cérebro que capacita pessoas para o uso do pensamento para controlar dispositivos elétricos.

Reconhecido por publicações internacionais, como Forbes e BusinessWeek, por ser um CEO de sucesso com menos de 40 anos, Stibel disse, em conversa pelo telefone, que a rede social de Mark Zuckerberg ? que já supera os 600 milhões de usuários ao redor do mundo ? terá o mesmo destino do MySpace: ficar tão popular a ponto de se tornar ineficiente para seu propósito inicial, o de conectar pessoas de forma eficiente (veja a evolução do número de usuários de ambas as redes sociais na imagem acima). Na visão do especialista, o futuro da web, cada vez mais, se mostra centrado em pequenas comunidades, e que, para ser uma rede social de sucesso no longo prazo, é preciso atingir, muito bem, determinados nichos. O complexo, portanto, não tem vez: e é neste ponto que o Facebook deveria aprender com o Google, na visão do especialista.

Durante o bate-papo, Stibel comentou ainda sobre a relação das pessoas com a web, e previu um futuro cada vez mais conectado ? e, as pessoas, cada vez mais sobrecarregadas com tantas informações. A perspectiva? Só tende a piorar.

Leia trechos da entrevista na sequência:

 

IT Web –  É possível para uma rede social existir para sempre?
Jeffrey M. Stibel  –
Sim, mas somente se ela evoluir. O problema é quando algo fica estático, porque quando falamos de uma rede social em particular, falamos de interação social.  Isso é interagir com cérebros, com pessoas. E cérebros evoluem – as pessoas evoluem e se adaptam. Se você  não se adaptar e evoluir, você morre. O Facebook teve uma história de evolução, o que é uma boa notícia para ele. Mas ele vai continuar fazendo isso? Somente o tempo poderá dizer.

 

IT Web –  Você falou sobre o MySpace e seu fim. E isso ocorria por causa do excesso de informação. Como desenvolver sem se tornar muito grande?
Stibel  –Você deve pensar em como simplificar a informação. . o problema na ciência do cérebro é que a informação sobrecarrega. Você e seu cérebro não são capazes de lidar com tanta informação e isso é a mesma coisa com redes sociais. Você não pode procurar por Bob Smith nos Estados Unidos no MySpace, porque haverá um número muito grande de resultados. O jeito que o Facebook e outras redes sociais melhores lidam com isso é criando redes de redes. Toda vez que o total de informações fica muito grande, ela é categorizada e simplificada. E é da mesma forma que o cérebro funciona. Uma maneira de lidar com muita informação é quebrá-la em informações menores.

 

IT Web –  Como customizar a rede social para permitir a interação e trazer uma boa experiência ao usuário?
Stibel  – Seguindo a interação social por ela mesma. A forma como você corta e divide é a forma que você verifica a interação destes indivíduos. Se existe um tópico que esteja mais famoso ? tomara que o Wired for Tought [seu livro] seja ele ? será uma forma boa de cortar a informação por grupos. E este grupo, por exemplo, falaria de interação do cérebro com a internet. O grupo pode ser baseado em universidades e colégios, por exemplo. Inicialmente você só poderia estar no Facebook se fosse de Harvard, e quando eles abriram para outras universidades, só permitiam que houvesse interação se as pessoas tivessem estudado juntas no colégio. Depois que foi abrindo…

 

IT Web ? Seria como o Google+? Nele existem os Círculos, pelos quais é possível fazer uma leitura mais simplificada de seus amigos e permitir que haja uma interação diferenciada para cada um deles…
Stibel  – É quase o que o Google+ esta fazendo. O interessante é que eu escrevi o meu livro antes de o Google+ ser inventado, mas é muito similar a isso em termos da necessidade de adaptação. Acredito que tenha utilizado a expressão de círculos centrais em meu livro, porque é a forma como o cérebro forma suas redes e interage com elas. Isso é incrivelmente inteligente, porque é a forma como a atividade de neurônios age no cérebro.

 

IT Web ? Talvez alguém então alguém do Google tenha lido seu livro antes do lançamento…
Stibel –[risos] …eu gostaria de pensar isso, mas é muita gentileza.

 

IT Web ? Quando você fala de conexões neurais, traduzindo isso para redes sociais, quantos amigos eu consigo ter em minha vida física e em uma rede social?
Stibel  – Em geral, uma rede trabalha razoavelmente bem com algo em torno de 150 a 200 ?notes?. Então são cerca de 150 amigos mais próximos. O que você encontra com computadores e internet é um número além disso, que acaba ruindo sozinho: sua interação passa a se tornar mais esparsa, menos profunda, e a rede social, por si só, começa a sofrer como um todo.

