A indústria de telecomunicações inicia a comercialização da banda larga de quarta geração, o chamado 4G/LTE, em um momento delicado no Brasil. Sob determinações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), até o ano que vem deve disponibilizar a conexão em todas as cidades-sede da Copa, em pontos específicos. Porém, isso não é o suficiente para impulsionar a adoção dos usuários, admitem membros das empresas do setor e operadoras. A difícil monetização do 4G foi tema de debate desta terça-feira (22/10) na Futurecom 2013, no Rio de Janeiro.
“Globalmente, assinantes de 4G estão concentrados na Ásia-Pacífico e na América do Norte. Com a chegada na China Mobile, por conta da escala de usuários do país, vai tomar grandes proporções”, estima o COO da Huawei, Vinicius da Silva Dalben. Segundo ele, na Europa a penetração de assinantes chega a menos de 4% e na América Latina, 1%. A começar pela cobertura de rede, bem escassa devido à falta de maturidade tecnológica. “O 4G ainda é novo, tem três anos apenas. Se compararmos desde o surgimento, em 2009, são mais de 200% de crescimento de rede. Com o tempo, esses números irão mudar”, completa.
O principal ponto para estratégia das telecoms e operadoras reside na percepção e experiência do usuário. Para o líder de marketing e comunicações da Nokia Solutions and Networks (NSN), Abdallah Harati, a percepção de melhora na velocidade da banda larga do 3G para o 4G não será impactante quanto foi o upgrade do 2G para o 3G. Harati também calcula que apenas 0,2% da base total de usuários tenham aparelhos compatíveis com a tecnologia – que ainda possui um preço elevado. Dos 12 aparelhos do portfolio da companhia, o mais barato custa US$ 400 no País. “E o mais importante: se haverá espectro disponível em tempo e em condições para o 4G se desenvolver”, pondera.
O diretor executivo para o setor corporativo da Telefônica Vivo, Estanislau Bassols, complementou que serão necessários aproximadamente três vezes mais antenas para operar na frequência de 2,5Ghz, na qual opera o 4G brasileiros.
Conhecimento x Inovação
A percepção dos usuários também é influenciada pela falta de conhecimento técnico, pois o que importa é o uso que se tem do plano de dados. “O que as pessoas entendem é que se elas selecionarem a exibição de um vídeo de alta definição e o conteúdo estiver ruim, é porque a alta definição não está funcionando”, brinca Harati, da NSN.
Roger Rafols, da TIM, resume que o cliente não tem a obrigação de entender a nomenclatura e as especificações utilizada pelo mercado. Além disso, ao se afastar da área de cobertura 4G, o usuário volta a ter conexão 3G – e a queda na velocidade não fica evidente que é por falta de cobertura, podendo causar insatisfação do consumidor e falsa percepção da qualidade da rede. “Por isso, temos que focar na experiência do usuário com uma internet de qualidade. Essa é a chave para impulsionar a adoção do 4G”, conclui.
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