Estudo feito com a 60 Decibels indica que mulheres utilizam crédito para empreender mais que homens
O cenário da tecnologia no Brasil mudou nos últimos 20 anos, mas para muitas mulheres que construíram carreira na área, os desafios ainda fazem parte da trajetória profissional. Uma dessas vozes é Ana Lúcia Lima, diretora de engenharia de software da Creditas, que hoje atua para ampliar a inclusão financeira feminina por meio da tecnologia.
Além da atuação técnica, a executiva também participa de iniciativas voltadas ao impacto social. Um levantamento realizado pela Creditas em parceria com a 60 Decibels aponta que a tecnologia tem servido como porta de entrada para mulheres historicamente excluídas do sistema financeiro.
De acordo com o estudo, 70% das mulheres atendidas pela Creditas não tinham acesso prévio a serviços financeiros, como os oferecidos pela empresa. Entre os homens, o índice é menor e chega a 60%.
O levantamento também indica que, quando conseguem acesso ao crédito, muitas dessas mulheres utilizam os recursos para empreender. Segundo os dados, 73% das clientes que recorreram ao crédito para atividades empreendedoras conseguiram expandir seus negócios, superando o percentual masculino de 59%.
Para Ana Lúcia, desenvolver produtos com esse olhar é parte central da estratégia da empresa.
“A diversidade é fundamental para o que fazemos. Trazer perspectivas diferentes para o desenvolvimento de produtos permite romper tabus e criar soluções que funcionem para quem mais precisa”, afirma.
Na avaliação da executiva, a presença de mulheres em posições técnicas e de liderança não é apenas uma questão de representatividade, mas também uma forma de ampliar a capacidade das empresas de identificar problemas reais de mercado.
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Com passagens por empresas como UOL e Via Varejo, Ana Lúcia hoje lidera equipes responsáveis pela evolução das plataformas da Creditas, considerada uma das maiores fintechs de crédito com garantia da América Latina.
Apesar da posição atual, a executiva lembra que o início da carreira foi marcado por questionamentos frequentes sobre sua capacidade técnica.
“Tive mais dificuldade quando era desenvolvedora do que em cargos de liderança”, afirma.
Segundo ela, um dos caminhos para romper esse ciclo passa pela formação técnica e pela confiança profissional.
“Se formarmos meninas com uma base técnica sólida, elas ganham segurança. O mercado vem mudando e hoje me sinto privilegiada no ambiente em que estou. Não preciso mais provar o tempo todo o que sei fazer.”
Questionada sobre se as mudanças na diversidade do setor são estruturais ou apenas parte do discurso corporativo ligado a ESG, a executiva afirma que ainda há muito espaço para avanço, mas que já existem iniciativas concretas.
Ela destaca que algumas empresas passaram a investir de forma mais consistente na formação de mulheres em tecnologia.
Ao mesmo tempo, ressalta que a trilha de liderança ainda apresenta desafios específicos para profissionais do sexo feminino.
Na visão da executiva, a diversidade também faz sentido do ponto de vista econômico.
“Times diversos erram e inovam de forma mais coletiva e eficiente. No caso da engenharia, essa diversidade também impacta diretamente a forma como produtos financeiros chegam às mulheres”, diz.
Para jovens que desejam seguir carreira em áreas técnicas, Ana Lúcia afirma que a confiança é um elemento essencial.
“Não tenham medo de mostrar o que sabem. As capacidades são as mesmas, independentemente do gênero. Precisamos ocupar esses espaços e apoiar outras mulheres nesse processo.”
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Redação
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Pamela Sousa
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