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Na DXC, líder desperta meninas para TI com programa inovador e inclusivo

Na oitava série do colégio, Claudia Braga, hoje líder de Indústria da DXC Technology para América Latina Sul, já se interessava pelas discussões sobre tecnologia. Nessa época, teve a convicção de que queria seguir em Exatas, então a formação em Análise de Sistemas pela PUC Campinas foi mera consequência.

Mas antes disso, ao fazer um teste vocacional a adolescente Cláudia descobriu que tinha habilidades para Informática, a profissão do futuro, como diziam. Isso despertou ainda mais o seu interesse, visto que tinha como meta conquistar independência financeira.

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Destemida, matriculou-se em um curso de Cobol, sem ter a menor ideia do que significava, ela confessa. Acostumada a conviver em um universo genuinamente feminino, em colégio de freiras em Santos (SP), rodeada de mulheres, levou um susto ao entrar na sala de aula. “Eu me deparei com uma turma somente de homens, a maior parte trabalhava no Porto de Santos, e muito mais velhos do que eu. A única coisa que tínhamos em comum era o curso de programação”, lembra.

A programação foi amor à primeira vista.  Tirava sempre as maiores notas da turma, tornando-se a melhor aluna do curso aos 16 anos. “Ali, tive a certeza de que era o que queria para o meu futuro”, relata a executiva.

No mercado

A primeira atuação na área de TI foi em um estágio na HP, em 1986, na fábrica de calculadoras. “Era no CPD e foi o começo. Adorei o ambiente, fui progredindo e depois contratada. Cuidava da microinformática. Foram três anos de aprendizado, até ir para um cliente da HP, na área de aplicações, como técnica em sistemas financeiros.”

Em meio à construção da carreira, o casamento. Três dias depois de selar a união com o marido, arrumaram as malas e partiram para o México, ambos movidos pela carreira. Encarou um combo de desafios da nova vida, em um país de cultura diferente, trabalhou na HP México e por lá ficou um ano até sair do país grávida da filha, rumo a Portugal.

Com a credencial de mãe, equilibrando várias jornadas no dia a dia, Cláudia ingressou na EDS, onde permaneceu por oito anos. Era engenheira de sistemas júnior e seguiu progredindo, superando desafios e garante nunca ter perdido nenhuma oportunidade profissional pelo fato de ser mulher. “Acho que nunca me importei com isso. Estava sempre focada em meus objetivos. Queria ser a melhor, queria crescer, não percebi qualquer preconceito”, diz, sabendo ser um privilégio.

Lá, vivenciou uma época em que a indústria automotiva estava investindo em tecnologia especialmente para aumento de produtividade e redução de custos e então a bola da vez era a reengenharia. Cláudia envolveu-se em vários projetos ligados ao tema.

Aprendendo lições no dia a dia

O melhor conteúdo na bagagem de Cláudia, ela diz, foi o aprendizado em relacionamento com o cliente. “Aprendi como ganhar a confiança dele e isso é uma conquista que se dá aos poucos e não se aprende na escola. É preciso empenho, habilidade, ouvir e se colocar no seu lugar.”

Mas a virada de chave aconteceu quando descobriu que além da tecnologia, adorava negócios. “Eu não tinha essa noção, porque, até então, a forma de abordar a minha carreira era pautada muito mais no aspecto da tecnologia e não no negócio.”

Passou a ver a tecnologia como meio para viabilizar tudo o que era discutido sobre o negócio em reuniões. E, assim, de volta ao Brasil, esteve na Ericsson, também como CIO, EDS, até se tornar líder de Indústria da DXC Technology para América Latina Sul.

Girls in IT, mais que programa, uma causa

Na DXC, cresceu em valores profissionais e teve a oportunidade de colocar em prática um importante projeto da sua carreira, o Girls in IT. Já havia criado o Comitê de Diversidade de Gêneros na empresa, que lidera, portanto, o engajamento em causas sociais já fazia parte de suas responsabilidades.

Já embalada desse propósito, discutiu internamente sobre um projeto que tinha em mente focado em meninas. As ideias se uniram para gerar algo com cunho social, de inclusão.

Cláudia conversou com o RH para idealizar o projeto na corporação e tomou o Programa de Aprendiz do governo como base, e contemplou meninas de famílias de baixa renda. O Girls in IT foi estruturado de forma que elas se integrassem em áreas técnicas, com treinamentos.

“Não queria direcioná-las para áreas administrativas, como acontece em grande parte das empresas, em que acabam exercendo a função de realizar cópias de documentos. Precisava implementar algo que realmente fizesse a diferença em suas vidas e fosse contribuir para o sucesso profissional, mesmo depois, fora do programa”, conta.

O programa ganhou vida e tem como diferencial formação prática em várias áreas de tecnologia e apadrinhamento com líderes da companhia. É exclusivo para meninas, entre 16 e 18 anos, estudantes de escolas públicas na região de São Paulo, com duração de 11 meses.

Elas ingressam como “jovem aprendiz” da DXC Technology e recebem uma série de workshops e treinamentos técnicos e processuais para uma visão geral de todas as áreas da companhia e sua atuação no mercado, desde lógica básica de programação e introdução a softwares até Internet das Coisas (IoT), apps e gamification.

A formação contempla ações internas da DXC e parceiros de tecnologia. Cada jovem é apadrinhada, voluntariamente, por um líder sênior da companhia, que acompanha seu desenvolvimento desde o início do projeto, auxiliando com dicas de direcionamento da carreira e habilidades necessárias.

Hoje, o Girls in IT está na formação da terceira turma, que terá início em março deste ano, e já formou mais de 30 jovens nas duas edições realizadas. “Na segunda edição, levamos cinco meninas para treinamento em parceiros, passando um dia nas instalações deles. Essa jornada inclui apresentação da empresa e de toda a sua estrutura, propósito, significado de carreira, como ela se desenvolve, perfil profissional, participação de executivas compartilhando experiências, desafios e conquistas.”

As meninas, que chegam tímidas, aprendem e se transformam, destaca Cláudia. “O conhecimento e a integração proporcionam isso”, garante.

“Aprendem que o futuro está muito ligado à tecnologia e que ao concluírem o programa, se tornam multiplicadoras dessa cultura em suas famílias, ajudando outros jovens (meninos e meninas) e consequentemente a comunidade”, acredita e se empenha a Líder de Indústria da DXC América Latina Sul, dona de uma das soft skills mais cobiçadas na era digital: sensibilidade.

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Redação
Tags: DXC TechnologyGirls in ITmulheres na TI
7 anos ago

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