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Emissões de carbono da IA devem disparar ainda mais

Imagem: Shutterstock

A revolução da inteligência artificial (IA) está cobrando um preço ambiental alto. Um novo estudo da Harvard T.H. Chan School of Public Health, publicado pelo MIT Technology Review, revelou que as emissões de carbono dos data centers nos Estados Unidos triplicaram desde 2018. Em 2024, essas instalações foram responsáveis por 105 milhões de toneladas métricas de CO2, representando 2,18% das emissões nacionais – um volume comparável ao da aviação comercial doméstica.

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O peso da IA nos data centers

Data centers são essenciais para treinar modelos de IA, como o ChatGPT, e processar suas solicitações. Além disso, hospedam sites e armazenam dados na nuvem. Embora seja difícil quantificar exatamente quanto da energia consumida é destinada à IA, pesquisadores indicam que sua parcela está crescendo rapidamente, já que quase todos os setores da economia buscam adotar essa tecnologia.

“Há um crescimento exponencial em curso, mas ainda estamos nos primeiros dias em termos de eficiência e novos chips”, afirmou Eric Gimon, do think tank Energy Innovation.

Um dos maiores problemas está nas fontes de energia utilizadas. Muitos data centers estão localizados em regiões de alta produção de carvão, como Virgínia, o que torna sua intensidade de carbono 48% maior que a média nacional. Segundo o estudo, 95% dos data centers nos EUA estão em áreas com fontes de eletricidade mais poluentes que a média.

Modelos multimodais

O crescimento exponencial da IA também está ligado à complexidade dos modelos sendo desenvolvidos. Até agora, ferramentas como o ChatGPT se concentravam na geração de texto, mas o foco está mudando para modelos mais robustos, capazes de criar vídeos, imagens e música.

A OpenAI lançou em dezembro seu modelo de geração de vídeos, o Sora, que tem enfrentado alta demanda desde o lançamento. Outros gigantes da tecnologia, como Google e Meta, também trabalham em tecnologias semelhantes, como os modelos Veo e Movie Gen.

“À medida que avançamos para imagens e vídeos, o tamanho dos dados aumenta exponencialmente”, explicou Gianluca Guidi, principal autor do estudo e doutorando na Universidade de Pisa.

Além disso, o crescimento da adoção em larga escala, combinado à maior complexidade dos modelos, aponta para uma alta considerável nas emissões no curto prazo.

Necessidade de regulamentação

Uma das metas do estudo foi criar uma ferramenta confiável para monitorar o consumo de energia dos data centers nos EUA. Agora, os pesquisadores construíram um portal que exibe as emissões de carbono dessas instalações em todo o país. A ideia é usar essas informações para orientar futuras regulamentações, embora os autores do estudo sejam céticos quanto a mudanças regulatórias no curto prazo.

“Haverá pressão crescente entre as comunidades ambientalistas e as Big Techs”, destacou Francesca Dominici, diretora da Harvard Data Science Initiative. “Mas minha previsão é que não haverá regulamentação nos próximos quatro anos.”

Impactos para o futuro

Com a popularização de modelos de IA mais avançados, como os geradores de vídeos e música, as emissões devem continuar subindo. Este crescimento levanta questões sobre como equilibrar inovação tecnológica com sustentabilidade ambiental.

A busca por maior eficiência energética e o investimento em fontes de energia renováveis são desafios centrais para o setor, mas o estudo ressalta que mudanças reais podem depender de maior pressão pública e regulamentação governamental. Enquanto isso, a indústria de IA precisa lidar com os impactos de sua expansão, tanto no consumo de energia quanto no meio ambiente.

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Published by
Pamela Sousa
Tags: data centerIA
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