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Entrevista: Ernani Paulo Toso, CIO da Grendene

Aos 49 aos, Ernani Paulo Toso está no terceiro ano do curso de administração. A entrada tardia na faculdade tem uma justificativa: quando terminou o segundo grau (atual ensino médio), mudou-se para Canoas (RS) para morar perto de uma universidade, mas, ao invés de estudar arrumou emprego em uma prestadora de serviços de bureau para a Grendene. O curso de processamento de dados ficou para depois. Em uma época de escassez de mão-de-obra especializada, Toso destacou-se e foi contratado pela a empresa calçadista.  

Começava, naquele momento, uma vida dedicada à TI daquela que viria a ser uma das maiores produtoras mundiais de calçados sintéticos, detentora de marcas como Melissa, Rider e Ipanema Gisele Bündchen. Sempre ocupando o mesmo cargo – principal executivo de tecnologia -, Toso desempacotou o primeiro computador. “Tudo o que tem hoje foi feito por mim e pelo o meu time”, orgulha-se. Conversar com ele é reconstituir como uma companhia estrutura sua TI desde o início.

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InformationWeek Brasil – Você sentiu falta de ter cursado faculdade ou curso técnico em algum momento?

Ernani Paulo Toso – Sempre fui autodidata, aprendi na prática e também com fornecedores; e assim fui evoluindo.

IWB – O que te levou a ingressar na faculdade?

Toso – Depois de 29 anos de trabalho na área estou tendo formação agora. Na verdade, estou pensando para quando sair da Grendene. Eu parei e me perguntei: o que vou fazer com todo este conhecimento que tenho e o aprendizado do que consegui realizar? Estou cursando graduação com a intenção de fazer pós na seqüência e depois trabalhar como professor.

IWB – Quais aprendizados você tira destes 26 anos de Grendene?

Toso – Eu acho que o sucesso sempre se deu pela continuidade por trabalhar durante muitos anos na mesma empresa. Vemos colegas que começam e não conseguem terminar projetos, porque trocam de emprego ou a companhia os troca. Os processos acabam não tendo continuidade.

IWB – Como você avalia as mudanças na TI da companhia?

Toso – Tive o privilégio de começar a TI da Grendene. Desempacotei o primeiro computador, instalei o primeiro software e fiz o primeiro serviço. Tudo o que tem foi feito por mim e pelo o meu time. Entrei como responsável pela área de informática e continuo – não mudei de cargo. Tudo passou pela minha orientação e pelo meu conhecimento. Mudou muita coisa de lá para cá. A gente diz que de quatro em quatro anos muda-se tudo em TI. Imagine nestes 26 anos! Começamos processando em minicomputador. Naquela época, a máquina tinha winchester de 16 megabytes e um disco removível de 16 Mb – então, começamos com 32 Mb (risos). Hoje, qualquer equipamento de mobilidade tem muito mais capacidade que isto.

IWB – Enquanto a empresa crescia, a informática também se desenvolvia.

Toso – Expandimos várias vezes esta plataforma a ponto de ter vários computadores processando variados serviços. Um momento significativo de crescimento foi quando passamos nosso processamento para mainframe. Isto foi em 1986, acho. Depois, houve diversas evoluções de plataforma até que começamos a trabalhar com ambiente cliente-servidor e algumas aplicações que complementavam nosso sistema de gestão. E, a partir daí, fomos buscar um ERP no mercado.

IWB – Quando foi isto? Quem era o fornecedor?

Toso – Começamos a negociar com a Datasul em 1997, fechamos o contrato em 98 e concluímos a implantação de todo o ERP em 2002. Até ter feito a virada mantínhamos o mainframe. Chegamos até hoje com apenas uma evolução dentro da plataforma. Mas inovamos muito dentro do mainframe: tínhamos digitação de pedidos descentralizada e um sistema multimídia de automação de vendas. Demoramos quatro anos para usar totalmente o ERP da Datasul, porque lá em 98 apostamos na interface web para o usuário. Nosso ERP é 100% interface web.

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Published by
Redação
18 anos ago

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