All Rights ReservedView Non-AMP Version
IT Forum
  • Homepage
  • Notícias
Categories: Notícias

Especialista fala sobre evolução e desafios da carreira em TI

Não é de hoje que se discute o futuro da carreira do gestor de TI. Falou-se que ele seria extinto, que perderia influência ou que voltaria a ser algo próximo do que foi no passado, uma espécie de gerente de CPD, isolado do mundo da companhia como um todo. Mas o que se tem visto é algo completamente diferente. O CIO é, diariamente, desafiado a se apresentar como alguém que contribui para o negócio fim, o que traz desafios como habilidade de negociar, tino para entender e aderir às mais diversas tendências tecnológicas e o velho conhecido alinhamento ao negócio.

Para Jairo Okret, sócio-diretor sênior de tecnologia da Korn/Ferry, esse executivo precisa ser par das outras áreas, atuar em conjunto e estar preparado para trabalhar o desapego das tecnologias e, por que não, de alguns projetos. ?Hoje o CIO é parte de um grupo de gestão, é alguém que tem cabeça de negócio e não apenas de tecnologia.? A seguir, você confere os principais trechos dessa conversa.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

InformationWeek Brasil – Quais são, hoje, os principais desafios para um CIO?

Jairo Okret – O executivo de TI, falando de alguém que trabalha em uma corporação e não em uma empresa de TI, enfrenta três principais desafios. Um deles é o de agregação de valor, de trabalhar junto com outros executivos, trabalhar para o negócio, pensar o negócio e não só pensar a TI. O segundo é o tema de mudanças, tendências, antecipação de tecnologias para ajudar o negócio. E o terceiro desafio é o operacional, de entender o que manter dentro da empresa e o que terceirizar, o de que tecnologias adotar e em qual velocidade, de como integrar as diversas faces do negócio.

São esses os três principais desafios. Os três passam por pessoas, incluindo o próprio executivo, na maneira como ele pensa, analisa a informação, como toma decisões e como ele interage dentro e fora da área de TI com a empresa e com parceiros/fornecedores.

IWB – E você acha que a maioria assimila essa transformação e os desafios que a carreira impõe?

Okret – Acho que atender aos desafios tem sido um desafio. A busca pelo profissional de TI, especialmente, pelo profissional de liderança de TI, tem sido uma busca complexa. Não é um profissional que existe em abundância. Já falei algumas vezes sobre a transformação do profissional de TI e em algumas situações, inclusive, se falava que o CIO era um profissional em extinção, e digo que não é. É uma carreira em evolução. Mas um grupo pequeno de CIOs faz essa mudança, se reinventa.

Quando falamos de profissionais de áreas específicas, como de infraestrutura ou aplicativos, as mudanças são menores. Mas, muitas vezes, esse profissional quer evoluir na direção de ser um CIO. E essa é uma evolução difícil. Não estamos falando de alguém simples, que tem funções bastante definidas, mas de alguém que não tem que seguir uma agenda corporativa, mas ajudar a defini-la.

IWB – Quando você fala sobre questionar o fim do CIO, isso acontece pelo fato de um pequeno grupo participar da evolução. E você tem novas funções, como Chief Data Officer, que parecem desmembrar a função do CIO. Como você vê isso?

Okret – Não acho que existe um desmembramento. Se você pega o Chief Innovation Officer, por exemplo, a inovação vai muito além de TI. A TI pode ter um papel fundamental em inovação, mas não necessariamente faz a reintegração do processo. Esse líder de inovação faz, justamente, a integração do processo. Eu vejo aí na literatura todos os Chiefs, profissões diferentes surgem e todas têm relação com o CIO e podem enriquecer a função do gestor de TI e torná-la ainda mais complexa, porque aumenta o número de sinapses, conexões e interações que o CIO vai ter.

