De janeiro a agosto de 2019, 37.532 usuários únicos sofreram pelo menos uma tentativa de espionagem no seu dispositivo. Em 2018, o número foi de 27.798, ou 35% a menos, considerando o mesmo período.
Os números foram apresentados no relatório “A situação do stalkerware em 2019” da Kaspersky. Foram descobertas 380 variações da ameaça em circulação em 2019, ou 31% a mais do que no ano anterior.
Os swalkerware são programas espiões usados para acessar fotos, mensagens, redes sociais, localização e mais do dispositivo da vítima. Em alguns casos, o processo de espionagem pode ser feito em tempo real.
Os programas funcionam com permissões legítimas de controle parental. Quando executados, rodam em segundo plano de forma oculta e são instalados sem o conhecimento ou consentimento da vítima.
Algo um tanto quanto quanto perturbador é que os stalkerware são também promovidos como software para espionar o (a) parceiro (a).
A Kaspersky identificou e bloqueou, no país, tentativas de instalação em 1.232 usuários únicos em 2018; neste ano, o número foi de 4.041 usuários únicos, um crescimento de 228%.
Quando comparamos os números do stalkerware com outras ameaças, há uma noção de que eles são menores. Mas, ameaças são ameaças, e não há uma “menos pior” que a outra.
No caso desta, em questão, há uma grande diferença: as vítimas são bem específicas e monitoradas. Muitas vezes, inclusive, o invasor precisa ter acesso físico ao dispositivo, o que aumenta ainda mais a insegurança.
Esse tipo de software foi identificado e bloqueado pela Kaspersky em dispositivos de 518.223 usuários, ou 373% a mais que em 2018.
Operando de modo furtivo, o programa “fornece a agressores e assediadores uma ferramenta completa para cometer assédio, monitoramento, perseguição e abusos”, diz Erica Olsen, diretora do projeto Safety Net Project na National Network to End Domestic Violence.
Erica ainda diz que tal experiência, para a vítima, “pode ser aterrorizante, traumatizante e ainda levar a riscos significativos à segurança”.
Ela informa que é preciso tratar de tais ferramentas/apps relacionando sua existência, mas também “seu uso como uma ferramenta de abuso”.
Vladimir Kuskov, especialista em segurança da Kaspersky, diz que apesar dos esforços, ainda há problemas a serem resolvidos. Ele explica que o ideal seria “encontrar e concordar em uma definição de stalkerware que possa ser reconhecida por todo o setor”.
Para o especialista, a medida “ajudaria a diferenciar melhor esse tipo de software e, portanto, proteger melhor os usuários de invasores de privacidade.”
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