O avanço de ataques ransomware em 2016 impactou também a área da saúde. A Unit 42, centro de pesquisas da Palo Alto Networks, realizou um levantamento que traz as tendências e necessidades de segurança cibernética nessa indústria para que as organizações de saúde estejam preparadas para combater as ameaças que devem enfrentar em 2017. Para a empresa, a incidência de ataques desse tipo deve aumentar ainda mais neste ano.
Muitos hospitais foram afetados por ransomware no último ano e atingidos, especialmente, por variantes que miram servidores e não computadores. A Unit 42 destaca que o setor da saúde é visado devido ao vetor de ataque ocorrer por uma aplicação (JBOSS) desatualizada nos servidores na DMZ (sigla em inglês para Zona Desmilitarizada, que significa uma sub-rede física ou lógica que contém e expõe serviços de fronteira externa de uma organização a uma rede maior e não confiável, normalmente a internet).
Dessa forma, graças ao compartilhamento de inteligência de ameaças, as organizações do setor providenciaram reparos e correções nas vulnerabilidades dessa aplicação. No entanto, a tendência de aumento desse tipo de ataque permanece. O ransomware continuará mirando a indústria da saúde neste ano por meio de ataques padrão como downloads na web, anexos ou links maliciosos via e-mail e servidores desatualizados na DMZ.
A companhia destaca que, diante deste cenário, é fundamental questionar se um ataque em um dispositivo médico poderá causar lesão a um paciente. Atualmente falta o básico de segurança para os dispositivos utilizados em instalações médicas que, muitas vezes, não possuem proteção de endpoint, e atualizações regulares, funcionando em sistemas operacionais desatualizados, como o Windows XP. Por estas razões, são alvos principais para malware e ciberataques. Além disso, os equipamentos médicos são caros e não há incentivo financeiro para realizar o tipo de pesquisa de segurança necessária para detectar e corrigir vulnerabilidades nesses dispositivos.
Até o momento, não há casos confirmados de danos físicos aos pacientes, mas a equipe da Unit 42 trabalha com a hipótese de que seja apenas uma questão de tempo para um agente malicioso se aproveitar da parte mais vulnerável das redes hospitalares – os dispositivos médicos – e entrar em ação.
SaaS
Outro ponto importante são as aplicações SaaS – muito utilizadas pelas equipes médicas para compartilhamento de arquivos na nuvem, como Box, Dropbox e Google Drive, devido à praticidade para compartilhar informações de forma rápida. O problema com as versões públicas desses serviços é que cabe ao usuário controlar quem tem acesso aos arquivos e é muito fácil se enganar com uma configuração e disponibilizar um arquivo que contém informações protegidas de saúde (PHI) para todo o público na internet. As versões corporativas de alguns desses serviços permitem restringir o acesso público, mas a maioria das organizações não bloqueiam as versões gratuitas, então fica difícil controlar.
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