Existe uma função de inovação em TI que passa a ser uma das funções principais do CIO e que vai apoiar e ser apoiado pelo processo de inovação da empresa como um todo. O processo da companhia passa por inovação em produtos, serviços, interação com clientes, fornecedores e TI vai ser um dos fatores chave de apoiar esse processo de inovação. Em algumas áreas vai liderar e em outras dará suporte.

IWB – Então esse CIO, de repente, se converte a uma espécie de Chief Innovation Officer, mas dentro da área dele?

Okret – Acho que ele lidera a inovação no campo da TI, inovações que podem ter impacto em outras áreas. Não é mais um agente secundário, no sentido de atender as requisições com o CIO dizendo como, em que prazo e a que custo. Muito pelo contrário, ele tem possibilidades de mostrar o que se pode fazer apoiado pela tecnologia. Nesse ponto, ele é um agente de inovação não apenas em tecnologia, mas no negócio.

IWB – Você cita três desafios, entre eles o alinhamento ao negócio, que é bastante discutido, qual é a dificuldade para que isso aconteça?

Okret – Acho que existe ainda um resto do antigo CIO que era um executor quase que dependente de uma área de tecnologia menos integrada, menos parte do negócio, muito focada na tecnologia em si. Hoje, o CIO é parte de um grupo de gestão, é alguém que tem cabeça de negócio e não apenas de tecnologia. Ele é um gestor de negócio e não um tecnólogo. Não estou dizendo que um técnico seja ruim, precisamos dele, o conhecimento técnico é importante em muitos lugares, mas o CIO precisa, cada vez mais, ser de gestão e entender como a tecnologia integra e se integra nas partes do negócio. Isso é uma novidade, é um processo de mudança.

IWB – O pessoal dessa geração mais nova consegue acompanhar isso melhor?

Okret – Eu vejo um grupo de pessoas de TI novo, jovem, vindo de áreas de comércio eletrônico, de internet, que tem uma cabeça diferente. Trabalha com plataformas, em como as coisas se integram, com inovação, e sabe que nunca vai acabar de construir a infraestrutura de TI. É um processo quase que de destruição criativa da infraestrutura de TI. Diferente do CIO antigo, onde existia uma arquitetura de longo prazo, quase que um edifício que ia construindo e um dia estaria pronto. Esse pessoal sabe que (o edifício) não estará pronto. A estrutura de TI estar pronta é quase um fracasso, porque alguém estará usando algo novo e diferente e irá suplantá-lo.

IWB – Essa destruição criativa pode ser algo positivo e até dar uma chacoalhada nesses profissionais mais antigos?

Okret – Não digo que é positivo e nem negativa, mas inevitável, não tem outra maneira de fazer e tem pessoas que tem mais dificuldade de aceitar, aprender e entender esse processo. Tenho conversado com alguns executivos que vêm dessas áreas de internet, de games e eles têm muito essa cabeça.

IWB – Ele acaba sendo uma espécie de conselheiro para ter relação boa com os departamentos?

Okret – Não só pela relação boa, mas para fazer a coisa certa para o negócio. Se você estiver convicto que o melhor é fazer dentro, é melhor comprar briga. Você tem que pensar no que é melhor para o negócio. Por exemplo, tenho um grande projeto de SAP para implantar e não vou conseguir fazer o teu CRM, em vez de falar que entrará na fila de prioridades e conversar depois de três anos, a atitude ideal seria: ?eu sei que é importante para você, vamos pensar outra maneira para atender à sua necessidade?. Vemos muito isso hoje.

IWB – Para você, qual seria o mundo ideal ao buscar um gestor de TI? Que perfil teria esse executivo?