 

IT Web ? Eu, particularmente, sinto-me sobrecarregada com tantas redes sociais…
Stibel  – Eu sei que você se sente, eu também me sinto. Imagino que muitas outras pessoas passem pelo mesmo problema. Este é o problema da interação via redes sociais. Acho que uma das coisas que disse em meu livro é  sobre a queda do MySpace ? e na época que eu estava escrevendo o MySpace era maior do que o Facebook ? a queda foi porque ele se tornou muito grande. Sempre imaginamos que maior é melhor, mas isso não é verdade, porque o cérebro não fica maior. O mais importante é que você não quer interação demais, não quer muitos dados, não quer muito porque acontece o que você disse: ficamos sobrecarregados. Então, um dos maiores problemas que vão atingir todas as redes sociais ? seja a do Google, o Facebook ou a próxima nova coisa ? é que quando fica grande, grande ao ponto de funcionar extremamente bem, ele não consegue crescer mais e acaba implodindo. É isso o que acontece: você vê isso no cérebro, você vê que as atividades neurais, quando ficam muito grandes,  há explosões neurais, avalanches neurais, que é o que joga você de volta à uma linha base.

 

IT Web ? Mas quando eu falo de sobrecarga, eu me refiro não somente aos dados, mas ao sem-número de redes sociais de uma forma geral. Temos inúmeras opções, entre elas o Google+, o Facebook, o LinkedIn, o Twitter… e em cada ambiente você interage com as mesmas pessoas…
Stibel  – Então vou lhe dar boas notícias e más notícias, começando pelas más: vai ficar pior. A world wide web ? ou o www ? deveria se tornar a wild wild west [uma alusão aos filmes que, no Brasil, chamamos de faroeste, que, pela tradução literal da expressão, seria Oeste Selvagem Selvagem]. É um mundo muito louco lá fora, e as pessoas vão continuar inovando e fazendo coisas diferentes, porque isso é questão de sobrevivência. As redes sociais não querem trabalhar juntos, não é interessante. É assim que a inovação acontece. Se não tivéssemos esta loucura, nós não teríamos conhecido o MySpace, e se não houvesse a loucura quando o MySpace foi o líder, não teríamos o Facebook. Infelizmente, as pessoas terão de lidar com isso. Mas as boas notícias são que a inovação tende a fazer com que as coisas se tornem cada vez mais fáceis com o passar dos tempos. Funcionava da mesma forma quando surgiu o e-mail: algumas pessoas ficaram preocupadas se manteriam seu código postal e sua caixa de mensagens. Mas elas acabaram, cada uma, com seu espaço. A próxima novidade está sempre depois da esquina, fazendo com que nos tornemos cada vez mais sobrecarregados mesmo. Mas para pessoas como eu, é divertido.

 

 

IT Web ? Para o Facebook continuar sendo o líder, é necessário customizar as informações e gerar essas microconexões então?
Stibel  – Exatamente. Crescer pensando menor. Nós, como animais sociais, não conseguimos lidar com tanta interação social. A melhor coisa é tornar cada vez maior em número mas pensar pequeno, em termos de nichos. Como manter pequenas conexões com grande interação entre elas.

 

IT Web ? O Facebook está pronto para isso?
Stibel  – Só o tempo irá dizer.  Eu acho que está pronto, fez um grande trabalho até hoje, mas é algo difícil de prever porque, infelizmente, a história vai contra isso. São problemas difíceis para resolver. A boa notícia é que o caos e confusão, todas essas redes sociais diferentes, ajudam o Facebook. Todos nós, consumidores, morremos para ter apenas uma solução: não o Facebook, o MySpace e o Twitter, o Hotmail, o Yahoo, o Gmail. É por isso que o Google teve tanto sucesso. Ele cresceu pensando pequeno. Qual foi a grande inovação do Google: uma caixa de pesquisa com fundo branco. Brilhante. Todos poderiam utilizar para algo específico e todos usaram para algo específico. Se o Facebook fizesse isso, iríamos aplaudir, se ele facilitasse nossa conexão no mundo, não teríamos que lidar com um sem-número de coisas, cada uma para uma coisa em específico. O problema é que é um problema complexo. Você tem pessoas se focando na parte de negócios pelo LinkedIn. Você tem outras no Twitter. Acaba ficando muito complicado.

 

IT Web ? Qual rede social tem, hoje, o potencial de dominar o mercado de redes sociais no futuro?
Stibel  –Acredito que a que tem essa característica é o Google+. Em termos de tamanho, não há outra. Porque o dominante hoje já existe, e ele é o Facebook. O que você vê, são redes sociais diferenciadas tentando atingir um nicho, como o LinkedIn para a parte de negócios

 

IT Web ? Há algo diferente em termos de interação nas redes sociais em casos de diferentes países do mundo?
Stibel  – Há uma diferença extremamente pequena. Surpreendentemente e chocantemente pequena entre como culturas interagem com redes sociais e como as culturas se relacionam entre si. Há algumas particularidades e nuances lingüísticas, por exemplo, e algumas barreiras, como geografia, e restrições governamentais, que criam barreiras. Quando as barreiras são suprimidas, a interação é basicamente a mesma. A mente humana é praticamente 99,99% a mesma. É esse 0,01% que faz de nós o que somos.

Saiba mais:

Redes sociais segmentadas: alternativa a grandes comunidades

Conheça as principais redes sociais em números

Conheça as 10 redes sociais mais estranhas da internet

Publicada originalmente em 7 de outubro de 2011

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Editorial IT Forum 365
14 anos ago

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