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Para quem trabalha no meio, a decisão não surpreende: a parada do mercado financeiro naquela data foi reflexo da incerteza do momento e do desaparecimento de inúmeras empresas, que nunca pensaram na ocorrência de um evento daquela escala.
Para nós, brasileiros, é inimaginável pensar em atentados terroristas no Brasil. Tampouco começarmos a nos preocupar com investimentos financeiros e de tempo para desenvolvermos respostas para desastres deste calibre. Mas, para os especialistas, o desenvolvimento de Planos de Continuidade de Negócios globais, envolvendo órgãos independentes capazes de centralizar e redistribuir informações, servindo de referência durante um evento, nada mais é que a evolução natural das possíveis alternativas de resposta do mercado corporativo. Os EUA são conhecidos pela minúcia com que analisam seus erros, tentando impedir que se repitam.
No caso do mercado mundial, a preocupação é isolada, sendo muitas vezes incentivada por características locais de ameaças, como ocorreu na Itália (em relação à Máfia), na Espanha (em relação aos terroristas bascos) e na Alemanha (em relação a grupos terroristas). O que parece ser novidade, nesta situação, é o desejo de concentrar a capacidade de administração e resposta a crises, através de um repositório em que as operações pudessem ser replicadas, em situações de Continuidade.
De acordo com o que está sendo planejado, os requisitos mínimos que passarão a ser exigidos das empresas serão os seguintes: cópias de segurança e recuperação (documentação física e eletrônica), sistemas de missão crítica, cobrança de impostos financeiros e operacionais, meios de comunicação alternativos entre clientes e empresas, meios de comunicação alternativos entre as empresas e seus funcionários, componentes de negócio redutores de impacto (atuando como um obstáculo que reduza a força de acontecimentos), relatórios regulamentares e canais de comunicação com os órgão reguladores.
Não será surpresa se, em pouco tempo, estas medidas passarem a ser exigidas de todos que transacionam com as empresas norte-americanas e suas filiais espalhadas ao redor do globo, envolvendo clientes, fornecedores e parceiros do mercado financeiro internacional. Esta exigência certamente deve seguir o fluxo de vulnerabilidades evidentes, como é o caso hoje dos EUA e seu aliados, tomando direção de seus parceiros numa corrente descendente de riscos e ameaças até chegar a países de baixa exposição a riscos, como seria o caso da Suíça e de Paraísos Fiscais, onde os próprios grupos terroristas devem compartilhar das vantagens ali existentes.
De qualquer forma, este é um sinal de que a lição foi aprendida. Senão em relação ao descaso referente a riscos anteriormente considerados baixos ou inexistentes, pelo menos em relação ao temido “Efeito-Dominó”, que se espalha ao longo dos mercados, criando perdas incalculáveis por conta do desconhecido.
Não há duvida que o Brasil é um país favorecido: inexistem terremotos, furacões ou tornados. A força das inundações, na grande maioria das vezes, é resultado do descaso das pessoas, construindo em locais inapropriados ou do excesso de lixo que veda os canais de escoamento. Entretanto, o que escapa à observação da maioria das pessoas é a recorrência de eventos de pequena monta, que ao longo do tempo se transformam em grandes prejuízos, sendo geralmente absorvidos e repassados para o custo final dos produtos ou serviços oferecidos, sem que as pessoas percebam que estas perdas poderiam estar sendo contabilizadas como receitas.
Redação
5 dias atrás
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Pamela Sousa
6 dias atrás