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O mercado já entendeu o valor da integração das equipes de TI e negócios e assimilou que a sinergia é fundamental para a corporação. Uma TI não suficientemente alinhada ao negócio e às necessidades dos clientes pode limitar a evolução da empresa, fazê-la perder oportunidades e refletir na sua competitividade. Tais tópicos estiveram presentes no debate ?Inovação em prol da competitividade?, promovido pela IW Brasil, na sede da IT Mídia, em São Paulo. Na discussão, Fabio Faria, CIO da CSN, e Douglas Tevis, diretor do departamento de inovação do Banco Bradesco, destacaram que o caminho para inovação nas empresas deve começar pela área de TI e frisaram que as inspirações não devem vir somente da sua própria indústria.
Como pontuou Faria, inovar pode ser também ?adaptar ideias de outros mundos ao seu?. E por que não? Muitas pessoas acreditam que ideias brilhantes nascem da mente de gênios. Na realidade, a maior parte das inovações surge de um processo colaborativo que envolve inspiração, formulação de conceitos, seleção, desenvolvimento, produção e implantação do produto ou serviço. Para Tevis, do Bradesco, a inovação exclusivamente embaixo da TI não funciona. No entanto, ela tem o papel de espalhar a cultura de inovação. No Bradesco, o processo de transformar a TI começou de cima para baixo. Primeiro o banco criou uma vice-presidência de TI que trabalha todo o desenho estratégico do plano. Depois, formulou um comitê composto por diretores de todo o banco para a tomada de decisões. ?TI agora reúne tudo o que acontece na empresa. É uma boa maneira de estar conectado à estratégia.?
Em 2009, o banco passou a adotar o design thinking como metodologia interna para a área de inovação. O método mostrou que era possível usar as ideias de maneira inteligente, mas apontou que a TI era a melhor ferramenta da empresa para a viabilização de tudo. A partir daí foi possível perceber o valor de TI neste processo. ?Tínhamos a visão que a área de inovação era responsável por esse processo. O design thinking nos mostrou que ela não se faz sozinha. É preciso que todos enxerguem a TI com valor percebido, inclusive o board e os acionistas?, ressalta Tevis.
A popularidade como aliada
A diferenciação da TI estratégica a colocou em uma posição de parceira e, consequentemente, mais próxima de outros departamentos, tornando-a até mais popular. Para Faria, da CSN, ela é a linha mestra estratégica do negócio e deve atuar como aceleradora da inovação, convertendo tudo isso em cultura corporativa. ?O principal executivo de TI tem que ser o sponsor, estar junto e participar de reuniões para gerar credibilidade. Isso abre as portas para a TI atuar de forma diferenciada?. A visão em relação à inovação e ao que ela traz de retorno ainda são os entraves e, segundo ele, uma TI madura e estratégica ajuda nesse processo. ?A maturidade da TI é que determina o grau de inovação da companhia. A inovação ainda está vinculada à necessidade da companhia e ao retorno que ela dará em margem ou participação de mercado?, completa o CIO da CSN.
Faria explica que, depois de passada a barreira da resistência, o maior desafio da TI é se nivelar com o próprio usuário. É vital estar presente nas áreas de negócios entendendo tão bem quanto os envolvidos no processo. Por isso, segundo o CIO da CSN, é preciso que a TI busque também a especialização no core da empresa. ?Todo negócio tem uma particularidade que o diferencia. O conhecimento na área de atuação pode trazer uma vantagem a mais?, avalia. Ao chamar a atenção para o caráter dinâmico do mercado, o executivo diz que, durante mudanças em estratégias de curto prazo, a inovação surge conforme a dinâmica e a união desse grupo.
Para o executivo, o conceito de inovação é abrangente e o que pode ser inovação para uma empresa pode não ser para outra. ?Dependendo do modelo da empresa, ela pode ser considerada uma área operacional ou estratégica. Também depende da sua visão de futuro. A inovação acaba sendo propícia onde o board dá condições para o seu desenvolvimento?, pontua Faria. Ele ressalta ainda que o ideal é ter uma verba exclusiva para este fim e que esse recurso precisa ser considerado ?fundo perdido?, porque pode ou não dar resultados.
Retorno de investimento
Com o fim da era reativa e solitária da TI, o departamento precisa entender de negócios, estar envolvido no core da empresa e buscar constantemente a inovação, seja em produtos ou em processos. É importante que outros departamentos entendam que a TI pode atuar como parceira em qualquer atividade. Obviamente, mensurar o ganho ainda não é fácil. O valor percebido da inovação não pode ser quantificado, salvo raras exceções. Por isso, em uma companhia de grande porte, provar o retorno de investimento ao board e aos acionistas é o maior desafio. ?No passado, a TI era reativa e tudo era problema. Nos dias de hoje, isso afasta a TI do core business da empresa. Ela tem que ser parceira e, mesmo achando absurda a ideia, deve se mostrar aliada e escutar um pouco. TI é muito lógica, mas sempre é possível ajudar?, lembra Faria, da CSN.
O Bradesco divide a inovação em três tipos: voltada ao cliente, para dentro do banco e disruptiva. A ideia, segundo Tevis, é que esses processos sejam pioneiros em todas as áreas. ?Queremos mudar processos no banco e no mercado?. No caso de iniciativas para clientes e àquelas internas, casos de sucesso ajudam a viabilizar os projetos. Já as disruptivas contam com o feeling do conselho, que aposta e patrocina as iniciativas. ?Temos condições de aprovar alguma ideia perante certos riscos?, afirma o diretor.
Um bom exemplo de aposta é o F.Banking. Segundo Tevis, a ferramenta era complexa do ponto de vista de segurança e usabilidade. Mas deu certo e, hoje, com mais de um milhão de usuários, o aplicativo permite fazer consultas e operações sem sair do ambiente da rede social. Inédito até então, o produto fez o Bradesco ser o primeiro banco brasileiro (e do mundo) a lançar um serviço como esse no Facebook. Para o diretor de inovação do banco, embora muitas empresas limitem a verba para projetos como esse, a criatividade muitas vezes pode fazer a diferença, mas alerta que buscar certificações e treinamentos é um ponto importante. ?Sem conhecimento não se inova. Sabemos de milhares de exemplos de inovação que começaram sem dinheiro, como em startups por exemplo, e depois a ideia vale milhões.?
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Pamela Sousa
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