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Ex-funcionários demitidos ao cumprirem antigo código de conduta do Google abrem processo contra empresa

Ex-funcionários do Google entraram com uma ação civil contra a empresa, alegando que foram demitidos ao seguir o antigo Código de Conduta da gigante de tecnologia. O Google adotou o lema “Não seja mau” para resumir seus valores e guiar a conduta dos funcionários da empresa, por volta de 2001. No entanto, os funcionários foram demitidos, em 2019, após protestarem contra a cooperação da empresa com agências governamentais dos Estados Unidos que executam as políticas de imigração da administração Trump.

O lema “Não seja mau” [“Don’t be evil”] resumiu os valores e guiou a conduta dos funcionários do Google até meados de 2018, destacado no Código de Conduta da empresa:

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“O Código de Conduta do Google é uma das maneiras pelas quais colocamos ‘Não seja mau’ em prática. Ele é construído em torno do reconhecimento de que tudo o que fazemos em relação ao nosso trabalho no Google será, e deve ser, medido contra os mais altos padrões possíveis de conduta ética nos negócios”.

Os ex-funcionários Rebecca Rivers, Sophie Waldman e Paul Duke, que contestam a legalidade de suas demissões junto ao Conselho Nacional de Relações Trabalhistas dos EUA (NLRB), entraram com um processo civil no Tribunal Superior do Condado de Santa Clara, na Califórnia. De acordo com o The Register, o caso dos três segue sem solução e, agora, o processo civil busca manter o Google responsável por punir os trabalhadores que tentaram seguir a diretriz comportamental de seu empregador.

“Rivers, Waldman e Duke se engajaram em atividades consistentes com a obrigação contratual ‘Não seja mau’ do Google”, diz a reclamação. “Especificamente, eles questionaram a administração do Google sobre sua intenção de firmar um contrato com a administração de Trump Customs and Border Protection (CBP), Immigration and Customs Enforcement (ICE) e/ou Office of Refugee Resettlement (ORR) agências que eles entenderam serem responsáveis, por exemplo, por separar as crianças de seus pais, ‘enjaular’ imigrantes, deter refugiados ilegalmente e se envolver em outros abusos dos Direitos Humanos”.

Laurie Burgess, a advogada que representa os demandantes, disse ao The Register em uma entrevista por telefone que a inclusão do Google desses termos em seu Código de Conduta tinha um significado para ambas as partes e que o Google não pode escolher ignorar seletivamente partes de sua política.

Anteriormente, a empresa já havia agido de acordo com o seu lema, abandonando projetos questionados por infringir Direitos Humanos, segundo descrito na ação civil.

No entanto, de acordo com a denúncia, em julho de 2019, Thomas Kurian, Chefe do Google Cloud, disse aos funcionários que o Google e o Google Cloud não estariam envolvidos em projetos associados à fronteira Sul dos Estados Unidos e que os produtos e serviços do Google “seriam usados ​​apenas para ‘coisas boas’, como proteção de safras”.

Mas, no mês seguinte, Rivers descobriu que o Google já havia oferecido à CBP um teste gratuito de sua plataforma em nuvem Anthos. A informação foi incorporada a uma petição interna de funcionários que Rivers e Duke divulgaram, com a advertência de não compartilhar os detalhes externamente. No entanto, vazou para a imprensa.

Embora a Equipe de Investigações Globais do Google não tenha evidência que implique um dos três funcionários no vazamento, eles foram demitidos em 25 de novembro de 2019, segundo a alegação. Chris Rackow, vice-presidente de Segurança Global do Google, acusou os funcionários demitidos de violar as políticas corporativas de segurança de dados por conduzir pesquisas fora do escopo de suas funções, conforme memorando interno da empresa.

A queixa afirma que a declaração de Rackow foi “falsa e grosseiramente enganosa” e acusa Rackow e Kent Walker, diretor jurídico do Google, que também contestou o comportamento dos trabalhadores demitidos, de caluniosa, segundo o The Register.

A ação civil alega que os funcionários foram demitidos em meio ao Projeto Vivian, uma iniciativa para desestimular a organização do trabalho dos empregados, formulada pela IRI Consultants, empresa que ajuda empresas a evitar a formação de sindicatos, diz a publicação.

Para piorar a situação da gigante de tecnologia, na mesma semana em que foi feita a ação civil, o Google foi repreendido por um Mestre Especial no litígio NLRB paralelo dos demandantes por reter documentos da descoberta, alegando que os materiais são protegidos pelo privilégio advogado-cliente. Então, junto com outra ativista demitida do Google, Kathryn Spires, que faz parte somente do caso do NLRB, Rivers, Waldman e Duke intimaram documentos do Google para demonstrar que a empresa contratou a IRI Consultants em 2019 para ajudá-la a chegar a um plano antissindical.

O Google respondeu que tinha mais de 1.500 documentos relevantes, mas se recusou a entregá-los, alegando privilégio de advogado-cliente, diz a reportagem. No entanto, somente 9 dos 80 documentos são legitimamente cobertos pelo privilégio advogado-cliente, de acordo com Paul Bogas, Juiz de Direito Administrativo, designado pelo NLRB para revisar os documentos.

Além de muitos desses documentos apresentarem materiais de campanha e mensagens antissindicais, sob a consultoria da IRI, Bogas descreve a solicitação do Google à IRI para lavar os documentos enviando-os a uma firma de advocacia terceirizada para que, tendo sido tratados por advogados, os arquivos possam ser alegadamente privilegiados e imunes à divulgação, destaca o The Register.

Assim que o caso trabalhista for retomado, Burgess, que representa os demandantes tanto perante ao NLRB quanto no Tribunal Superior de Santa Clara, pretende chamar Walker, Chefe Jurídico do Google, para testemunhar.

De acordo com o The Register, o Google não respondeu imediatamente a um pedido de comentário diante da publicação desses fatos.

Com informações de The Register

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Published by
Rafael Romer
Tags: Google
5 anos ago

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