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E daí? Que que tem? Qual o problema? Que mal faz?

Corrupção no varejo

E aqui vai uma pequena lista de coisas que quem sabe você jamais fez, mas que muito provavelmente conhece alguém que faz e não vê nelas nada de errado ou, se vê, considera desculpável, o varejo da corrupção:

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  • Saquear caminhões acidentados como se isto não fosse furto (eu já testemunhei, em um bairro não muito distante do Centro do Rio de Janeiro, toda a carga de engradados de cerveja ? cerveja!!!??? ? desaparecer em quinze minutos da carroceria de um caminhão cuja roda traseira havia se prendido em um bueiro sem tampa enquanto na calçada ao lado o motorista e o ajudante, impotentes, assistiam ao saque). Afinal a mercadoria estava ali mesmo, bastava pegar e levar, o povo é pobre, passa necessidade e estas empresas tanto se aproveitam dele cobrando preços exorbitantes que é perfeitamente justificável vez ou outra levar seus produtos sem pagar. Qual o problema?

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  • Estacionar veículos na calçada. (A figura 2, obtida do sítio da empresa de desenvolvimento web Portal MS de Mato Grosso do Sul, mostra um veículo estacionado tomando toda a

    calçada em uma das ruas de Campo Grande. O interessante é que se trata

    de uma viatura policial.) O motorista só vai demorar um pouquinho, vai

    ali e já volta, não tem culpa que o poder público não ofereça vagas

    suficientes para quem delas precisa para seu automóvel e se uma senhora

    com um carrinho de criança ou um cadeirante precisar passar, não custa

    nada esperar o trânsito diminuir um pouco, descer a calçada e contornar o

    veículo pela pista de rolamento. São apenas cinco ou seis metros. O que

    que tem?

  • Sugerir aos amigos que quando precisarem ligar para o escritório usando o telefone celular que o façam a cobrar ou então, se estas ligações forem bloqueadas, que “deem um toque e esperem o retorno da ligação”. A empresa é rica e paga mal, então porque não fazê-la pagar pelas ligações particulares em horário de trabalho? Isto, naturalmente, sem mencionar as caixas de grampos, clipes, fitas adesivas e pequenos itens de escritório que são subtraídos (furtados, jamais! Afinal o sujeito é honesto) do escritório e levados para casa. A empresa tem montanhas daquilo e as crianças precisam daquele pouquinho para seus trabalhos escolares. Que mal faz?
  • Trafegar pelo acostamento da direita nos engarrafamentos da estrada. Se os otários ficam na fila pacientemente esperando que ela se movimente, problema deles, que têm tempo para isto. Afinal, quando surgir uma ponte estreita adiante e não der para prosseguir no acostamento, sempre aparecerá um educado palerma que permitirá o retorno à fila, engarrafando tudo um pouquinho mais. “Eles” vão perder apenas mais alguns segundos. E daí?
  • Entregar ao professor um trabalho de pesquisa inteiramente copiado e colado de algum sítio da Internet sem mencionar a fonte ou encomendado e pago a terceiros, porém assinado pelo próprio. Não era uma pesquisa? E ele não pesquisou no Google ou entre os conhecidos para achar quem fizesse o trabalho? Então? Qual o problema?
  • Parar em fila dupla ou tripla enquanto espera o rebento descer do carro e entrar na escola ou, o que demora mais um pouco, ser liberado da escola para embarcar. Os que ficarem presos no engarrafamento assim provocado também foram crianças e, se os pais e mães não tinham carros para busca-los na escola ? ou se procuravam um lugar para estacionar sem prejudicar o trânsito e faziam o resto do percurso a pé ? problema deles. É certo que todo o tráfego ficará retido enquanto a criança embarca ou desembarca, mas é só um pouquinho. E daí?
  • Registrar imóveis em cartório por uma fração do valor realmente pago para reduzir o imposto. O dinheiro iria para o Estado que tão pouco faz para melhorar a vida do cidadão, aquela merreca não vai fazer falta mesmo. Qual o problema?
  • Responder a chamada por um colega ausente ou escrever o seu (dele) nome em uma lista de presença. O cara faltou, mas por motivo justo, afinal o time dele jogava naquela noite e o jogo seria televisionado. Que mal faz?
  • Adulterar o velocímetro do carro para que ele mostre uma quilometragem menor que a efetivamente percorrida aumentando assim indevidamente seu valor de revenda. Umas poucas dezenas de milhares de quilômetros não farão assim tanta diferença. O que que tem?
  • Vender vales transporte ou vales refeição recebidos da empresa onde trabalha, embora isto seja proibido. O valor a ele pertence e não faz diferença em que será gasto mesmo sendo a finalidade designada por lei. Afinal tem certas leis que não fazem o menor sentido. Ninguém as obedece mesmo. Que mal faz?
  • Se apossar de objetos perdidos por outros e passar a usá-los como se fossem legalmente adquiridos. Afinal, “achado não é roubado” e pra que encaminhar a uma delegacia ou agência dos Correios (que mantem depósitos de objetos encontrados à espera de que quem os perdeu lá os procure) um treco que o dono já deu mesmo por perdido? Quem manda ser mané e sair perdendo coisas por aí? Cada um que cuide do que é seu. Qual o problema?

A lista poderia continuar a ponto de se tornar enfadonha. Usar programas pirata ou programas que solicitam uma módica contribuição do usuário sem fazer tal contribuição. Enganar o fiscal da alfândega quando declara verbalmente o que traz na bagagem retornando do exterior. Comprar, comercializar ou fabricar produtos falsificados, iguaizinhos aos originais. Fazer uma fezinha no jogo do bicho ou nos caça-níqueis ilegais. Emplacar o carro fora do domicílio forjando um endereço inexistente para pagar menos imposto. Declarar uma idade menor da criança que acompanha para que ela passe por baixo da roleta da condução paga. Substituir o catalisador do carro por um que só tem o invólucro. Estacionar em vagas exclusivas para deficientes. Solicitar notas fiscais de refeições e pequenos serviços reembolsados pelo empregador com valor a maior. Declarar raça ou cor da pele diferente para se aproveitar das cotas nas universidades. Instalar “gato” de luz, água ou televisão via cabo. Usar atestado médico falso para justificar faltas no trabalho. Dirigir após consumir bebida alcoólica acima do legalmente aceito. Violar a lei do silêncio…

Melhor parar por aqui. Mas exemplos não faltam e eu poderia alongar a lista mais umas tantas páginas.

Então vamos lá. Analisemos os fatos.

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Editorial IT Forum 365
15 anos ago

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