Okret – Alguém que conhece muito de tecnologia, das plataformas, que seja curioso e atualizado. Por outro lado, que tenha um desapego pelas tecnologias em si. Elas são meios. Alguém que tenha capacidade analítica, que trabalhe com cenários, análises de custo, que vá tomar decisões de forma ponderada. E quando se fala em estilo de liderança, que seja participativo, ouça com interesse e atenção e que se coloque. Queremos pessoas que tenham opiniões e que vá levá-las até um processo de decisão de forma ponderada. É preciso entender do negócio ou procurar entender e ser focado em resultado. Alguém bastante pragmático, que trabalhe sobre pressão.

IWB – E isso não tem nada a ver com formação, mas com o ambiente que ele vivencia?

Okret – Eu acho que é o ambiente. Formação, você tem gente da velha escola com formação excelente. E tem gente que se transforma. Mas esses executivos que mencionei não se transformam, eles são assim.

Houve também o fenômeno da terceirização, um dos desafios que te falei, que é avaliar o que fazer fora, onde fazer alianças. E é uma cabeça diferente, outra maneira de pensar, onde você vai fazer ou contratar passa a ser uma escolha sem tipo de apego emocional. É normal contratar fora e fazer alianças.

IWB – Quando você fala em apego emocional, temos hoje a figura do CMO, que entra em tecnologia por conta de redes sociais e mobilidade, trabalhar esse desapego ajuda na relação com o CMO mais independente?

Okret – E porque não? Acho que a TI pode ajudar a viabilizar a escolher um parceiro e inclusive dizer ?faça sozinho que é a melhor coisa?. A gente vê, por exemplo, o fenômeno da divisão em algumas empresas da área que suporta comércio eletrônico da TI tradicional, é uma velocidade diferente, outra realidade. Você facilita evitar qualquer tipo de conflito porque são tempos diferentes. Manutenção de estrutura fixa e complexa difere. Muitas vezes, as áreas de marketing passam a ter pequenas áreas de TI para lidarem com essa forma diferente de pensar.

IWB – Mas isso pode ser bom ou iniciar uma guerra interna de ego…

Okret – Pode e em alguns lugares inicia. Mas o profissional bem sucedido em TI hoje sabe lidar com isso. Ele diz você pode fazer sozinho agora e, mais tarde, faremos juntos.

 

Next Microsoft encerra marca ?Windows Live? »
Previous « CEO da TIM, Luca Luciani, deixa o grupo
Share
Published by
Editorial IT Forum 365
14 years ago

    Related Post

  • UE ordena que Meta reabra WhatsApp a chatbots rivais
  • IPO da SpaceX chega ao mercado como aposta de US$ 1,75 trilhão em IA, não em foguetes
  • IA muda jornada de compra e devolve relevância aos sites de avaliação B2B, diz Forrester

Recent Posts

  • Artigos

Com a IA, setor de saúde vive revolução que o marketing digital proporcionou há dez anos

por Eduardo Barros A transformação da inteligência artificial (IA) nos negócios lembra o que aconteceu…

1 day ago
  • Inovação

Snowflake registra crescimento de 33% na receita e eleva projeções para o ano fiscal de 2027

A Snowflake anunciou os resultados financeiros do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado…

2 days ago
  • Notícias

UE ordena que Meta reabra WhatsApp a chatbots rivais

A Comissão Europeia determinou que a Meta reestabeleça o acesso de assistentes de inteligência artificial…

2 days ago
  • Notícias

IPO da SpaceX chega ao mercado como aposta de US$ 1,75 trilhão em IA, não em foguetes

As negociações com as ações da SpaceX têm início nesta quinta-feira, 12, em uma oferta…

2 days ago
  • Notícias

IA muda jornada de compra e devolve relevância aos sites de avaliação B2B, diz Forrester

A ascensão dos agentes de inteligência artificial (IA) está criando uma oportunidade para plataformas de…

2 days ago
  • Notícias

Prêmio Executivo de TI do Ano 2026: conheça os critérios de avaliação

Continuam abertas as inscrições para o prêmio Executivo de TI do Ano 2026. A iniciativa,…

2 days ago
All Rights ReservedView Non-AMP Version
  • L