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Evolução para “smart cities” no Brasil não depende só do governo, diz pesquisador do MIT

Até que ponto a tecnologia pode mudar a forma como vivemos e
nos relacionamos com a nossa cidade? Se tomarmos a cidade de São Paulo com seus
mais de 20 milhões de habitantes como exemplo, as possibilidades são muitas.

Um paulistano passa em média três horas do dia no trânsito, o
que ao final de um ano resulta em mais de 30 dias – ou seja, um mês do ano
gasto somente para se deslocar pela cidade. Além do problema da mobilidade, a
capital hoje enfrenta um quadro grave de abastecimento de água, com a crise no
sistema Cantareira, que levou os níveis da represa atingirem 1,46% de sua
capacidade.

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Esses dois problemas poderiam ser otimizados com base em uma
gestão pública apoiada nas tecnologias disponibilizadas pela indústria,
juntamente com a colaboração dos cidadãos por meio de ferramentas digitais e o
fornecimento de dados em tempo real. Isso se traduz no conceito de “smart
cities”, que já vem sido aplicado por diversas cidades pelo mundo, como
Londres, Barcelona e Medellín, mas que no Brasil dá passos ainda muito pequenos,
com iniciativas pontuais em algumas cidades, como Curitiba e Rio de Janeiro.

Como então tornar as cidades brasileiras realmente
inteligentes? Para Carlo Ratti, pesquisador do City Lab do MIT, a primeira
ação que o governo pode tomar é “não fazer nada”, ou seja, “permitir que as
pessoas experimentem e utilizem essas tecnologias disponíveis hoje”, como
aplicativos como Uber e Airbnb e outras plataformas sociais, citou. Oferecer
a infraestrutura básica, como conectividade, é o segundo ponto.

Durante sua palestra no evento “Cidades Inteligentes”,
realizado nesta quinta-feira (9/10) no Insper, na capital paulista, o pesquisador
mostrou diversos exemplos com aplicações de tecnologias inteligentes adotadas pelo
mundo para melhorar a vida das pessoas. De sensores colocados em bens de
consumo que conseguem rastrear todo o caminho percorrido do lixo em Seattle, câmeras
em dispositivos móveis capazes de medir a qualidade do ar em Hong Kong e
Shenzhen a apps de compartilhamento de taxi que poderiam reduzir em 50% o
número de carros em uma cidade.

Nesse sentido, o professor do MIT enfatiza a necessidade de
um debate em torno do Big Data e o uso de dados pelos governos de forma transparente,
pois a evolução para uma cidade inteligente só acontecerá a partir do momento
em que as pessoas estiverem realmente dispostas a compartilhar seus dados.

Em consequência, os potenciais a serem explorados são
inúmeros e trazem impactos sob diversas perspectivas, como no uso das
informações geradas pelos motoristas por meio de seus smartphones para melhorar a
gestão do tráfego, a ampliação da participação pública por meio de ferramentas
sociais, adoção do home office e compartilhamento de ambientes para evitar o
deslocamento até o trabalho e muitas outras alternativas.

Segundo o pesquisador do MIT, o que deve guiar esse processo
é a qualidade de vida. “A garantia de que as tecnologias escolhidas vão ajudar
a melhorar a qualidade de vida das pessoas nas cidades. A tecnologia deve ser
pensada como o habilitador, mas o foco tem de estar sempre nas pessoas”,
completou.

No caso do problema de abastecimento hoje enfrentado na
cidade de São Paulo, Ratti aponta que a aplicação de sistemas e sensores
capazes de coletar dados sobre abastecimento, distribuição e consumo da água é
apenas uma parte da solução. Ele também destaca projetos que já são
desenvolvidos por seus colegas com o uso de sensores em canos para evitar a
perda de água. “Esses dados devem ser compartilhados com as pessoas para que
elas se tornem mais conscientes sobre o uso do recurso. Essa é a forma de promover
uma mudança de comportamento”, afirmou.

No contexto de uma economia digital, em que pessoas e
empresas se apoiam em tecnologias para facilitar suas vidas e otimizar os
negócios, o governo também deve se aproveitar desses benefícios para obter mais
informações e melhorar sua atuação, defendeu Ratti. “Isso é o mais importante,
porque é sobre pessoas, sobre como ajudar pessoas a tomarem melhores decisões”,
enfatizou.

Alguns até poderiam dizer que, quando se trata de Brasil, há
outros impeditivos e barreiras que esbarram questões sociais, econômica e além
das falhas na gestão pública que impedem a evolução para esse nível de sociedade.
Na opinião de Ratti, o conceito de smart cities não se trata apenas de governo:
“O Airbnb é um exemplo de como aspectos das cidades inteligentes
já acontecem em São Paulo, visto que várias pessoas utilizam a plataforma aqui”. 

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Published by
Redação
Tags: mitSão Paulosmart cities
12 anos ago

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